22/08/2023
Em Alta Paraná Política

Discursos de Moro, Gleisi e Requião Filho dão o tom da disputa pelo poder no Paraná

A direita apostou em Lava Jato, segurança pública e antipetismo, enquanto a esquerda defendeu campo popular, direitos sociais e enfrentamento ao bolsonarismo

Requião Filho e Sergio Moro (Fotos: Eduardo Matysiak e Tami Taketani/Plural, respectivamente)e

Curitiba voltou a ocupar, no fim de semana, o centro simbólico da política nacional. Em menos de 24 horas, a capital paranaense recebeu dois atos de pré-campanha com discursos opostos, mas igualmente voltados para a disputa de 2026. De um lado, Sergio Moro lançou a pré-candidatura ao governo do Paraná ao lado de Flávio Bolsonaro. De outro, Requião Filho e Gleisi Hoffmann reuniram partidos de esquerda e centro-esquerda em torno de uma chapa com discurso social, feminista e anti-bolsonarista.

Na sexta (29), PL e Novo oficializaram o movimento em torno de Moro para o governo estadual. O ato teve a presença de Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, além de Deltan Dallagnol e Filipe Barros, lançados como pré-candidatos ao Senado. Os discursos se concentraram em críticas ao governo Lula, ao STF, à segurança pública e à pauta anticorrupção, recuperando a memória política da Lava Jato como ativo eleitoral.

MORO SE ‘APOSSA’ DO PARANÁ

Pré-lançamento de Moro (Foto: Nana Felchak/ RSN)

O viés do discurso de Moro foi claro: reposicionar Curitiba como território político da direita judicializada, anticorrupção e bolsonarista. Ao afirmar que “a República de Curitiba é nossa” e que “o Paraná é nosso”, o senador buscou resgatar o imaginário da Lava Jato e convertê-lo em identidade eleitoral. A presença de Flávio Bolsonaro, nesse contexto, selou publicamente uma reaproximação que antes parecia improvável, considerando o rompimento de Moro com Jair Bolsonaro no passado.

Já Flávio usou o palanque para nacionalizar a disputa paranaense. O filho do ex-presidente associou segurança pública, combate ao crime organizado e antipetismo, em um discurso voltado à base mais fiel do bolsonarismo. Filipe Barros também explorou a ideia de “verdadeira direita”, em sinal de disputa interna com outros grupos conservadores do Paraná. Presente no local, o Portal RSN, registrou ainda que o evento ocorreu em meio à repercussão de questionamentos envolvendo Flávio e o Banco Master, tema desviado pelos principais pré-candidatos no ato.

VOZES DO PARANÁ

Requião Filho e Gleisi (Foto: Eduardo Matysiaki)

No sábado (30) a resposta veio pelo campo progressista. O evento “Vozes do Paraná”, no Igloo Super Hall, lançou Requião Filho ao governo estadual e Gleisi Hoffmann ao Senado. A aliança reuniu PDT, PT, PCdoB, PV, Rede e PSOL, com presença de lideranças estaduais e nacionais, como Carlos Lupi e Edinho Silva. Conforme os organizadores, mais de seis mil pessoas participaram do encontro.

O viés do discurso de Requião Filho, conforme o pronunciamento, foi social e desenvolvimentista. Ele tentou deslocar o debate da guerra ideológica para a crítica ao modelo de governo que, de acordo com a fala, privilegia empresas e grupos econômicos. Ao dizer que o Paraná precisa voltar a ser governado “para as pessoas”, Requião Filho buscou se apresentar como herdeiro de uma tradição estadualista, popular e crítica ao poder econômico.

Gleisi, por sua vez, adotou tom mais combativo. A fala misturou defesa das mulheres, crítica à violência política de gênero e enfrentamento direto ao bolsonarismo. A deputada também mirou Moro, em declaração que gerou reação pública do senador no dia seguinte. Moro rebateu pelas redes sociais, acusando o PT de “defender criminosos e terroristas” e dizendo que o projeto irá “bloquear” as pretensões petistas no Paraná.

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Cristina Esteche

Jornalista

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