22/08/2023

Blog da Cris Política

A direita paranaense entra em temporada de tempestades

“Flávio sim, Moro não” expõe a disputa interna da direita paranaense, enquanto Moro aposta na segurança pública para tentar dominar o eleitorado conservador

Alerta laranja aponta possibilidade de tempestade em Guarapuava (Foto: Larissa Ortiz/RSN)

Se o clima do Paraná anda instável, a política também. A direita paranaense parece viver a própria previsão do tempo: chuvas fortes, trovoadas e até granizo. A frase “Flávio sim, Moro não”  que surgiu nos últimos dias, é apenas um dos sinais de que o céu político, antes aparentemente fechado em uma única direção, começa a apresentar áreas de instabilidade.

A direita continua sendo um campo eleitoral forte no Paraná, mas já não existe a mesma disposição para votar em bloco. O eleitor pode apoiar Flávio Bolsonaro para presidente e escolher outro nome para governador. É justamente essa possibilidade que coloca Sergio Moro diante de uma tempestade que não vem da esquerda, mas do próprio campo conservador.

Moro tenta reagir reforçando a principal bandeira: a segurança pública. A proposta de construir um presídio de segurança máxima chamado “El Salvador”, inspirado no modelo de Nayib Bukele, funciona como um verdadeiro trovão político. Ou seja:  faz barulho, chama atenção e deixa claro para qual eleitor ele está falando.

Mas, quando há tempestade, não é apenas a chuva que preocupa. O granizo também causa estragos. Na política, ele aparece nas disputas internas, nas críticas, nas provocações e na tentativa de cada grupo de ocupar o espaço do outro. Sandro Alex, ligado ao grupo de Ratinho Junior, pode justamente aproveitar essa instabilidade para dizer que existe uma direita paranaense que não depende de Moro.

REORGANIZAÇÃO DA DIREITA

E talvez essa seja a parte mais interessante da eleição. Não estamos diante de uma direita desaparecendo, mas de uma direita se reorganizando. Há quem queira Moro, quem queira outro nome e quem queira apenas manter a ligação com o bolsonarismo nacional. O eleitor pode separar os votos e desmontar a ideia de que uma escolha automaticamente determina a outra.

A previsão, portanto, é de tempo fechado na direita paranaense. Moro tenta abrir caminho entre nuvens carregadas, enquanto seus adversários esperam a tempestade passar para ver quem sai fortalecido. Se “Flávio sim, Moro não” ganhar força, talvez o maior estrago não venha da oposição, mas da própria chuva de disputas que começa a cair dentro do campo da direita.

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Cristina Esteche

Jornalista

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