Julgamento de Luis Felipe Manvailer é adiado

O pedido de adiamento ocorreu depois que um dos advogados do réu preso que atua na defesa testou positivo para a covid-19

Julgamento de Luis Felipe Manvailer é adiado (Foto: Reprodução/Domingo Espetacular)

Foi adiado o julgamento de Luis Felipe Manvailer, acusado de matar a advogada Tatiane Spitzner. A informação foi confirmada pelos advogados de defesa da Família Spitzner ao Portal RSN. Conforme documento anexado aos autos do processo, a solicitação de adiamento foi feita pela defesa do réu no fim da manhã de hoje (2), um dia antes do início do júri popular. O pedido de adiamento ocorreu depois que um dos advogados que atuam na defesa testou positivo para a covid-19.

Os advogados da Família Spitzner afirmaram que “a família de Tatiane estava preparada para que o júri acontecesse agora, confiante no resultado condenatório, mas a situação de contaminação por covid-19 por um dos integrantes é imprevisível e tem que ser tratada com a maior cautela possível”.

Ainda não há data prevista para que ocorra o julgamento, porém, a expectativa é que de ocorra apenas após o recesso do fim do ano do Judiciário, que deve ser no fim do mês de janeiro.

Procurados pela reportagem, a defesa do réu afirmou “não estar sabendo” do fato. Porém, o Portal RSN teve acesso ao documento de solicitação dos profissionais.

Confira o documento aqui.

OS BASTIDORES DO JÚRI

Quando faltavam apenas dois dias para o julgamento de Luis Felipe Manvailer, acusado de matar, a então esposa Tatiane Spiztner, o embate entre as defesas pautou discussões nas redes sociais. Nesta terça (1), uma entrevista exclusiva previamente agendada com o Portal RSN, pelos os advogados de defesa de Manvailer, foi cancelada de última hora. De acordo com os advogados, “na única oportunidade que ele tem de se autodefender” o texto sobre a entrevista do réu à Roberto Cabrini, publicado no Portal RSN foi tendencioso.

O Portal RSN reitera que atua, desde o início do caso, apenas com fatos e afirmações de ambos os lados. Dando o mesmo espaço para manifestações da defesa tanto de Luis Felipe, quanto da Família Spitzner. Dessa maneira, a população tem demonstrado apoio à família Spitzner com mensagens e filtros em perfis de redes sociais.

Fotos e textos pedindo a condenação de Manvailer têm pautado discussões desde o fim da semana passada. Filtros com a foto de Tatiane e a frase “Eu exijo justiça por Tatiane” circulam a todo momento.

Filtro em defesa de Tati foi criado nas redes sociais (Imagem: Reprodução)

FATOS

Na semana passada, a defesa do réu informou que advogadas que defendem os direitos da mulher em diversos estados brasileiros se apresentaram para defender Manvailer. Procurado pelo Portal RSN, o advogado da família de Tatiane, afirmou na ocasião que “não conhece nenhuma mulher que o defenda. Mas até Hitler teve apoiadores, muito mais do que este réu preso”.

Além disso, durante o fim de semana, a defesa de Manvailer divulgou uma perícia feita pelo Instituto de Criminalística do Paraná a partir da extração de dados do notebook de Tatiane. De acordo com o texto ela mantinha pensamentos suicidas frequentes e passava, aparentemente, por quadro agudo de depressão.

Pelas mensagens divulgadas pela defesa de Manvailer, no período em que morou na Alemanha, junto com o marido em 2014, Tatiane por diversas vezes revelou ao marido o desejo de “acabar com a própria vida”. Por isso, a defesa de Luis Felipe afirma que “contrariando amigos e familiares de Tatiane Spitzner, que afirmaram ao longo do processo, que a jovem sempre teve uma saúde mental em ordem, os laudos mostram uma mulher triste, angustiada, recorrendo ao marido para suportar o peso da doença, e ele a ampara”.

Em contrapartida, a família de Tatiane divulgou, no fim da noite do último domingo (30), conversas de celular entre os dois, onde Tatiane reclama do comportamento de Manvailer. As conversas divulgadas pela família Spitzner são entre os anos de 2014 e 2016. Em uma das imagens publicadas, Tatiane diz “antes de assinarmos o contrato do novo apartamento, é melhor decidirmos se vamos continuamos juntos”.

Nesta semana, o réu falou pela primeira vez, em rede nacional, sobre o caso.

JÚRI

No dia 17 de maio de 2019, a Justiça determinou que o réu ia a júri popular. Em 20 de julho de 2020, a Justiça novamente se manifestou. Desta vez, pediu o agendamento do júri. Por fim em 14 de setembro de 2020 a data ficou definida. Entretanto, devido ao resultado positivo para covid-19 de um dos advogados, o júri foi adiado.

O caso, que teve repercussão internacional, movimentou a opinião pública e ganhou notoriedade em todos os setores da sociedade pode ser um dos maiores júris da década no Brasil. Isso porque o processo é complexo, e o inquérito e a instrução conflitam.

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