Missão técnica no Mato Grosso busca a verticalização do agronegócio

Ausência do prefeito e do vice por 6 dias, provocou reação de vereadores em discordância com a Lei Orgânica do Município

O Mato Grosso, estado conhecido como o principal produtor de soja do país, foi o destino escolhido para uma missão com o prefeito Cesar Silvestri Filho, diretores e cooperados da Agrária, durante seis dias. A motivação da viagem, de acordo com o prefeito, foi a busca de informações e mostrar aos empresários rurais que uma grande propriedade pode abrir o leque da produção, agregando valor e, principalmente, gerando empregos.

Comitiva guarapuavana no Mato Grosso (Foto: Secom/Prefeitura de Guarapuava)

A busca por alternativas de verticalização da propriedade rural, assim como já acontece com a agricultura familiar, já foi iniciada pelo Município em 2018 quando Cesar Filho, o secretário de Indústria e Comércio, Sandro Abdanur e o vice-presidente da Agrária Manfred Majowski, fizeram o mesmo roteiro no MT.

Simpático à ideia de transformar proteína vegetal, em especial a soja e o milho, em proteína animal, o roteiro traçado pelo prefeito incluiu os municípios de Rio Verde, Sorriso, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde e Sinop – a Capital do Nortão. “Guarapuava é uma das únicas do Paraná que ainda não entrou nessa cadeia de transformação. E a nossa intenção foi mostrar aos produtores do agronegócio que é possível diversificar, e para isso escolhemos os municípios mais desenvolvidos do Mato Grosso e que já vivem essa experiência”.

Segundo o último ranking da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), que mede o índice de Desenvolvimento Municipal (IFDM), divulgado em julho de 2018, Lucas do Rio Verde é a cidade mais desenvolvida do Mato Grosso, seguida por Sorriso (4º), Sinop (6º) e Nova Mutum (8º).

Durante a estadia nessas cidades, a comitiva guarapuavana participou de rodadas com produtores de todos os portes e visitou propriedades. Segundo o prefeito, uma das experiências vivenciadas mostrou que apenas um produtor produz numa área como a de toda a Agrária e, mesmo assim, agregou uma granja de frango e outra de suínos. “Os produtores viram que não é apenas na propriedade que é possível diversificar”. Segundo Cesar Filho, em outro local, uma indústria produz etanol de milho, cujo subproduto é ração animal, a primeira do país.

“O que vimos foram sistemas mais modernos, com mais automação, maior eficiência na energia que é o sistema que mais pesa na conta das propriedades rurais. Para se ter uma ideia, num desses locais absorve toda a produção de milho de Guarapuava e região”.

Apesar do otimismo demonstrado pelos produtores no retorno, o prefeito disse não saber se alguém vai investir nessa verticalização. “A Agrária entende que só haverá viabilidade se os cooperados aderirem à ideia.” Entretanto, Cesar Filho entende que está cumprindo com o papel de ir em busca de investimentos, de alternativas que promovam o desenvolvimento do município e gere empregos. “Esse é o papel do prefeito que é comprometido com o desenvolvimento do município: ir atrás de investimentos”. Acompanhe a entrevista no vídeo abaixo.

POLÊMICA NA CÂMARA

A ausência de seis dias do município, junto com o vice-prefeito, Itacir Vezzaro, que é secretário de Obras e de Turismo, rendeu ao prefeito Cesar Silvestri Filho, um fato inédito na cidade.

A Mesa Executiva da Câmara chegou a reunir-se para empossar o presidente João Napoleão no cargo principal da Prefeitura. A justificativa foi de que o prefeito não havia comunicado e nem pedido permissão à Câmara para essa ausência. Esse fato tomou conta de perfis nas redes sociais, com depoimentos de vereadores repercutindo o caso.

Entretanto, a Lei Orgânica do Município, em seu artigo 61, prevê que o “prefeito não poderá ausentar-se do Município, sem licença da Câmara Municipal, sob pena de perda do mandato, salvo pelo período inferior a 15 (quinze) dias.

Parágrafo Único – no caso de viagem para fora do País, por qualquer tempo deverá o Prefeito ter prévia autorização Legislativa”.

De acordo com Cesar Filho, essa atitude foi gerada pela falta de assuntos no Legislativo Municipal. “Eu vi isso com surpresa. Se trata de uma polêmica fora do eixo, muito mais por falta de assunto e a partir de uma interpretação equivocada. Já viajei muitas vezes com o Itacir e com a Eva [ex-vice prefeita] para buscar investimento ou receber uma premiação”.

O prefeito observa que a Lei Orgânica é muito clara sobre esse assunto. “Vou continuar administrando o município, buscando recursos e investimentos”, concluiu.

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