No Brasil, uma mulher é vítima de assassinato a cada nove horas

Os casos de violência contra mulher aumentaram no país. No Paraná, a polícia registrou 118 homicídios dolosos de mulheres de janeiro a julho

No Brasil uma mulher é vítima de assassinato a cada nove horas (Foto: Reprodução/Pixabay)

No primeiro semestre de 2020, o Paraná teve alta de 13% no número de mulheres assassinadas. Conforme o G1, a polícia registrou 118 homicídios dolosos de mulheres de janeiro a julho, 14 a mais do que os 104 registrados no mesmo período de 2019.

Em Guarapuava, a divulgação dos homicídios dolosos é feita junto aos feminicídios. Assim, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Paraná, 12 pessoas foram vítimas do crime. O número é relativo aos três primeiros meses do ano. Entretanto, conforme o mesmo relatório da Sesp, não houve nenhum feminicídio no período.

No Brasil, durante a pandemia, uma mulher é morta a cada nove horas. A média é de que ocorrem três assassinatos por dia, levando em conta os meses entre março e agosto. Os estados que mais registraram mortes são São Paulo, Minas Gerais e Bahia. O monitoramento ‘Um Vírus e Duas Guerras’ divulgou os dados.

Além disso, o Brasil é o 5º país do mundo que mais pratica mortes violentas em mulheres, as informações são do Uol. O Mapa da Violência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aponta que em 10 anos, entre 2003 e 2013, o número de feminicídios aumentou de 3.937 casos para 4.762 mortes. No país, se mata 48 vezes mais mulheres que em locais como o Reino Unido, 16 vezes mais que o Japão e quatro vezes mais que a Dinamarca.

PANDEMIA 

Desde o início da pandemia, os casos de violência contra mulher aumentaram no país. De acordo com relatório encomendado pelo Banco Mundial, as mortes cresceram 22,2%. Esse aumento ocorreu entre março e abril de 2020. Isso em comparação com o mesmo período do ano passado. Conforme o Núcleo Maria da Penha, as denúncias por telefone também cresceram 17,9%.

Por isso, ações de acolhimento de mulheres vítimas de violência se tornaram prioritárias. Os Núcleos estão promovendo uma série de ações como lives e debate on-line. Desse modo, discutindo e conscientizando a população sobre a violência.

VIOLÊNCIA NA PANDEMIA

Com o passar do tempo, a legislação foi aprimorada, mas a violência não deixou de ocorrer. Em Guarapuava, nos primeiros quatro meses de 2020 foram registradas pela Polícia Militar 250 ocorrências de violência doméstica. Assim, apontando um aumento de 13% em relação ao ano passado, quando foram atendidas 218 vítimas no mesmo período.

Além disso, no período de isolamento social, comparado com o mesmo do ano passado, de 18 de março a 18 de maio, o aumento do registro de ocorrências de violência contra as mulheres na PM, foi de 25%. É importante ressaltar que comparando com os 60 dias que antecederam o isolamento social, o aumento foi de 20,4%.

Em Guarapuava, a Patrulha Maria da Penha monitora as mulheres com medidas protetivas e segue os protocolos da Polícia Militar. A cidade também conta com uma Casa Abrigo que acolhe mulheres em risco iminente de morte, com o Centro de Referência e Atendimento à Mulher em situação de violência (CRAM) e a Delegacia da Mulher para o requerimento de medidas protetivas e o Poder Judiciário para a concessão de medidas protetivas.

BOLETIM ON-LINE

Além disso, em julho com a finalidade de agilizar o atendimento às vítimas de violência doméstica, a Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp), implantou um sistema de Boletim de Ocorrência on-line.

De acordo com as informações, em 30 dias o sistema acumulou 490 registros. Para a procuradora da mulher da Assembleia Legislativa, deputada estadual Cristina Silvestri, o número reforça a importância do boletim on-line como ferramenta alternativa de denúncia em tempos de isolamento social.

Quase 500 registros em um mês é um número expressivo. Significam 500 mulheres que tiveram uma alternativa de quebrar o silêncio e pedirem ajuda”. 

A Sesp informou que em junho deste ano, foram 5.927 boletins confeccionados, 14,44% a menos que o mesmo período do ano passado. Um dos fatores atribuídos à diminuição expressiva é a tese de subnotificação dos casos de violência doméstica durante a pandemia. O boletim on-line está disponível no site da Delegacia Eletrônica da Polícia Civil.

Assim, pela ferramenta mulheres acima dos 18 anos dos 399 municípios do Paraná podem fazer registro. Exceto em casos de violência sexual, devido a especificações que envolvem este tipo de crime. A ferramenta encaminha os casos de violência denunciados à delegacia presencial mais próxima que atenda a Região da vítima.

Além disso, as mulheres que fizerem registro de boletins e não receberem o atendimento devido, podem acionar a Procuradoria Especial da Mulher da Alep pelo e-mail ou pelo WhatsApp (41) 9 8814-2228 para denúncias.

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