Estresse, medicamentos e fumo causam inflamação gengival

Devido a má higiene, o fumo, o estresse, da imunodeficiência e de maus hábitos alimentares a gengiva fica fragilizada às infecções decorrentes de bactérias. É a periodontite. Uma doença que acomete os tecidos em torno dos dentes (gengiva, osso e ligamentos de suporte dos dentes).
“Muitas vezes a manifestação é indolor”, avisa a periodontista Gláucia Weber (foto), dentista especializada no tratamento das doenças gengivais.
De acordo com Gláucia, a periodontite inicia por um processo inflamatório nos tecidos moles e é caracterizado pela reabsorção do osso alveolar, podendo levar à perda do dente.
Existem diversas formas de doença. A forma mais comum é a periodontite crônica, que pode ocorrer nas primeiras duas décadas de vida, mas geralmente é na terceira e na quarta década de vida que a prevalência aumenta dramaticamente. Estudos recentes demonstram que mais de 75% da população adulta possui bolsa periodontal com profundidade de 4 milímetros ou mais. Desta população, 8% tem doença periodontal severa definida como presença de uma ou mais bolsas com profundidade de 7 milímetros ou mais.
A causa principal da doença é a placa bacteriana, película viscosa e incolor que constantemente se forma sobre os dentes. Entretanto, o fumo, a genética, gravidez, puberdade, estresse, medicamentos, parafunção, diabetes e má nutrição também podem afetar a saúde das gengivas.
A especialista explica que com a evolução da inflamação gengival, as fibras e tecidos que suportam os dentes são comprometidos e os dentes podem ficar abalados devido a reabsorção óssea. “O sangramento gengival é o sinal mais característico da doença e deve ser investigado assim que for percebido pelo paciente”, observa Gláucia Weber.
Segundo ela, a periodontite de progressão lenta tem como características a inflamação gengival, formação de bolsa e perda óssea. Levando a mobilidade do dente e, até, migração do mesmo para as laterais ou para cima (extrusão). Esta doença acomete ambos os sexos, após os 30 anos.
Outro tipo de manifestação é a periodontite de progressão rápida, que pode ocorrer em pacientes desde a puberdade, até a idade adulta. Porém, a destruição dos tecidos periodontais é absolutamente mais ligeira. O tecido apresenta-se inflamado, ulcerado e muito vermelho, com sangramento espontâneo, ou frente a um leve toque e supuração.
Já a periodontite juvenil, de acordo com a especialista, faz parte de um grupo de doenças periodontais severas que aparecem no início da puberdade. Trata-se de uma doença crônica inflamatória, onde ocorre grande destruição óssea. Pode ser classificada de duas formas: localizada, afetando os primeiros molares e incisivos permanentes. Na manifestação generalizada, outros dentes são afetados. A doença atinge crianças saudáveis na faixa etária entre 11 e 13 anos de idade, preferencialmente meninas. “A gengiva pode apresentar textura e cor normais, e pequena quantidade de biofilme em comparação ao grau de destruição óssea presente”, explica.

MAU HÁLITO
Glaucia Weber conta que a periodontite é responsável por proporcionar mau hálito. As bactérias se alimentam de proteínas existentes na bolsa, saliva, carboidratos e outros substratos e, por fim, se decompõem ocasionando cheiro característico e muito desagradável. “A placa associada com lesões periodontais leva bactérias para outras regiões orais como o dorso da língua, onde se colonizam contribuindo para a instalação do mau odor oral”, diz.
A dentista explica que as doenças periodontais são tratadas através do controle da infecção, removendo a placa que contém os germes nocivos. “Deve-se fazer a raspagem para a retirada da placa mole e endurecida (tártaro), dos tecidos de granulação e das toxinas da gengiva. Já o alisamento da raiz do dente elimina pontos de acúmulo de resíduos, permitindo que a gengiva fique mais aderida ao dente e também proporciona melhor condições de higiene ao paciente”, conta.
Segundo Gláucia Weber, a cirurgia pode ser necessária, caso a raspagem e o alisamento não controlarem a doença. A intervenção consiste basicamente na aplicação de um anestésico local (fazendo com que o paciente não sinta qualquer dor ou desconforto), levantamento da gengiva para acesso à instrumentação, melhor visualização, remoção do tártaro e tecidos contaminados suturando-a novamente no lugar.
Explica que a prescrição da antibioticoterapia pode fazer-se necessária, demonstrando resultados satisfatórios, em casos mais agudos e generalizados, durante a fase de raspagem e cirurgia periodontal. Ela reforça sobre a necessidade de revisão periódica, a cada quatro meses dependendo de cada caso e de cada paciente, para se controlar a doença e a formação de novas placas bacterianas. “O principal objetivo do tratamento é estabilizar as perdas e assegurar que o trabalho conjunto do profissional e do paciente evite o retorno ou agravamento do quadro periodontal”, observa Gláucia Weber.

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