Setor de eventos busca interlocução com estado para voltar a trabalhar

Parado há mais de 100 dias, o setor está deixando incertezas e os empresários temem fechar os negócios. Assim, conversam com o governo em busca de solução

Parado há mais de 100 dias, o setor está deixando incertezas e os empresários temem fechar os negócios (Foto: Reprodução/Pixabay)

Devido a pandemia do coronavírus, o setor de eventos está parado há mais de 100 dias e sem perspectiva de retomar as atividades no Paraná. Ao contrário de outras atividades, como restaurantes e shoppings, as empresas que atuam no ramo necessitam de mais tempo para voltar a operar.

De acordo com o o presidente do Núcleo do Setor de Eventos da Associação de Bares e Restaurantes do Paraná (Abrasel – PR), Júlio César Hezel, os empresários da área estão pedindo ao governo do Estado quando abrir. “Pedimos isso, ou então que seja feito um protocolo do nosso setor com uma data futura para termos uma luz no fim do túnel para os clientes. Ninguém planeja eventos em menos de dois ou três meses”.

O Núcleo, criado recentemente na entidade, visa, justamente, fazer a interlocução do segmento com os poderes executivo e legislativo. “Nós já começamos a conversar com o governo estadual e com a Assembleia Legislativa. Já passamos um protocolo para ser discutido com o poder público para que o governo nos posicione. Esse protocolo foi baseado em serviços similares, como o de restaurantes e de shoppings, que estão em funcionamento ou conseguiram atuar de outras formas”.

O mesmo sentimento vivido por Hezel é compartilhado por Luciane Baldasso, empresária do ramo de decoração de eventos em Guarapuava, que lamenta a situação do mundo e comenta que precisou parar de trabalhar rapidamente, sem poder pensar em uma solução. “Tivemos que parar do nada. Mas, o grande problema é que tudo está voltando, menos a nossa área. Então, mesmo que tenha uma medida que permita o retorno, ninguém que casar de máscara, nem fazer 15 anos. Desse modo, estamos vivendo em incertezas e estamos desacreditados, sem rumo”.

ANTES DA PANDEMIA

Somente em 2019, como aponta a Associação Brasileira de Eventos Sociais (Abrafesta), os eventos corporativos faturaram R$ 220 bilhões e os sociais, R$ 15 bilhões em todo o Brasil. Estima-se que o Paraná responda por aproximadamente 7% dos eventos sociais do país (perto de R$ 1 bilhão de faturamento), e 4,5% dos eventos corporativos (próximo a R$ 10 bilhões).

Dessa maneira, conforme a Associação Brasileira de Empresas e Eventos (Abeoc), o setor empregava aproximadamente 1,9 milhão de pessoas até o início da pandemia. As estimativas do setor são de que, para uma festa com 100 convidados, aproximadamente o mesmo número de pessoas vai se envolver em todo o processo, considerando desde a organização até o encerramento do evento.

PROFISSIONAIS ENVOLVIDOS

Conforme Hezel, os eventos envolvem uma gama de profissionais liberais, que, no momento, estão sofrendo com a inatividade em decorrência da pandemia. As estimativas são de que ao menos 52 tipos de profissionais se envolvem nesse tipo de atividade, dos produtores aos decoradores, garçons, manobristas, entre outros. “O que fazemos com eles? Precisaremos segurar por pelo menos mais 60 dias para voltar a trabalhar”.

Para Luciane, a situação desenvolve uma sensação de inconformismo. “Outros setores estão recebendo auxílio, mas o nosso não. Estamos vivendo muitas dificuldades, as empresas vão acabar fechando. Temos funcionários para trabalhar, mas não temos eventos. Assim, não temos renda. Então, precisamos que alguém olhe por nós. Tem que existir alguma solução. Estamos sem trabalhar desde março”.

De acordo com a Abeoc, antes as projeções eram que 2020 fosse um ano de resultados positivos. Em faturamento, o crescimento projetado seria de 6,5%, com o aumento de 4,4% no total de pessoas empregadas. Entretanto, a covid-19 deixou um cenário totalmente diferente, sem perspectivas para o futuro.

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