“Não há democracia quando o dinheiro é o fator determinante no processo eleitoral”

Uma nova maneira de fazer política embasada, principalmente, em princípios da ética e da fé. Esta é a proposta do PHS. O partido continua a sua caminhada em Guarapuava buscando atrair novos filiados, se preparando para as eleições de 2010, mas com foco principal no pleito municipal que acontecerá em 2012.

Com uma vereadora, Eva Schran, no Legislativo Municipal, o PHS está mostrando uma nova maneira de fazer política e pretende dar maior visibilidade a essas ações. A entrevista com o professor Claudio Andrade, que preside o partido em Guarapuava, mostra um pouco dessa história e garante que nomes com condições de concorrer a cargos letivos é o que não faltam nas hostes do partido.

Nesta entrevista concedida ao jornal TRIBUNA o professor da Unicentro Cláudio Andrade, presidente do PHS de Guarapuava, analisa a política local e a situação do partido na cidade.

TRIBUNA – O senhor surgiu no cenário político municipal em 2008 quando foi candidato a vice-prefeito na chapa liderada pelo PT. Como aconteceu essa “dobradinha”?

PROFESSOR CLAUDIO – “Não imaginava que participaria do processo eleitoral. Nos últimos anos , optei mais por teorizar e pensar a política do que por fazer a política concretamente. Até que um dia, o grupo do PHS e setores da Escola Diocesana de Fé e Política me cobraram a mesma coisa. Então, por duas razões: dar visibilidade às nossas idéias e ajudar na eleição de nossos candidatos a vereadores, particularmente os integrantes do PHS. Com os pés no chão sempre soube de nossas limitações eleitorais, mas o sacrifício de participar de um pleito, sem um devido planejamento, teve um saldo positivo, pois conseguimos as duas coisas que pretendíamos.”

TRIBUNA – A sua opção partidária foi pelo PHS, mas o senhor uma inserção no movimento Fé e Política, ligado à Diocese….

PROFESSOR CLAUDIO – “Sou filiado ao PHS desde 2000. Sempre colaborei nos debates internos ao lado de minha amiga pessoal – Professora Madalena. Por acreditar em um estilo de fazer política não convenciona, me aproximei do grupo da Diocese de ‘fé e política’ sob a liderança de D. Wagner. Há uma forte relação entre o PHS e este grupo. Ajudei a criar a Escola Diocesana de Fé e Política, ao lado de outros bons colaboradores.

Fiquei mais próximo de um grande líder comunitário – Padre Sércio e de sua experiência de formação política no Bairro Primavera. Pude contribuir de alguma maneira na formação de novos líderes. Naturalmente meu envolvimento partidário aumentava e também minha responsabilidade em me opor à política tradicional se fazia perceber mais claramente. Foi neste momento que o Pe. Sércio me pediu um auxílio sobre seu projeto local no Bairro Primavera – ‘Projeto pelo bem comum’, cuja proposta era eleger um representante desta nova proposta de uma cultura política d, perguntando-me : ‘para eleger alguém de nosso grupo, qual seria o partido ‘adequado’ pela linha ideológica e o mais viável ?’ Disparei ‘… é o PHS’. Nascia ali um forte compromisso, pois ele aceitou o desafio. Ocorre que um partido pequeno como o nosso, isolado, jamais faria legenda vitoriosa. Neste sentido, foi fundamental a parceira com o PT e o PC do B”

TRIBUNA – Qual a sua avaliação sobre as eleições municipais. O que o senhor tirou de proveito?

PROFESSOR CLAUDIO – “Foi uma grande experiência. Além de conhecer, de fato, os bastidores da política local ( quase sempre perversa ) , conheci uma outra cidade. Diferentemente do que estamos acostumados a ver, vi com o Celso uma cidade pobre, dependente e sem muitas perspectivas. O saldo é que não há democracia quando o dinheiro é o fator determinante neste processo eleitoral. É uma batalha desigual. O mais chocante é o medo das pessoas de expressarem o que realmente pensam e sentem. Dificilmente nossa cidade passará por uma mudança estrutural. Muda-se a linguagem, mas não os acordos e conchavos. Precisamos encontrar uma alternativa inteligente para sobrevivermos a isto. Outra coisa interessante que aconteceu no processo eleitoral foi a companhia do empresário Celso Góes. Vi nele uma pessoa corajosa, comprometida e que, assim como eu, acredita que podemos ‘propor algo diferente’ para nossa sociedade.”

TRIBUNA – Hoje o senhor preside do partido…

PROFESSOR CLAUDIO – “Sim , meus colegas entenderam que eu poderia dar continuidade ao excelente trabalho feito por meus antecessores, particularmente Dr. Canestraro e Professora Madalena. São para mim dois ‘exemplos’ de caráter e postura. Espero não decepcioná-los, pois temos muitos desafios pela frente. Precisamos ‘crescer’ sem ‘inchar’, ou seja, no PHS, é fundamental a formação política, a postura ética e seu envolvimento de uma política de unidade e hoje sabemos que são poucas as pessoas que se encaixam neste perfil.”

TRIBUNA – O ano de 2010 será marcado pelas eleições nas esferas nacional, federal e estadual. Qual será o rumo do PHS nas eleições também para a Presidência da República?

PROFESSOR CLAUDIO – “Há uma recomendação para que haja candidatos em vários escalões, mas sabemos que não é fácil concorrer com partidos economicamente estruturados e com financiamentos privados, além de nomes já bastante conhecidos no cenário político. Precisamos dar visibilidade às nossas idéias, ‘sujar as mãos’ ( expressão de Sartre ), motivar pessoas bem intencionadas a fazer o mesmo e acreditar em mudança, mas não podemos esquecer que estamos no Brasil, no Paraná e principalmente em Guarapuava, onde os protagonistas já são conhecidos.”

