“Ouçam suas mães”, apela mãe de Camila Ferreira

A jovem Camila Ferreira, 22 anos e grávida de três meses, foi assassinada pelo ex-companheiro. Ele a golpeou com um canivete e a jogou às margens da rodovia

Camila Ferreira morava com “Zé Pedro” há sete meses (Foto: Reprodução/Facebook)

O roteiro se repete. E o fim teria novidade, se fosse diferente. Porém, na maioria das vezes, é trágico. Em quase todos os casos a justificativa é a mesma. Por parte da mulher “eu caí”. Do outro lado, o agressor diz: “não vai acontecer de novo”.

Até quando as mulheres que vivem uma relação de abuso e violência praticados pelos namorados, companheiros e maridos vão acreditar nessas promessas? Em alguns casos felizmente, o desfecho é feliz. Entretanto, na maioria o fim é muito, muito triste. E elas não sobrevivem para contar o que aconteceu.

Eu, Larissa, tenho 30 anos e ainda não sou mãe. Não consigo dimensionar o que uma mãe é capaz de fazer por um filho. E não ouso questionar. Afinal, é muito fácil educar o filho alheio. Mas, em uma coisa eu acredito: uma mãe que perde um filho, vive com uma ferida aberta no peito o resto da vida.

E assim estão sendo os dias de Denilda Ferreira, de 42 anos. A filha dela, Camila Ferreira, de 22 anos e grávida de apenas três meses foi brutalmente assassinada pelo ex-companheiro, “Zé Pedro Santos”.

Camila Aparecida Ferreira tinha 22 anos e foi morta com golpes de canivete (Foto: Reprodução/Facebook)

A DOR DE QUEM FICA

Nesta sexta (20) em um relato emocionado na redação do Portal RSN, a mãe da jovem compartilhou a triste e curta “história de amor” da filha. Camila, pelo que se sabe, conheceu “Zé Pedro” pela internet. Eles começaram um relacionamento há sete meses. Porém, já nos primeiros dias de namoro ela foi morar na casa da mãe dele.

Para a família da jovem, “Zé Pedro” era um bom homem. Frequentava a casa da família e ia à igreja com eles. “Ele levava a Bíblia embaixo do braço e dizia que se minha filha quisesse ficar com ele, ela tinha que ir pra igreja”.

Denilda Ferrreira, mãe de Camila faz um alerta: “Um homem quando bate a primeira vez, bate duas, três, quatro e por fim, mata”. (Foto: Reprodução/Facebook)

AGRESSÕES

Logo os sinais de violência começaram a aparecer. “Ele a impediu de trabalhar, dizia que ele quem sustentaria a casa. Fiquei sabendo, que ele verificava as roupas íntimas dela na hora em que ia sair e na hora em que retornava”. Além disso, Denilda contou que testemunhas disseram que uma certa vez ele a surrou dentro do carro em uma festa.

Moça, ela tinha machucados pelo corpo. Mas, ela sempre me dizia que tinha caído, que tinha se machucado. Eu suspeitava, mas ela escondia de mim.

Entretanto, a irmã mais velha de Camila e uma outra amiga sabiam das agressões. Elas aconselhavam a jovem a romper o relacionamento. Mas ela acreditava que “ele iria mudar”.

Camila Aparecida Ferreira estava grávida de três meses (Foto: Reprodução/Facebook)

No último sábado (14), Camila fugiu da casa onde morava com o rapaz no Distrito da Palmeirinha, em Guarapuava. Já na casa da mãe, pediu que ela conversasse com o companheiro, já que por ciúmes, ele teria quebrado o celular dela.

Na segunda (16), o jovem “Zé Pedro”, levou Camila para um acerto trabalhista de moto, escondido da mãe dela. Conforme a mãe de Camila, ela voltou com o lado direito do corpo muito machucado.

Ela me disse mais uma vez que tinha caído na pedreira. Me disse ainda que eu poderia perguntar a uma mulher que viu a queda. Parecia que ela tinha caído da moto. Pode ser que ele tenha tentado jogar ela da moto, mas não sei de verdade o que aconteceu. Ela precisou de atendimento médico. Eu implorei, perguntei se ele a agredia, e ela negava. Depois, o que me restou foi pedir para que ela não voltasse pra ele.

PM prendeu autor do feminicídio às 18h de quarta (18). Ele estava na casa da irmã no Distrito da Palmeirinha e confessou o crime (Foto: Reprodução/Facebook)

NO DIA DO CRIME

Denilda contou que na quarta (18), uma amiga da família trouxe Camila até a Estação da Fonte. “Não sabemos como ela foi parar dentro do carro dele. Não sabemos se eles combinaram de se encontrar. Ela tinha esperança de que ele ia mudar. Mas, ele é um monstro ele acabou com a minha vida”.

Camila foi  encontrada às margens da PR-466 já ensaguentada. Uma foto mostra que ela estava com o braço enfaixado. Ao pedir ajuda ela contou aos populares que estava grávida de três meses. Infelizmente, Camila não resistiu aos três golpes de canivete que a atingiram e morreu pouco tempo depois.

APELO

A mãe da jovem, assim como os amigos de Camila, e nós todas como mulheres, levantamos a bandeira do combate à violência contra a mulher. Denilda faz um apelo às jovens.

Eu quero justiça moça. Mas mais do que isso eu quero pedir que os filhos ouçam suas mães. Um homem quando bate a primeira vez, bate duas, três, quatro e por fim, mata. Denunciem, não se iludam com falsas promessas de pessoas que vocês conhecem tão pouco. Confiem nas suas mães, ouçam suas mães, contem para seus pais. A dor que sinto é física.

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