“Não conseguiríamos suprir a demanda do Santa Tereza”, diz provedor do São Vicente

Em entrevista ao Portal RSN, o professor Huberto Limberger falou sobre o impacto de um eventual fechamento do Hospital Santa Tereza

O anúncio de possível fechamento do Hospital Santa Tereza, em Guarapuava, evidenciou, ainda mais, a importância do trabalho conjunto das duas únicas instituições hospitalares do município. Junto ao Hospital São Vicente de Paulo, as instituições atendem um universo de cerca de 500 mil pessoas, não só de Guarapuava, mas dos 20 municípios que compõe a 5ª Regional de Saúde do Estado.

Em entrevista exclusiva ao Portal RSN, o atual provedor do Hospital São Vicente, o professor Huberto Limberger, declarou o que o cenário da saúde do município já indicava nas entrelinhas: o hospital de caridade não teria condições de suprir a demanda do Santa Tereza em caso de um eventual fechamento.

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“As pessoas não fazem ideia do caos que seria caso fechasse. Na greve dos caminhoneiros nós já ficamos completamente sufocados só pela interrupção de chegada de alguns medicamentos, imagina se o hospital fechar”, disse. A possibilidade de fechamento da instituição foi anunciada na semana passada pelo administrador do HST, Newton Elias Gonçalves, em anúncio feito durante uma sessão pública na Câmara de Vereadores de Guarapuava.

Professor Huberto Limberger, provedor do São Vicente (Foto: Caio Budel/RSN)

O professor Huberto é considerado um especialista na área da saúde em Guarapuava. E não é para menos: desde 1986 ele se dedica para o trabalho voluntário em prol da saúde, principalmente no universo Vicentino. De acordo com o provedor do São Vicente, com um eventual fechamento, todos os setores de atendimento estariam comprometidos, porém, os mais afetados, seriam a ortopedia e a maternidade.

“Em ortopedia, eles são uma instituição de alta complexidade. Seria nosso pepino maior, digamos assim. Em segundo lugar, maternidade. Eles fazem muitos partos. E nós não temos condição de aumentar os atendimentos para o público neste quesito se, por exemplo, for diminuída a metade dos atendimentos do HST. Para isso nós precisaríamos construir uma nova maternidade, e não há verba para isso agora”.

Huberto ressaltou, ainda, o comprometimento dos atendimentos do SUS em caso de fechamento do HST. Para isso, ele cita o exemplo das Unidades de Terapias Intensivas (UTI’s)

“As UTI’s já vivem superlotadas, tanto aqui [São Vicente] quanto lá [Santa Tereza]. Imagina se fechar. Aonde íamos colocar os pacientes que precisam da UTI para sobreviver?”, indagou Huberto, relembrando que, atualmente, o São Vicente conta com 156 leitos, 60% deles exclusivamente ao SUS. No último balanço divulgado pelo Santa Tereza, em abril, o hospital tinha uma média 1.700 atendimentos mensais pelo SUS, além de realizar aproximadamente 134 cirurgias eletivas e 20 artroscopias. Sem contar os atendimentos de urgência e emergência. Estes números foram divulgados pela assessoria de comunicação do HST, em nota.

Nós ficamos muitos preocupados. A parte clínica, de uma forma geral, seria totalmente afetada. A parte cirúrgica também. O Santa Tereza é um hospital muito grande, a demanda seria enorme.

Durante a entrevista, Huberto se sensibilizou, também, com a equipe do hospital, tanto médicos quanto demais colaboradores, lembrando que eles dependem financeiramente da instituição.

“Nós aqui do São Vicente, não só eu, mas toda a administração Vicentina, estamos torcendo e rezando. Desejando a maior sorte e êxito para o Santa Tereza, para que toda essa população de 500 mil habitantes possa continuar sendo atendida, e bem atendida, pelos dois hospitais”.

Nesta semana, uma reunião envolvendo o Instituto Virmond, que mantém o hospital, e as 12 entidades que formaram um grupo para tentar salvar o HST, deve ocorrer em Curitiba junto ao secretário de Saúde do Estado, Antônio Carlos F. Nardi.

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