Há 39 anos, secundaristas deram a base para o PT em Guarapuava

Movimento estudantil, operários e juventude em geral ajudaram a construir o partido que teve como primeiro presidente o jornalista Fernando Esteche

O jornalista Luiz Fernando Esteche, um dos fundadores do partido em Guarapuava (Foto: Reprodução/Facebook)

Há 39 anos estudantes secundaristas começavam a escrever uma nova página na história política de Guarapuava. Unindo-se a operários, principalmente da construção civil, vigilantes e outras categorias assalariadas, o extinto Centro de Atividades Estudantis de Guarapuava (CAEG) liderou a fundação do Partido dos Trabalhadores (PT). Conforme a memória oral do Partido, o movimento estudantil na época era liderado pelo atual secretário municipal de Trânsito, Airson Horst.

Assim como o Caeg, o jornalista Luiz Fernando Esteche, também fundou o PT.  “A nossa primeira Executiva tinha eu como presidente, o Oronil era o vice, o Airson Horst, o João Gráfico, o Ivo Simão, o Newton Valginhak”.

Criado em 1981 e com núcleos em bairros polos de Guarapuava, um ano depois, em 1982, o partido já deixava a sua marca nas eleições municipais. “Fizemos a maior convenção da história da cidade com mais de 400 participantes. O quórum exigido era de 40 pessoas”.

CANDIDATURA OPERÁRIA

De acordo com Fernando Esteche, o candidato a prefeito foi o operário Leonel Valginhak, falecido recentemente. “Eu fui candidato a deputado federal. Montamos uma chapa de vereadores com representantes das camadas mais humildes da sociedade tivemos a primeira candidata mulher, a minha irmã Cristina Esteche”.

O jornalista cita pessoas como o Nelsinho Gonçalves, o ‘seo’ Bertulino, o Ládio Massagista, a Dona Roselmira [uma doméstica que morava no Bairro dos Estados]. “Foram muitas pessoas que nos ajudaram a fundar o PT numa época em que Guarapuava era extremamente conservadora”.

Assim, o ‘mando político’ pertencia ao ex-prefeito Nivaldo Kruger, vencedor das eleições de 1982. “O voto era vinculado, sob a égide da Lei Falcão. A gente tinha de votar numa chapa única que tinha candidato a senador, deputado estadual, deputado federal, prefeito, vereador. Todos do mesmo partido”.

Conforme o jornalista, após as eleições, o PT participou de grandes episódios da vida da cidade. “Em 1985 lideram uma campanha contra o desemprego. Reunimos mais de três mil desempregados em assembleias na Praça 9 de Dezembro. Era um período de grande carestia, de desemprego nacional. Fizemos uma passeata e bate-panelas em frente a Prefeitura”.

NÚCLEOS

Com núcleos espalhados no Boqueirão, na antiga Madeirit, no Jardim Continental, Santana, Vila São Miguel, e outros bairros da cidade, a organização popular foi a tônica do partido. “Quando você organiza uma comunidade as conquistas aparecem. Um desses exemplos foi a construção do cemitério no Continental”.

De acordo com o jornalista, muitas lideranças foram reveladas e algumas resistem até hoje. “Um desses líderes é o Amadeu Nunes, na Vila São Miguel. Tem o Osnildo, o Pastor Neri, o Mandrik que já não mora mais aqui, mas que teve uma militância forte na época”. Assim, o jornalista diz que não dá para esquecer do Ralf Rickli, também um dos fundadores em Guarapuava.

“Era uma época difícil, de idealismo, de entrega. Fazíamos reuniões em casas, bazares, jantares para arrecadar dinheiro para o partido. Meus irmãos, minha mãe participavam de tudo. As famílias se envolviam. Eram os filiados que financiavam o partido. Foi uma década heroica que tínhamos o jornalista Roberto Salomão como presidente estadual e lutávamos contra a ditadura militar”.

Segundo Fernando Esteche, as filiações eram feitas de casa em casa. “Criamos os núcleos dos metalúrgicos, dos vigilantes. A juventude abraçou a ideologia”.

PROTAGONISMO

Assim, dali em diante, o PT sempre teve um protagonismo no cenário político guarapuavano. Candidaturas a prefeito e a vereadores, inserção de profissionais liberais, acadêmicos, professores universitários, pequenos empresários, foram surgindo.

Conforme mostra a história foram candidatos a prefeito: o bancário Carlinhos Marcondes (1988) contra Fernando Ribas Carli e Aragão de Mattos Leão; Raeifer Cabreira (1992). Além do agrônomo Leitão (1996), o médico Belarmino Bacin (2000). E ainda o bioquímico Celso Góes e o médico Antenor Gomes de Lima.

Todavia, nesse cenário, o PT elegeu o primeiro representante na Câmara de Vereadores. O médico Antenor Gomes de Lima teve dois mandatos. Hoje a bancada petista é representada pelos vereadores Professor Serjão e Professora Terezinha. Ela pode ser a primeira mulher do Partido a enfrentar uma candidatura majoritária à Prefeitura de Guarapuava.

COMEMORAÇÃO

Os 39 anos do PT em Guarapuava coincide com os 40 anos do partido no País. E para comemorar as datas um ato político na Câmara Municipal reúne lideranças nacionais, estaduais, regionais e municipais. Será às 18h45 desta sexta (28), em Guarapuava.

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