A assistente social Eny é a primeira família do preso dentro da PEG UP

"Os agendamentos que eles fazem, quando eu respondo o que eles necessitam da família, eles ficam emocionados", diz Eny

(Foto: Gilson Boschiero/RSN)

Domingo é dia de visita na PEG UP. É o momento em que os presos podem ver seus familiares, conversar com pai, mãe. Matar saudades da esposa e dos filhos. Uma área destinada ao banho de sol está em fase construção e reforma. Dois alojamentos foram transformados em espaço para as visitas.

Depois de pronto servirá ainda para palestras, cursos e cultos. Veja abaixo, vídeo do espaço em reforma e da quadra de areia.

No local já foram construídos um banheiro para os internos, dois banheiros femininos para as visitas, um fraldário e um parlatório. O espaço não está pronto, mas já é usado pelos funcionários da fábrica de botinas, para descanso e lazer após o almoço.

“Eles almoçam aqui. Aproveitam para tomar banho de sol, e para brincar nessa quadra de areia com traves de futebol”, disse um agente penitenciário.

ASSISTENTE SOCIAL

Mas como as visitas só estão autorizadas no domingo, no restante da semana, a família dos presos se chama Eny Augusto Garcia Kulik: a assistente social. Conforme o chefe de segurança da PEG UP, Gilmar Jorge Budniak, o trabalho da assistente social é fundamental para tranquilizar o preso na unidade.

A gente faz um trabalho inclusive em paralelo com a família, porque o preso tem que estar focado em pagar a pena que ele tem. Então ele está suscetível em perder um ente querido, dívida ou alguma coisa na rua que possa influenciar a vida dele aqui dentro.

A assistente social Eny Augusto Garcia Kulik é a primeira família do preso dentro da PEG UP (Foto: Gilson Boschiero/RSN)

É com ela, a assistente social paulistana Eny, que desde 2000 está em Guarapuava, que nós vamos entender essa relação familiar que ela tem com os internos e que ela mesma confirma. Eny é a pessoa que faz a ponte entre o interno e o mundo externo.

Eu sou a família do interno dentro da PEG – UP. Quando eles chegam, eu explico as regras. Ajuda com documentos, já que muitas vezes eles chegam sem nada.

Assim, Eny faz os agendamentos diários com as demandas dos internos. “Eles pedem informação da família, se o filho nasceu, pedem algum pertence. Se morre algum familiar, isso mexe com eles”. Ao chegar na unidade, o preso passa pela entrevista inicial, como conta a assistente social no vídeo abaixo.

Com a família, ela também explica as regras, tanto de credenciamento, como de pertences e alimentos permitidos na penitenciária. E o que é gratificante, conforme ela conta, “é que eles enviam mensagens nos agendamentos”, como esse na foto abaixo em que o interno agradece a atenção e diz que a família a elogia.

“Muito obrigado Dona Eny pela sua atenção. A senhora está sendo muito elogiada pelos familiares”.

(Foto: Gilson Boschiero/RSN)

Neste outro agendamento, o interno fala de família, e que Eny é a família dele.

Quando se está na pior até sua família te abandona. Bem no fim, só você [Eny] é a família. Infelizmente é a vida.

(Foto: Gilson Boschiero/RSN)

Na PEG UP, Eny disse que o trabalho é bem diferente de outras carceragens e cita a cadeia pública de Guarapuava.

“A realidade do preso do cadeião não tem nada a ver com a disciplina e o cotidiano da PEG. Lá na 14ª é sujo, cheira ruim, eles ficam amontoados. Eles gritam meu nome quando eu vou lá, porque já me conhecem, foram presos três, quatro vezes. Me sinto até mal”.

Assim, no sistema prisional desde 2008, a assistente social conta um pouco do sentimento que tem com o trabalho que faz, e o que viu em 11 anos de carreira.

Foi um trabalho desafiador, mas muito gratificante. Muito gratificante porque você vê o resultado do que você está fazendo – tanto na família se sentir informada do que está acontecendo com ele [interno] aqui, como ele [interno] está. Os familiares ligam, mesmo quando não podem vir visitar. E os agendamentos que eles fazem, que quando eu respondo o que eles necessitam da família, eles ficam emocionados. Já recebi muita coisa, agradecimento por escrito.

De acordo com o advogado criminalista e professor de direito penal Loêdi Lisovski, a experiência profissional mostrou que o apenado é um ser solitário, embora conviva na multidão, como explica abaixo.

Na 11ª reportagem da série “Liberdade Vigiada”, você vai conhecer como funciona o departamento médico, dentista, enfermagem. A saúde do interno.

Leia outras notícias no Portal RSN.

Relacionadas

DESTAQUE

Após campanha extraordinária Prude Futsal chega a Série Prata

PERCEPÇÃO

Eu poderia ser um interno da Penitenciária Estadual de Guarapuava - UP

DEPOIMENTOS

Vi bastante gente morrendo lá, diz preso sobre cadeião de Guarapuava

Comentários