Mulheres de Guarapuava têm apoio para enfrentar a violência doméstica

Em dois anos, o Centro já atendeu cerca de 1.300 vítimas. O CRAM oferta uma rede completa de serviços de apoio para encorajar as mulheres

Mulheres de Guarapuava têm apoio para enfrentar a violência doméstica (Foto: Secom/Prefeitura de Guarapuava)

A violência contra a mulher é um crime que deve ser combatido todos os dias. Guarapuava já esteve entre os 100 municípios do país que mais matavam mulheres, segundo o Mapa da Violência de 2012. Entretanto, de lá pra cá, o município percorreu um caminho de desafios e avanços. De acordo com a Secretaria de Comunicação da prefeitura, atualmente Guarapuava é uma referência no enfrentamento à violência contra as mulheres e na execução de políticas públicas voltadas à equidade de gênero.

A criação do CRAM (Centro de Referência de Atendimento à Mulher) foi uma das ferramentas que permitiram que o município registrasse redução de 52% no número de feminicídios. O Centro dá suporte às vítimas de violência desde março de 2018. Porém nem todos conhecem o trabalho desenvolvido pelo CRAM.

CRAM

Fundado em 2018, o CRAM é um departamento da Secretaria de Políticas Públicas Para as Mulheres, que funciona como uma porta de entrada para atender mulheres em situação de violência. De acordo com a coordenadora do CRAM, Camila Grande da Silva Souza, em dois anos de funcionamento, o Centro já atendeu cerca de 1.300 vítimas. Assim é ofertada uma rede completa de serviços de apoio e força para encorajá-las a romperem o ciclo da violência.

“No CRAM, nós atendemos qualquer tipo de violência contra as mulheres. Aqui, nós oferecemos amparo, respeitando suas vontades e oferecendo apoio psicológico, jurídico, todo o suporte necessário para que ela compreenda a situação em que está inserida, podendo romper o ciclo de agressão e recomeçar”.

Quando as mulheres chegam ao CRAM, a equipe inicia um processo de triagem para que seja possível compreender o quadro de violência. A equipe responsável por fazer essa acolhida é formada por duas assistentes sociais, uma advogada e uma psicóloga que juntas analisam a situação da vítima e dão o encaminhamento necessário.

SERVIÇOS

As mulheres que procuram o CRAM têm direito a uma rede completa de serviços oferecidos gratuitamente. Entre eles, atendimento social feito pelas assistentes sociais. Esse atendimento permite que as profissionais do CRAM verifiquem a compatibilidade com programas sociais de suporte, como auxílios e vagas de trabalho, para possibilitar à mulher as condições de independência.

Além disso, no CRAM elas recebem atendimento psicológico. A psicóloga do CRAM faz a análise da situação clínica da vítima, para que seja possível a superação da violência e rompimento do ciclo. As mulheres vítimas de violência também recebem orientações e encaminhamentos jurídicos. Assim, são amparadas com orientações sobre processos jurídicos, suporte sobre direitos. E ainda, de que forma podem ser amparadas pela Justiça, como por meio da Lei Maria da Penha ou com medidas protetivas, por exemplo.

Para ampliar o suporte e auxiliar mais mulheres, o CRAM trabalha nos atendimentos em conjunto com o Numape (Núcleo Maria da Penha), Patrulha Maria da Penha do 16º Batalhão da Polícia Militar e outras parcerias. A rede de suporte inclui também, encaminhamento ao sistema de saúde, geração de renda e medidas para processo de divórcio.

ATENDIMENTO DURANTE A PANDEMIA

Durante a pandemia, o serviço do CRAM não paralisou as atividades e continuo oferecendo suporte às vitimas. Com ações de monitoramento por meio de contato telefônico e também via WhatsApp, o CRAM conseguiu atender e/ou oferecer os serviços de assistência social, apoio jurídico e psicológico para 79% das mulheres que registraram B.O (boletim de ocorrência) pelo 190. Além disso, 60 mulheres foram atendidas via aplicativo. Quando esses canais de contato não foram possíveis, houve visita domiciliar às mulheres.

Vale destacar que o atendimento presencial aos casos mais graves está mantido pelo CRAM, das 13h às 17h, além de orientações jurídicas e atendimentos sociais. O atendimento psicológico via telefone é outra ferramenta que está ajudando no suporte, com funcionamento das 8h às 17h. Assim, dúvidas e atendimentos podem ser solicitados pelo telefone (42) 9 8405-6206.

Por fim, em caso de emergências, também estão disponíveis os números 190, da Polícia Militar e 193, da Delegacia da Mulher. Em virtude da pandemia, a Delegacia da Mulher está atendendo das 14h às 17h e o Poder Judiciário tem expedido as medidas protetivas em 24h.

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