Gestores da região estão em alerta sobre possível fechamento do Santa Tereza

Crise financeira na instituição coloca em risco o atendimento para, pelo menos, 20 municípios

O tom do discurso é unificado: um eventual fechamento do Hospital Santa Tereza, em Guarapuava, representaria um verdadeiro caos no setor de saúde não só do município, mas de todos as 20 cidades que integram a 5ª Regional de Saúde do Estado. São cerca de 500 mil pessoas distribuídas na macrorregião, que, neste hospital, dependem, principalmente, de serviços de ortopedia e maternidade. Até o momento, a diretoria do hospital não apresentou nenhuma solução concreta para que a instituição continue em funcionamento.

Para o prefeito de Candói e presidente do Consorcio Intermunicipal de Saúde do Centro-Oeste (CIS) do Paraná, Gelson Costa, a crise na instituição deixa os gestores da região em estado de alerta, já que, um eventual fechamento, como anunciado pelo administrador do hospital recentemente, representaria um verdadeiro caos aos municípios do entorno.

“Seria um problema para todos nós. No caso de Candói, nosso problema seria em cirurgias de fraturas e procedimentos eletivos, como hérnia, vesícula e varizes. Na parte ortopédica, teríamos problemas para pacientes que necessitam de procedimentos nos joelhos, ombros e cotovelos, por exemplo”.

Leia também:
“Queremos investir no Santa Tereza com a segurança de uma boa gestão”, diz Cesar Silvestri
“Não conseguiríamos suprir a demanda do Santa Tereza”, diz provedor do São Vicente

Gelson ressalva, ainda, que hoje em dia, grande parte dos procedimentos de média complexidade são transferidas do Hospital Santa Clara, de Candói, para o Hospital Santa Tereza, em Guarapuava.

“Essa demanda é potencializada, ainda, levando em consideração que alguns procedimentos do Santa Clara são para atender Reserva do Iguaçu e Foz do Jordão”.

LINEARIDADE

O pensamento de Gelson é alinhado com o de prefeitos da região, através de seus secretários de saúde. É o caso de Turvo, por exemplo. De acordo com a secretária Eliane de Cácia Harmuch, o setor que mais sofreria com o fechamento seria o da maternidade. Hoje, muitas mulheres do município são atendidas no HST, em Guarapuava, através do Programa Rede Mãe Paranaense, referência para gestações de alto risco.

“Se fechar, teremos que mudar toda a nossa rede. Talvez estudar um outro município que pudesse atender nossa demanda”. O setor de ortopedia, no qual o HST é considerado um hospital de alta complexidade, também seria afetado.

Mesmo discurso presente na fala do secretário de saúde de Campina do Simão, Josmar Soares. De acordo com o responsável pela pasta, mensalmente, o município envia cerca de 25 pacientes para internamentos cirúrgicos em Guarapuava. Eles são divididos entre o HST e o Hospital São Vicente de Paulo.

“Nós não temos hospital aqui, então a situação se agrava. Pelo SUS, o Santa Tereza atende a necessidade ortopédica do município, além dos casos de urgência e emergência”. Josmar relembra, ainda, que a situação da saúde do entorno de Guarapuava vive um momento delicado desde o fechamento de outros hospitais do município, há alguns anos.

“A gente já vive um momento complicado desde o fechamento do próprio Belém. Guarapuava foi sobrecarregada. Imagina se o Santa Tereza fechar?”, questiona.

A CRISE

Desde que a crise do Santa Tereza veio à tona, em abril deste ano, diversas medidas foram anunciadas para tentar salvar o hospital, mas nenhuma delas com resultados efetivos.

A última solução apresentada envolve a gestão do hospital, onde uma assembleia deverá definir pela criação de um conselho deliberativo para o HST. Ainda não há data marcada para a votação que poderá implementar este conselho, nem garantias de que o atual presidente do HST, Frederico Eduardo W. Virmond, aceitará a criação deste órgão.

Relacionadas

ALERTA

Postagem 'fake' anuncia distribuição de cestas básicas em Guarapuava

MAIS CONFIRMAÇÕES

Saúde confirma 31 novos casos de covid-19 em Guarapuava

DROGA

PRF apreende 331kg de maconha em carro com placas de Guarapuava

Comentários