22/08/2023
Em Alta Política

Ratinho deixa o governo e entra de vez na campanha de Sandro Alex

Licença vai reforçar Sandro Alex e transformar a própria força política do governador em impulso decisivo na corrida pelo segundo turno

Ratinho Junior (Foto: arquivo/RSN)

O governador Ratinho Junior (PSD) se licencia nesta quinta (17) do comando do Governo do Paraná. Ele entrega temporariamente o Palácio Iguaçu ao vice-governador Darci Piana (PSD). A decisão é mais do que uma alteração administrativa. É provavelmente o movimento político mais arriscado de Ratinho desde que escolheu Sandro Alex para disputar a sucessão.

Nas duas semanas finais da campanha, Ratinho deixará de ser apenas o padrinho do candidato do PSD. Ele assume o papel de protagonista da estratégia eleitoral. Na prática, o governador coloca a popularidade, a capacidade de transferência de votos e parte importante do próprio capital político na urna junto com Sandro.

A movimentação, entretanto, não ocorre por acaso. Os levantamentos mais recentes mostram que Sandro Alex avançou e conseguiu entrar efetivamente na disputa pela segunda colocação. Na pesquisa Real Time Big Data divulgada em 11 de setembro, Sergio Moro (PL) aparece com 35%, Sandro Alex alcança 25%. Já Requião Filho (PDT) registra 21%. No cenário de segundo turno entre Moro e Sandro, o senador aparece com 43% contra 36% do candidato governista. O levantamento ouviu 1.600 eleitores e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

Conforme outro levantamento, do instituto Alfa Inteligência, divulgado no dia 10, também coloca Sandro na segunda posição. Moro tem 39%, Sandro Alex 26% e Requião Filho 20%. Em eventual confronto entre Moro e Sandro, o placar apresentado foi de 45% a 39%.

RATINHO NA RUA

Desde o início de setembro já havia a informação de que o governador pretendia afastar-se temporariamente do cargo para participar integralmente da campanha. De acordo com a avaliação do núcleo governista, é que a presença física ao lado de Sandro pode tornar essa ligação mais visível. Especialmente nos maiores centros eleitorais. Daniel Vilas Boas, chefe de gabinete do governador, também deve deixar a função para integrar a coordenação da campanha, reforçando a dimensão da operação política montada para a reta final.

A licença também produz um efeito institucional importante. Com Ratinho formalmente afastado do Palácio Iguaçu e dedicado à campanha, fica mais definida a fronteira entre as atividades de governador e as de cabo eleitoral. Isso ganha relevância porque a Justiça Eleitoral já determinou restrições ao uso de eventos oficiais, servidores e estruturas públicas para promoção eleitoral após uma representação envolvendo a campanha de Sandro Alex e aliados do governo.

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Cristina Esteche

Jornalista

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