Kundun estréia “Encanto das Três Raças”

Guarapuava – O auditório da Unicentro será o palco onde a Companhia de Música e Dança Afro Kundun Balê – Quilombo Paiol de Telha estréia na noite de sexta-feira, dia 19 de junho, às 20 horas, o terceiro show da sua trajetória de sucesso.
O sincretismo cultural gerado pela cultura negra, índia e branca, resultado da miscigenação que formou essa nação chamada Brasil, inspirou o Kundun a montar o espetáculo “Encanto de Três Raças”. O espetáculo é produzido pelo Instituto Afrobrasileiro Belmiro de Miranda.
“O ritmo, o canto, a dança, os usos e costumes, na maioria das vezes, passam despercebidos e desconhecemos a riqueza dos vários brasis. A falta de conhecimento que tem como principal causa o preconceito, por exemplo, faz o brasileiro jogar no ostracismo o fato do Brasil ter uma religião essencialmente nacional, que nasceu pela junção das crenças dessas três raças”, chama a atenção do diretor do show Orlando Silva.
Segundo ele, a umbanda completou 100 anos em 2008 e a sua cor passou em branco. Uma cor miscigenada cujo embrião é formado pelo “casamento” das religiões africanas trazidas pelos negros escravizados com a doutrina kardecista, com a pajelança indígena, e com o cristianismo.
Para mostrar esse nascimento o Kundun leva para o palco cinco blocos distintos com 32 danças entre coreografias e solos em 1h15min de duração.
O primeiro será um ritual de purificação com música e dança a partir dos orixás que também se manifestam na umbanda, além do candomblé – Oxossi, Ogum, Oxum, Iansã, Iemanjá, Oxalá e Xangô. Representam os seres elementais da natureza, cuja união, será utilizada como forma de purificação. “A nossa intenção é utilizar essa energia para abrir os caminhos. Que essa abertura tenha uma representação subjetiva para quem estiver no público. Que cada um centre o seu pensamento naquilo que deseja para si e leve essa energia para casa”, explica Orlando Silva.
No segundo bloco o Kundun vai mostrar o ritual da Terra com danças que remetem a rituais indígenas e afro brasileiros. Esse ritual é comum às três raças evidenciadas no show. “Negros, brancos e índios se completam na mãe-terra que nos dá tudo o que precisamos. É o nosso ponto de saída e nosso ponto de retorno”, diz Orlando.
No terceiro bloco o Kundun dança os “Senhores da Mata”, numa analogia entre o equilíbrio e a força de quem faz acontecer. São os orixás Ewa e Obá, os caboclos da mata representados a partir dos falangeiros de Oxossi (7 Flechas, Tupinambá), o orixá protetor da mata.
“É onde se busca a energia da cura, uma característica dos xamãs, pajés e preto-velhos. É na mata que se encontra o equilíbrio da cura do espírito porque ali tem a terra, a água, as plantas medicinais. É comum a negros e índios que cultivam essas plantas nativas no seu habitat, ou sejam, dentro da própria floresta. Foram os jesuítas que retiraram as plantas medicinais da mata e criaram canteiros juntos às casas”, explica.
O quarto bloco traz à tona as festas cristãs começando por uma alusão à espiritualidade e à força das mulheres que vivem na comunidade quilombola Paiol de Telha.
São as mães que o Kundun coloca no palco, numa iniciativa inédita, deixando de lado os estereótipos do bailarino, quebrando barreiras e preconceito. A dança mostra as lides cotidianas da comunidade. “São mães, avós, que por um momento trocam a lavoura, a ordenha, os afazeres domésticos pelo palco. Elas nunca imaginaram que fariam isso na vida e seus filhos estão lhe proporcionando esse momento”, diz Orlando Silva.
O que chama a atenção nesta dança é que as mulheres estão sendo coreografadas pelos filhos (Kunta com apoio de Djankal e Anaxilê).
A coreografia que mostra os anjos e que coloca os bailarinos mirins do Kundun no palco foi criada pela pequena Dinlê Vivian Kely Ribeiro, de apenas 7 anos de idade.
Surgem também os caboclos da crença cristã: São João Maria, São Sebastião e São Gonçalo que, segundo a pesquisa do Grupo Mandorová, eram os santos mais cultuados por seus antepassados.
Esse bloco passa também pela influência estrangeira com a dança da quadrilha nas festas juninas, todas dedicados a santos, passa pelo jongolê e por outras influências que resultam na cultura popular brasileira a partir das três raças.
“Este bloco mostra bem a força do sincretismo, essa miscigenação cultural e religiosa. É uma coisa bem interessante porque as pessoas se dizem católicas, cristãs, mas não deixam de ir a benzedeiras, benzem tormentas com galhos de plantas medicinais, fazem simpatias, acreditam em quebranto, que são práticas pagãs trazidas pelos negros”, observa Orlando Silva.
A quinta e última parte mostra o resultado da junção das crenças que resultou na religião essencialmente brasileira que é a umbanda, uma mistura de cristianismo, kardecismo, pajelança e crenças afrobrasileiras.
“É preciso que as pessoas entendam a beleza dessa união, que é possível quatro crenças distintas contribuam para a formação de uma quinta, sem qualquer preconceito, sem qualquer distinção. É, simplesmente, uma questão de respeito”, diz Orlando Silva.
Para que o público entre no clima do show cada pessoa deverá usar uma peça de roupa branca.
A busca de parcerias em cada show é uma característica do Kundun. No “Encanto das Três Raças” a soma de esforços é com o Grupo Mandorová (Guarapuava) e Associação Espiritualista Mensageiros de Aruanda (Curitiba).
O show tem iluminação de Marcio Ramos que é também o diretor cênico do espetáculo, cenário de Alex Kua que, junto com Marcio Ramos, assina o figurino – , criação e arte de Péricles Kramer, maquiagem de Marcela Mendes, texto de Cristina Esteche, e cumpre uma das metas do projeto Herança Cultural que integra o sub-programa Diálogos Culturais proposto pela Fundação Rureco sob a responsabilidade da Secretaria de Estado da Ciência Tecnologia e Ensino Superior (SETI), com apoio da Unicentro, Tribuna, Rede Sul de Notícias, Goes&Periolo, Tevê Câmara-Canal Legislativo e Tevê Educativa do Paraná.
A entrada é um quilo de alimento ou uma peça de agasalho.

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