TRIBUNA – E em relação ao Estado, o Partido terá candidatura a deputado estadual e federal?

PROFESSOR CLAUDIO – “Estamos internamente tratando esta questão com afinco, mas não podemos esquecer de alguns princípios que norteiam nossa conduta: racionalidade, razoabilidade e bom senso. Certamente , no momento certo faremos a melhor escolha.”

TRIBUNA – Quais nomes estão sendo discutidos?

PROFESSOR CLAUDIO – “Se é uma coisa que me deixa tranqüilo é que temos NOMES. Em outubro passado, filiamos alguns nomes com potencial eleitoral, além de grande motivação. Uma referência positiva que podemos neste momento dizer, é a possibilidade da Professora Madalena Nerone nos representar. Ela está avaliando com carinho a situação e cada mais vez ocupando espaço.”

TRIBUNA – Além das eleições, quais são os planos do PHS para 2010?

PROFESSOR CLAUDIO – “Para 2010, temos a intenção de assumirmos uma posição ideológica mais forte. Vamos ocupar mais os meios de comunicação convencionais e utilizar outras ferramentas como o fomento de ‘seminários’, ‘mesas-redondas’, intervindo diretamente na política local. Estamos prestes a inaugurar nosso novo portal, intitulado ‘minutos de argumentos’, onde contaremos com a participação de alguns alunos de jornalismo. Queremos nos preparar para 2012 no processo das eleições municipais.”

TRIBUNA – O PHS elegeu a vereadora Eva Schran. Como o senhor avalia o desempenho da vereadora neste primeiro ano de mandato?

PROFESSOR CLAUDIO – “A Eva é uma pessoa extraordinária. Ela se preparou para representar nosso Partido.
Sabemos que temos na Câmara Municipal uma pessoa extremamente ética e responsável nos representando. Ela sabe de sua responsabilidade, pois seu sucesso será o sucesso de um projeto, pois nunca representou um interesse privado. Certamente sua semente de ação trará novos protagonistas em 2012. Particularmente eu nunca vi um mandato tão comprometido e tão democrático. Como ela sempre diz, suas ações são direcionadas para representar os interesses de sua classe ( os contabilistas ), das entidades organizadas , de seu Bairro e de seu projeto pelo bem comum e pelos ideais do Partido. O que queremos mais? Apenas que ela tem forças para ir até o final. “

TRIBUNA – A vinda ou não da Universidade Tecnológica Federal para Guarapuava tem pautado várias discussões. O senhor como professor universitário, como vê essa questão?

PROFESSOR CLAUDIO – “Costumo dizer que o desenvolvimento em nossa região nos últimos anos aconteceu naturalmente, sem a intervenção de nossos dirigentes políticos. Parece que quanto mais intervenção política, mais retrocesso. A UNICENTRO, por exemplo, cresceu pela ação racional e propositiva de seus gestores e com o empenho extraordinário de seus colaboradores que fizeram a coisa certa. Este posicionamento sério e responsável propiciou um efeito cascata, dinamizando outros setores fundamentais, gerando um efeito positivo em dezenas de outros setores. A cidade mudou, modernizou-se. A vinda de novos profissionais liberais e agentes universitários fez com que ocorresse uma mudança perceptível mudança de hábitos, costumes e mentalidade. Mas infelizmente, este novo ethos e estas novas idéias não conseguiram avançar no setor político, que resiste à toda e qualquer mudança. Há ainda em nossa cidade uma parte arcaica, imóvel e manipuladora. Então imaginou que a vinda de uma Universidade Tecnológica Federal poderia intensificar esta modernização e isto, certamente, atrapalharia os interesses daqueles que se perpetuam no cenário político. Portanto, veladamente, há uma força contrária à vinda deste novo Projeto. Quando nossa coligação nas eleições de 2008, denunciou esta ‘omissão’ de nossos dirigentes políticos e agora o empresário Celso Góes ( mentor do Instituto Cidade Aberta ), denuncia explicitamente, vemos ‘sarcasticamente’ nossos dirigentes assumindo posições favoráveis. É hilário.”

TRIBUNA – O senhor está deixando a sua participação empresarial no colégio Fera para se dedicar a sua carreira acadêmica. Algum projeto especial?

PROFESSOR CLAUDIO – “Dediquei muita energia em dois projeto particulares. Inicialmente em 2003 no ‘Lobo Pré-Vestibulares’ e a partir de 2006 no ‘Fera Pré-Vestibulares’. Foi uma experiência positiva, pois o sonho de todo Professor vinculado às ciências humanas é colocar em prática seus ideais pedagógicos. Mas uma coisa é a questão pedagógica e outra, bem diferente, é a questão administrativa. A Direção Geral de um colégio privado nos toma muito tempo e estar vinculado a algumas pessoas que não pensam ‘propositivamente’, nos desestimula e nos desgasta. E quando acreditamos em uma proposta nos dedicamos integralmente e aí , naturalmente, ocorrem algumas frustrações. Em razão disto, me afastei um pouco de meus projetos universitários. Quero agora retomar minhas publicações, minhas orientações acadêmicas, meu envolvimento em grupos de pesquisa e me preparar academicamente para um ‘pós-doc’. E isto não acontece sem tempo e sem dedicação. Deixo minha participação no FERA com a sensação de ter feito um bom trabalho. Agradeço o apoio dos Pais e responsáveis e de meus queridos alunos. Mas em 2010 trilharei novos caminhos.”

Foto: o presidente do PHS diz dificilmente Guarapuava passará por uma mudança estrutural, mas que é preciso encontrar uma alternativa inteligente para sobreviver a esta situação (Nagel Coelho – Rede Sul de Notícias)

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