PC esclarece seqüestro de 8 meses em Pinhão. Esquema envolve mais de R$ 32 mi

A Polícia Civil de Guarapuava esclareceu um seqüestro que durou mais de oito meses no município de Pinhão e acabou deixando pobre uma família de grandes produtores rurais. O esquema dos seqüestradores, que durou entre janeiro e agosto de 2010, e que se infiltraram em uma família de grandes produtores rurais, foi transferir todos os bens para nomes de terceiros. Segundo a investigação, após a transferência de todos os bens da família seqüestrada, todos seriam mortos pela quadrilha.

De acordo com o delegado chefe da 14ª SDP, Ítalo Biancardi Neto, os seqüestradores se aproximaram do produtor oferecendo a possibilidade de aumentar o seu patrimônio. “As vítimas foram, por dois meses e meio aproximadamente, submetidas a coações e ameaças, sob a vigilância de capangas armados de um testa de ferro do articulador ou mandante do esquema criminoso. A esposa, filha e a neta foram mantidas reféns numa casa localizada no Bairro Industrial de Pinhão sob constantes ameaças e coações e vigiadas pelos capangas, sempre em dois, os quais ficavam vigiando a casa. Os seqüestrados não podiam circular livremente pela cidade ou sair sem estarem acompanhados pelo testa de ferro e pelos capangas. Enquanto isso, em outra casa, também usada como cativeiro, o marido era mantido longe da família e no período era obrigado a assinar diversos documentos de transferência das terras, ou seja, foram usadas duas casas como cativeiros para manter as vítimas separadas umas das outras como forma de levar a cabo e efeito as ameaças e coações, sob torturas psicológicas para que assinassem os documentos, os quais se obrigavam a assinar, temendo que uma ou outra das vítimas, por estarem em cativeiros separados, sem saber o que ocorria com a outra, pudessem ser assassinadas pelos seqüestradores”, explica Ítalo.

Conforme o delegado, o seqüestro iniciou em janeiro de 2010, mas a ação mais rigorosa dos seqüestradores foi exercida num período de dois meses e meio. “Numa das coações, no cativeiro onde as vítimas mulheres se encontravam, a esposa seqüestrada foi obrigada a escrever documentos manuscritos ditados por um dos seqüestradores, visando a transferência do restante de terras que ainda faltava ser transferidas ilegalmente. Após a transferência, uma das vítimas conseguiu visualizar próximo ao cativeiro, dentro de um barracão onde funcionava uma serraria em Pinhão, a fabricação de quatro caixões que seriam destinados para enterrar os integrantes da família após serem assassinados, sendo que os seqüestradores, durante as coações, ameaças e torturas psicológicas, diziam que os matariam porque eram "queima de arquivo". Depois desta constatação, somada ao que já haviam suportado durante aquele período, as vítimas conseguiram contatar parentes e pedir a ajuda de terceiros e então conseguiram fugir do cativeiro, usando um veículo de uma testemunha que esteve no local para resgatá-los. Porém, na fuga foram perseguidos de Pinhão até Guarapuava por alguns dos seqüestradores, que utilizaram um carro de cor preta e durante a perseguição faziam ameaças de morte. As vítimas conseguiram se refugiar na casa de parentes após intensa fuga dos infratores. A fuga somente foi possível em razão de uma das vítimas, após várias torturas psicológicas, ter exigido que o pai seqüestrado em outro cativeiro, fosse colocado junto com elas na mesma casa onde se encontravam em cativeiro. E foi num momento de distração dos capangas que uma das vítimas conseguiu visualizar que as ameaças de morte estavam tomando caráter extremamente sério e real, obrigando-as a fugir a qualquer custo em defesa de suas vidas”, acrescenta Italo Biancardi Neto.

Num levantamento preliminar, a Polícia Civil acredita que o esquema envolva o roubo de cerca de R$ 32 milhões, uma vez que a área de terra da família era de 170 alqueires.

Conforme o delegado chefe da 14ª SDP, foram cinco seqüestradores, que tinham Acir Antunes das Neves como o “testa de ferro” do mentor de toda a ação. A Polícia Civil não está divulgando os nomes dos seqüestradores e da família envolvida para que a investigação não seja prejudicada. Todos os seqüestradores são moradores de Pinhão.

O esclarecimento dos fatos somente foi possível agora, após a Polícia Civil de Guarapuava realizar diligências de reprodução simulada dos fatos e dos locais dos cativeiros. Os policiais civis estiveram em ambos os locais usados como cativeiros realizando a “recognição visuográfica” dos locais, traçando as principais cenas dos crimes, as quais foram todas devidamente registradas por câmeras e filmagens, fazendo as vítimas e testemunhas todos os relatos dos quais puderam recordar em tais locais, dando riquezas de detalhes e confirmando-se suas versões sobre os crimes e seus motivos.

As vítimas tiveram todo o patrimônio dilapidado, sendo também constatada a existência até mesmo de alguns documentos com assinaturas falsificadas para propiciar a transferência do patrimônio de forma ilícita. Atualmente, as vítimas estão em condições psicológicas sérias em decorrência dos acontecimentos, bem como em situação de quase penúria, vivendo da ajuda de amigos e outros familiares. Os seqüestradores estão identificados e indiciados pelos crimes de seqüestro, cárcere privado, torturas psicológicas, falsificação de documentos e formação de quadrilha.

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