22/08/2023
Blog da Cris Paraná

PR amanhece sob tempestade política e sucessão entra em zona de choque

Ao empurrar Sandro Alex para o centro do tabuleiro, Ratinho deixa claro que prefere apostar em um nome de confiança

Imagem gerada por IA

A cena política no Paraná amanheceu nublada, com raios e trovões. Não por acaso. O que parecia ser apenas um ajuste de rota na sucessão de Ratinho Junior virou uma tempestade dentro da própria base governista, expondo um choque cada vez mais visível entre a vontade do Palácio e a força de prefeitos, deputados e partidos aliados.

Ao empurrar Sandro Alex para o centro do tabuleiro, Ratinho deixa claro que prefere apostar em um nome de confiança. Mas essa escolha bate de frente com Alexandre Curi, que segue sinalizando que não vai abrir mão de ser candidato ao governo. E não se trata de teimosia. Curi carrega um capital político que o Palácio não consegue simplesmente neutralizar com uma oferta de acomodação.

É aí que entra o chamado “beijo da morte”. Primeiro, tira-se um nome da disputa; depois, oferece-se uma saída honrosa. Por fim, tenta-se apresentar isso como unidade. Só que, no caso de Curi, o movimento pode ter o efeito contrário: em vez de pacificar, acirra a impressão de que o governador tenta conter o crescimento de um aliado que ficou grande demais para ser apenas conduzido.

A tentativa de trazer Rafael Greca para ser vice de Sandro Alex, como levantou este blog na noite de ontem (13), surge justamente como operação para desarmar essa turbulência. Greca daria peso político e eleitoral a uma candidatura que, até aqui, não incendiou a base. Se aceitar, sobraria a Curi o Senado, e a segunda vaga poderia ser ocupada por Cristina Graem. Um nome que também carrega a própria memória de desgaste, especialmente pela fritura política protagonizada por Sergio Moro ainda no União Brasil.

O clima é tenso porque o que está em disputa já não é só uma chapa, mas o controle da sucessão. Sem Guto Silva na parada, prefeitos e deputados passaram a defender ainda mais abertamente a composição Curi-Greca. A informação que se tem no momento é que Guto está fragilizado. Afinal, esta é a segunda vez que ele quase chega lá. Anteriormente era a candidatura ao Senado, inviabilizada também pelo próprio governador.

DILEMA

Mas Ratinho agora enfrenta um dilema real. Se insistir em Sandro Alex sem recompor a base, corre o risco de lançar uma candidatura com carimbo de governo, mas sem enraizamento político. Se ceder à pressão dos aliados, enfraquece a autoridade sobre o processo. No fundo, a tempestade que se formou no Paraná gira em torno de uma pergunta simples e decisiva: quem vai mandar na sucessão, o governador ou a estrutura política que sustenta o governo?

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Cristina Esteche

Jornalista

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