22/08/2023
Blog da Cris Guarapuava

Guarapuava tira promessa do papel para estancar prejuízos sociais

Quando o Estado falha em prover proteção de proximidade, o custo real é pago pelas famílias em forma de insegurança e vulnerabilidade

Vetores (reprodução: Freepik)

A aprovação da Guarda Municipal de Guarapuava (GMG) traz um alento, mas também uma reflexão amarga. Por que demoramos tanto? A criação desta força foi promessa de palanque de diversos prefeitos anteriores, mas enquanto a política patinava, a sociedade pagava a conta da insegurança.

Diz-se frequentemente que a segurança é cara, mas a pergunta correta é: quanto custa a ausência dela? No debate público, números orçamentários costumam dominar a cena, esquecendo-se de que a vida humana não possui etiqueta de preço. Quando o Estado falha em prover proteção de proximidade, o custo real é pago pelas famílias guarapuavanas em forma de insegurança e vulnerabilidade.

Ao discutirmos o custo da GMG, é impossível não olhar para o cenário nacional. O Rio de Janeiro é o estado que historicamente mais recebe recursos federais para segurança. Mas, paradoxalmente, apresenta um dos piores números quando se trata de segurança pública. Guarapuava, ao iniciar a Guarda com parcerias de “custo zero” (como o convênio com Curitiba) e foco em 35 agentes bem formados, mostra que o segredo não é o volume de dinheiro, mas a estratégia de aplicação.

O BONDE DA HISTÓRIA

Enquanto Guarapuava celebra a criação da Guarda Municipal, o Brasil discute em Brasília duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que buscam transformar as Guardas Municipais em Polícias Municipais. O STF já deu passos largos ao reconhecer as GMs como parte integrante do Sistema de Segurança Pública.

Estamos, portanto, correndo contra o tempo. Se Guarapuava não tivesse aprovado a GMG agora, ficaria à margem de uma transformação constitucional que dará ainda mais poder e recursos às cidades. Entrar nesse jogo “aos 45 do segundo tempo” é o mínimo necessário para não deixar a população local desamparada enquanto o resto do país avança para o policiamento de proximidade.

Isto posto, a segurança pública municipal, não é um gasto: é um ativo. A demora custou caro com tantas vidas perdidas e que medidas preventivas poderiam ter evitado. Mas agora a estruturação anunciada pelo Coronel Péricles de Matos, técnica, armada e integrada, tem o potencial de tirar Guarapuava do atraso e colocá-la no mapa das cidades que entenderam que proteger o cidadão no próprio bairro é o primeiro passo para a paz social.

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Cristina Esteche

Jornalista

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