Narcisismo: uma das portas de entrada para a violência doméstica

A necessidade de autoafirmação e superioridade é comum em parceiros violentos. A sociedade está pronta para entender esse tipo de relação?

Perfis abusadores têm características baseadas com a sociedade do “eu” (Foto: Reprodução/Pixabay)

Com baixo nível de empatia e alinhado com a sociedade do “eu”, que é baseada na ambição, conquista, autoconfiança, autopromoção e autoestima, o narcisista é um dos perfis mais comuns entre homens que cometem violência doméstica. A fim de contextualizar, Narciso, foi um personagem da mitologia grega incapaz de amar outras pessoas. Conforme a história, ele morreu por se apaixonar pela própria imagem, que inspirou o termo narcisista. Freud, foi o primeiro que descreveu o narcisismo como patologia.

O psicólogo Silvio Luiz Ortiz explicou que este perfil de personalidade convive com a certeza de que “o céu é o limite”. Desse modo, o comportamento e as ações trabalham de forma a diminuir o outro. “Uma pessoa com esse perfil trata de inverter papeis. Ele causa na pessoa essa sensação de culpa pra se justificar. Ele traiu, ela foi culpada. Se ele agrediu, ela desequilibrou ele. Caso ele tenha a tratado mal, ela fez ele perder a cabeça. Se usa de mecanismos de manipulação”.

Além disso, o psicólogo destacou, que além das situações já conhecidas, que exigem controle que indiquem uma possível relação violenta, o narcisista ainda agrega outras características.

Eles demonstram sentimento de grandeza, necessidade de serem admirados, se colocam em situação de superioridade, tenta ter a aceitação de pessoas que considere de destaque. Além disso, age de forma inadequada, muitas vezes, com pessoas que considera inferiores à ele e se frustra quando não encontra uma situação de destaque ou privilégio.

NA CONTRA-MÃO

Com o aumento do debate sobre as ações que ajudem mulheres em situação de violência, ainda há quem julgue, as Tatianes, Camilas, Francielys, Carols, Rosanes e tantas outras, como culpadas dos crimes. Muitas vezes, mulheres condenam mulheres em uma corrente de preconceito que pode culminar com a morte de pessoas inocentes.

Nessa terça (22), dia em que completaram dois anos de morte de Tatiane Spitzner, uma manifestação em uma rede social trouxe homens e mulheres em favor de Luis Felipe Manvailer. Seria Manvailer um narcisista, ou apenas um homem comum que tem a vida regida pela necessidade de superioridade? Não podemos afirmar.

Manifestações em uma rede social afirmam que Manvailer é inocente (Foto: Reprodução)

MUDANÇA

Por fim, o psicólogo avalia que é possível um agressor mudar verdadeiramente de comportamento. Porém, por meio de muito trabalho para reconhecer causas e assim, combatê-las. Porém, é mais fácil que a mulher vítima, empenhe esforços em sair desse relacionamento, do que acreditar em uma mudança real nesse sentido.

Como temos diversas causas, a mudança seria possível através de um bom processo de psicoterapia. É preciso tentar identificar quais seriam as razões, e baseados experiências e traumas, vivencias. Assim, fazer a construção do vínculo com a figura materna ou paterna. E talvez assim, seria possível reverter alguns casos. Entretanto, como narcisismo é uma característica de personalidade, é  muito mais difícil. Além disso, é preciso muita disposição para a mudança.

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