Escritora vem em busca do trabalho do Kundun

Guarapuava – A arte-terapeuta, artista plástica e escritora Walkiria Bezerra Kaminski (foto) encontra-se em Guarapuava durante a semana. Ela mora em Fortaleza (Ceará) e deixou Guarapuava há cerca de 15 anos.
Walkiria veio em busca do trabalho que vem sendo desenvolvido pela Companhia de Música e Dança Afro Kundun Balê na comunidade quilombola Paiol de Telha na Colônia Socorro no distrito de Entre Rios. “Eu acompanho o trabalho desse grupo pela Internet e me interessei”, afirma.
Em Fortaleza e em outras cidades de estados nordestinos Walkiria tem experiências profissionais em várias áreas de atuação. Ela é também e consultora editorial da Cidades Editora e Gráfica e autora dos livros de Educação de Jovens e Adultos (EJA) adotados para 70 mil alunos do Piauí em 2009. Está lançando a coleção Vozes da Selva e Vozes da Senzala de cultura indígena, africana e afro-brasileira, adotados oficialmente pelo Estado da Paraíba para 100 mil alunos da rede estadual. Essas publicações foram feitas em apoio à lei federal 10.639 (que prevê a inclusão obrigatória do ensino sobre a cultura indígena, africana e afrobrasileira nos currículos escolares).
Sua visita a Guarapuava deve-se ao interesse de Walkiria em resgatar e publicar histórias e memórias afrobrasileiras em parceria com a Companhia de Música e Dança Afro Brasileira – Kundun Balê e com o Instituto Afrobrasileiro Belmiro de Miranda.
Há três anos os bailarinos e percussionistas do Kundun vem registrando experiências culturais e de vivência a partir do conhecimento e do resgate cultural da história dos seus ancestrais.
Embora seja uma companhia cultural sediada na comunidade Paiol de Telha o Kundun não se limita à cultura da comunidade. “A nossa pesquisa e o nosso trabalho recupera a história dos nossos antepassados desde a África até chegar no Brasil, sem deixar de lado a história dos nossos antepassados mais próximos e qu resultou na luta da nossa comunida eplo retorno à terra de origem”, explica Anaxilê Isabela Camargo Soares da Cruz, bailarina do Kundun.
“Somos uma companhia quilombola que estuda e divulga a cultura negra como um todo dando, incusive, dignidade à religiões de matrizes africanas tão excluídas pelo preconceito. Entendemos que somente por meio do conhecimento, das raízes, é que vamos contribuir para que o preconceito e a discriminação que envolve a nossa cultura – entendemos que religião também é cultural – sejam extintos”, diz Kunta Leonardo Camargo Soares da Cruz, que também é bailarino do Kundun.
Na tarde de ontem, terça-feira, Walkiria esteve na Câmara de Vereadores quando foi anunciado a proposta da escritora em relação à parceria que deverá acontecer com o Kundun.
“Se não somos valorizados em nosso município, o nosso talento, o nosso trabalho encontra apoio em outros estados a partir de pessoas ligadas à cultura e que entendem e querem valorizar a nossa arte. Se depender da nossa força e da nossa garra, que é o que movem o nosso trabalho, essa parceria vai dar certo”, garante Afixirê Eliete Santos de Oliveira.

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