Sepultamentos sem velórios marcam boletins da Central de Triagem

Sepultamentos com velórios restritos ou diretos obedecem protocolo do Ministério da Saúde para casos de morte por infecção ou suspeita da covid-19

Sepultamentos sem velórios marcam boletins da Central de Triagem (Foto: Arquivo/RSN)

O relatório diário de mortes ocorridas em Guarapuava e Região têm trazido sepultamentos sem a ocorrência de velórios. Somente nesta terça (19) foram dois casos de sepultamentos diretos, segundo a Central de Triagem do Serviço Funerário Municipal.

De acordo com a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Prefeitura, somente em maio foram 15 sepultamentos sem velórios, dos quais, quatro eram pacientes de outros municípios. Esse tipo de ocorrência está levantando questionamentos por parte de moradores.

Muitos questionam o Portal RSN se essa restrição não seria porque a causa da morte foi a covid-19. Segundo o Serviço Funerário Municipal, quando a causa é a suspeita da covid-19, a família já é orientada. “Quando chega o atestado de óbito tendo como causa a suspeita do coronavírus já orientamos a família a não velar a pessoa falecida”, disse um funcionário ao Portal RSN.

Entretanto, há opção de familiares em casos de mortes por outras causas, para evitar aglomerações. De acordo com o médico Eduardo Borges, diretor-clínico do Hospital São Vicente, o Ministério da Saúde elaborou protocolo com recomendações de como devem ser os funerais, o manuseio do cadáver nos hospitais, em domicílio e em espaço público. O documento orienta equipes de saúde, de medicina legal e funerárias.

“Em qualquer caso de morte confirmada ou sob suspeita de ter sido provocada pela covid-19, há protocolos específicos para evitar possível contágio”.

Além disso, há também os casos de pessoas sem identificação, que são sepultadas como indigentes. Em Guarapuava, foram registrados dois.

O PROTOCOLO

De acordo com a norma, os falecidos devido à covid-19 podem ser enterrados ou cremados. Porém, os velórios e funerais de pacientes confirmados ou suspeitos da doença, que juntem muitas pessoas em um ambiente fechado, não são recomendados. “Neste caso, o risco de transmissão também está associado ao contato entre familiares e amigos”.

Assim, o protocolo recomenda que seja evitada a permanência de pessoas que pertençam ao grupo de risco. Ou seja, idade igual ou superior a 60 anos, gestantes, lactantes, portadores de doenças crônicas e imunodeprimidos. Além disso a presença de pessoas com sintomas respiratórios, com tosse e febre, também não é recomendável.

Por isso, a cerimônia de sepultamento deve ocorrer em lugares ventilados e, de preferência, abertos. Além disso, a recomendação é que contem com no máximo 10 pessoas, respeitando a distância mínima de, pelo menos, dois metros entre elas. Não se pode esquecer outras medidas de isolamento social e de etiqueta respiratória.

Além disso, durante todo o velório o caixão deve permanecer fechado para evitar qualquer contato com o corpo.

EXAMES

Os exames de pacientes suspeitos e que estejam internados são feitos pelo próprio hospital. Porém, segundo o secretário municipal de Saúde, Celso Goes, em casos de falecimentos em casa, ficarão apenas como suspeitos. É que nenhum exame para comprovação ou não da infecção pelo coronavírus é feito.

MANEJO DO CORPO

Hospital São Vicente (Foto: Arquivo/RSN)

Em Guarapuava, a retirada de corpos do Hospital São Vicente, por profissionais usando equipamentos de proteção individual, têm gerado comentários em redes sociais. O HSV é referência da covid-19 para Guarapuava e Região.

Entretanto, essa proteção é exigida pelo guia do Ministério da Saúde. Conforme o protocolo, a transmissão de doenças infecciosas, como a covid-19, também pode ocorrer por meio do manejo de corpos. Por isso, é fundamental que as equipes, incluindo as funerárias, estejam protegidos com EPIs. Além disso, não são recomendadas autópsias.

Porém, se a pessoa confirmada ou suspeita de infecção por coronavírus falecer em casa é preciso comunicar a morte imediatamente ao serviço de saúde. Ou seja: bombeiros, Samu ou mesmo o médico da família têm que ser comunicados.

Já, os familiares que moram na casa onde ocorreu a morte, deverão ser orientados sobre a desinfecção dos ambientes e objetos. A retirada do corpo deve ser feita por uma equipe de saúde, observando as medidas de precaução individual como o uso dos EPIs.

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