22/08/2023
Em Alta Londrina Política

Impasse sobre fundo ambiental opõe Prefeitura e MP

Impasse é gerado pela divergências de interpretações. Prefeitura diz que menda Constitucional nº 136/2025 autoriza o repasse; MP pede devolução de R$ 13 milhões

Audiência pública na Câmara de Londrina (Foto:Frrnando Cremonez/CVL)_

A transferência de cerca de R$ 20 milhões do Fundo Municipal do Meio Ambiente (FMMA) para custear despesas da Educação transformou-se em um embate jurídico e político entre a Prefeitura de Londrina e o Ministério Público do Paraná (MPPR).

O Conselho Municipal do Meio Ambiente (Consemma) afirmou que não foi consultado antes da retirada dos recursos levou o caso ao Ministério Público

Mais do que discutir um remanejamento de recursos, o caso coloca em xeque os limites da autonomia do Executivo para utilizar verbas de fundos específicos diante das mudanças trazidas pela Emenda Constitucional nº 136/2025.

Foi nesse contexto que os secretários municipais de Fazenda, Meio Ambiente e Educação estiveram na Câmara de Londrina para defender a legalidade da medida. De acordo com o secretário de Fazenda, Éder Pires, a Constituição passou a permitir a desvinculação de superávits financeiros de fundos municipais para aplicação em saúde e educação, o que, na avaliação da Prefeitura, respalda a operação.

O entendimento do Ministério Público, entretanto, é diferente. A Promotoria recomenda a devolução de R$ 13,3 milhões ao FMMA por considerar que parte dos recursos tem destinação ambiental vinculada, especialmente por ter origem no ICMS Ecológico. Observa também que a transferência ocorreu sem a deliberação do Conselho Municipal do Meio Ambiente (Consemma).

SECRETÁRIOS FORAM À CÂMARA

Foi nesse cenário de interpretações divergentes que os secretários municipais de Fazenda, Meio Ambiente e Educação compareceram à Câmara de Londrina. Isso ocorreu durante audiêmcia pública segunda (13).

Conforme a sessão, os secretários sustentaram que o remanejamento foi necessário para garantir o custeio da rede municipal de ensino. A pasta, de acordo com a administração, enfrentava dificuldades financeiras no encerramento do exercício de 2025. Também afirmaram que não houve prejuízo às ações ambientais previstas pelo município.

O caso já havia sido debatido em audiência pública e motivou um pedido de abertura de Comissão Especial de Inquérito (CEI), rejeitado pela maioria dos vereadores. Mesmo sem a investigação parlamentar, o tema continua sob fiscalização do Legislativo e do Ministério Público.

Embora o debate tenha adquirido contornos políticos, o centro da controvérsia permanece jurídico. A Prefeitura interpreta que a Emenda Constitucional nº 136/2025 autorizou a utilização do superávit financeiro do fundo para despesas da Educação. Já o Ministério Público sustenta que a origem dos recursos,  especialmente aqueles provenientes do ICMS Ecológico, mantém a destinação ambiental obrigatória. Portanto, impedindo a aplicação em outra área.

INTERPRETAÇÕES DIVERGENTES

Até o momento, trata-se de interpretações divergentes da legislação. A recomendação do MP não possui efeito de decisão judicial, e a Prefeitura já informou que apresentará defesa técnica. O Município se prepara para demonstrar a legalidade dos decretos editados.

Caso não haja consenso, caberá ao Poder Judiciário definir se a desvinculação dos recursos encontra respaldo na Emenda Constitucional nº 136/2025. Ou então se houve desvio de finalidade na utilização do dinheiro público.

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Cristina Esteche

Jornalista

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