Intercâmbio proporciona “descoberta” do Brasil

Guarapuava – Sair do seu próprio país e viajar a um lugar distante para conviver com pessoas e costumes diferentes. Essa experiência é proporcionada pelo intercâmbio entre pessoas de diversos países. “É uma excelente oportunidade para aprender outra língua e conhecer outras pessoas”, comenta a intercambista Marie Bols Kragelund, 16 anos, com um sotaque arrastado. Ela mora na cidade dinamarquesa de Nibe e está em Guarapuava há três meses, participando de um intercâmbio através do Rotary Club de Guarapuava.

Marie afirma que sabia pouca coisa sobre o Brasil. Mas uma certa imagem negativa que o país cultiva no exterior, relacionada principalmente a violência, às vezes caracteriza o Brasil, bastante em evidência agora, entre outras coisas, devido a escolha do país como sede para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. “Meus pais não gostaram muito de eu vir para o Brasil”, afirma ela.

Apesar disso, desde o início ela imaginava o brasileiro como um “povo muito feliz”. Moradora de uma cidade com sete mil habitantes na Dinamarca, ela considera Guarapuava – apenas a nona cidade número de habitantes no Paraná – uma “cidade grande” se comparada a sua terra natal.

Marie também expressa o imaginário estrangeiro sobre o Brasil. “Pensava que as pessoas tivessem a pele mais escura”, comenta. Em uma região, a Sul, marcada pela ocupação de imigrantes alemães, italianos e poloneses, ela pôde perceber a heterogeneidade do país, que possui vasta área territorial – vários estados do Brasil são maiores que muitos países europeus.

No intercâmbio, o choque cultural é grande e as comparações são inevitáveis. Um dos temas principais é a alimentação. “A comida é bem diferente. Arroz e feijão é novidade para mim”, informa, complementando que a alimentação na Dinamarca se baseia muito na batata. Lá também o jantar, e não o almoço como aqui, é a principal refeição do dia.

A educação também é mais rigorosa no país, os jovens dinamarqueses passam de duas a quatro horas a mais nas escolas. E ainda existe o clima, bem mais rigoroso que o do Brasil. “Lá faz menos cinco graus com freqüência e no Verão a temperatura não passa de 25º C”, afirma, destacando que apesar de existirem praias no país, elas não se comparam com as do Brasil.

Zanoni Buzzi, que atualmente hospeda Marie, já recebeu diversos intercambistas em sua casa. “Criamos um laço muito grande de amizade com eles. É como se fizessem parte da família”, comenta. Mas apesar disso o choque cultural é inevitável. “Tivemos um pouco de dificuldade com um indiano que morou conosco por alguns meses. Ele era muito obediente e disciplinado, mas a cultura indiana é distinta da nossa. Eles, por exemplo, não comem carne e possuem uma religião com características diferentes”.

Buzzi apóia a idéia do intercâmbio. “O objetivo é incentivar a paz mundial, além de proporcionar o contato entre os diversos tipos de cultura. Queremos que se um dia, hipoteticamente, eles tenham o poder de apertar um botão para destruir um país, eles pensem ‘não farei isso, pois gosto muito desse país e das pessoas que vivem nele’”, resume.

Foto: Marie mora há três meses em Guarapuava e realiza o intercâmbio através do Rotary Club (Júlio Stanczyk – Rede Sul de Notícias)

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