Leitura de livros ajuda na remição da pena na PEG UP

Além da remição de quatro dias a cada resenha aprovada, o projeto ajuda nos exames, já que a leitura e a escrita melhoram

Estudo por meio da leitura traz conhecimento e oportunidade de remição da pena dos presos da PEG UP (Foto: Gilson Boschiero/RSN)

Viajar sem sair do lugar. Conversar e conhecer pessoas. Visitar mundos imaginários. Outros bem reais. A companhia dos livros sempre trouxe benefícios para o ser humano. Tanto que ele foi considerado perigoso em determinada época da história.

Aliás, se os livros abrem a cabeça, apresentam novas versões de um mesmo mundo e nos ajudam a refletir, é claro que de certa forma podemos dizer que ele [livro] é uma ‘arma’ poderosa, capaz de provocar revoluções.

E a primeira delas acontece em quem experimenta abrir um livro e dedicar um pouco dos seus dias, das suas horas, de alguns minutos ou mesmo segundos.

(Foto: Reprodução/Pixabay)

Mas o que isso tem a ver com uma penitenciária estadual que abriga cerca de 136 presos? Tudo. É que dentro da PEG UP, além do trabalho e do estudo, que ajudam na remição das penas, os internos podem participar de um projeto de remição da pena pelo estudo por meio da leitura.

REMIÇÃO PELA LEITURA

Assim, como explica Adriana Silvia Roth Zvolinski – Professora de Língua Portuguesa e responsável pelo projeto na penitenciária, em agosto, 84 presos participaram do projeto. Além da remição de quatro dias a cada resenha aprovada, o projeto ajuda nos exames, já que a leitura e a escrita melhoram.

”A estrutura do texto e o pensamento melhoram muito. A gente percebe uma evolução muito grande de quem permanece no projeto, que vai culminar nos exames e no vestibular”.

Formada em Letras, Adriana está no sistema prisional desde 2013. De acordo com a professora, quem participa do projeto todos os meses apresenta visivelmente uma evolução. E não é só na escrita e na leitura, mas como ser humano também.

“As leituras vão desde textos literários até textos de autoajuda. E a gente consegue perceber o gosto do aluno, no decorrer dos meses. Sugerimos leituras que podem agradá-lo. E assim nós vamos tentando fazer com que esse projeto funcione”.

A pedagoga Maxcimira C. Z. Mendes disse que o preso adere ao projeto e escolhe o livro, de um gênero que ele mais gosta de ler.

Ele [preso] tem 20 dias para ler esse livro. A partir do 21º dia, a Adriana, professora responsável pelo projeto, marca um horário com o preso para passar as instruções de como ele vai fazer a resenha. Assim, são três momentos ou três encontros. Dois para produção, orientação e correção do trabalho. E o terceiro, para a entrega da resenha final. Se o preso tiver nota 6 na resenha final entregue, ele terá direito a quatro dias de remição na pena.

A pedagoga explica que existem leitores mais simples e também leitores que gostam de livros mais densos. “Nosso público é muito diverso. Pessoas com início da alfabetização até pós-graduação”.

Para Maxcimira é preciso acreditar que a educação é um meio de ganho de toda a sociedade, que está investindo nesse momento para que a ressocialização aconteça adiante.

“Uma coisa que nós temos observado que agora na PEG UP, cada apenado que chega ele também tem mais vontade de participar de colocar seu planejamento de vida em função das questões educacionais, mais presentes”.

Entretanto, essa reflexão foi possível comparando o atual regime da unidade com outros tempos, quando o preso tinha como incentivo apenas a remissão para participar da educação.

Hoje nós vemos que o preso que está abrigado na nossa unidade, ele tem o compromisso com o adquirir mais conhecimento. Ele também trabalha nesse planejamento educacional do tempo em que ele estará aqui dentro e quais as oportunidades formativas que ele terá. Seja pela frequência na escola, seja pela participação nos exames, seja por meio de um curso de qualificação. Então ele tem buscado quanto mais oportunidades formativas e educacionais ele tiver, ele tem aproveitado para participar.

Durante a entrevista ela explicou a diferença entre o trabalho desenvolvido hoje e o que era feito no antigo semiaberto. “Tem uma diferença muito grande. Quando era semiaberto nós tínhamos uma rotatividade muito grande. Ele [interno] já chegava aqui às vezes, quase no final de pena. Não tinha quase condições de prever a vida dele em termos de tempo, em termos de oportunidade porque ele [interno] logo sairia”.

Conforme a pedagoga, agora o preso vem para a penitenciária no regime fechado. E ele sabe o tempo que vai permanecer na unidade. A partir daí, sabe quais as oportunidades que pode ter dentro da unidade.

OPORTUNIDADE DE MUDAR

As duas mulheres que trabalham com a esperança de que muitos possam reescrever uma nova página em seus livros pessoais, defendem a educação, como poderosa ferramenta de mudança do preso. Por isso, Maxcimira faz um alerta.

“Temos que investir o máximo que pudermos na educação. Porque todas as pessoas têm oportunidade de mudar. Ou tem uma chance de mudar. Se vai ser para os 100% que estão aqui ou se vai ser para alguns, isso nós não sabemos. Mas nós temos que acreditar que ela [educação] será a via de mudança”.

Assim, para Adriana, a partir da educação “a gente consegue se modificar, modificar o outro e modificar o mundo”.

PROPOSTAS

Conforme com o advogado criminalista e professor de direito penal Loêdi Lisovski, a nossa legislação autoriza propostas que beneficiem o apenado, como ele explica no vídeo abaixo.

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