1ª etapa do ‘Câncer Center’ será entregue hoje (22) em Guarapuava

A unidade de quimioterapia e o Instituto Para Pesquisa do Câncer. integram um dos mais importantes centros de tratamento e pesquisa da doença no Brasil

1ª etapa do ‘Câncer Center’ será entregue nesta quarta (22) em Guarapuava (Foto: Cristina Esteche/RSN)

Nesta quarta (22), Guarapuava receberá a 1ª etapa do Câncer Center – um dos centros de saúde mais complexos e importantes do país. Assim, serão inaugurados a nova unidade de quimioterapia e o Instituto Para Pesquisa do Câncer. As inaugurações fazem parte do complexo em construção e que será um dos mais importantes centros de tratamento e pesquisa do Câncer no Brasil.

Mas devido a pandemia do novo coronavírus, o Hospital São Vicente que é um dos gestores da unidade ao lado do Hospital Erasto Gaertner, organizou uma agenda de três dias com vários horários para receber autoridades e parceiros para visitar a obra.

Só depois, é que serão disponibilizados oficialmente os serviços na nova unidade de quimioterapia e do Instituto para pesquisa do câncer. As visitas serão às 15h nesta quarta (22) quando haverá a inauguração, às 10h, 14h e 16h na quinta (23) e nos mesmos horários na sexta (24).

QUIMIOTERAPIA

A nova unidade oncológica vai beneficiar pacientes dos 20 municípios integrantes da 5º Regional de Saúde, equivalente a uma população de quase 500 mil habitantes. Assim, conforme a assessoria, a primeira etapa entregue hoje contempla o tratamento ambulatorial de quimioterapia.

De acordo com a assessoria, na parte térrea, a estrutura contará com 20 poltronas, seis leitos de observação, sala de emergência para um leito, cinco consultórios em ambientes modernos e humanizados com jardins internos. E ainda box individual com televisão, para cada paciente durante o tratamento quimioterápico.

INSTITUTO

No segundo andar ficarão as instalações para o Instituto Para Pesquisa do Câncer também entregue nesta quarta (22). A gestão do Instituto será partilhada entre Associação Comercial e Empresarial de Guarapuava (Acig), Hospital de Caridade São Vicente de Paulo e Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro). O Instituto será um dos mais equipados centros de Medicina Genômica do Brasil, voltado para pesquisa e atenção aos pacientes com câncer.

O Instituto vai fomentar pesquisas de alto nível e ensino de qualidade, podendo ainda estudar outras doenças do ponto de vista genético, trabalhar com a parte genômica de animais e plantas e até mesmo fazer pesquisas inéditas no Brasil. A primeira etapa custou cerca de R$ 21.039.036,95 entre obras e equipamentos.

Recursos que foram indicados pela Secretaria de Saúde do Estado do Paraná e pelos deputados estaduais Ademar Traiano e Cristina Silvestri, e pelo deputado federal Giacobo.

(Foto: Cristina Esteche/RSN)

SEGUNDA ETAPA

Na segunda etapa, a obra prevê um prédio com seis andares, contendo seis salas de cirurgia de alta complexidade, 20 leitos de UTI, 80 leitos de internação com infraestrutura pronta para receber cadeirantes, obesos, isolamentos respiratórios, entre outros leitos paliativos com jardim exclusivo e salas de ensino com auditório.

Ainda na segunda etapa, será instalada a área da radioterapia, que vai ocupar uma área de 776.62 metros quadrados, com capacidade para atender 70 pessoas por dia. A implantação, prevista para ser concluída em 2021, faz parte do Programa de Expansão da Radioterapia do Ministério da Saúde, no qual o Hospital São Vicente foi contemplado em 2011, por meio de uma articulação do então deputado federal Cezar Silvestri.

UNIÃO DE FORÇAS

Para a segunda etapa estão previstos mais de R$ 80 milhões em convênios de deputados estaduais e federais, além do aporte da prefeitura e Câmara Municipal de Guarapuava. A parte estrutura já foi construída, além de elevadores e geradores, num total de R$ 14.349.035,83.

O Câncer Center já caracteriza como um dos centros de saúde mais complexos e importantes do Brasil. É importante destacar que os serviços de oncologia ambulatorial, clínico e cirúrgico já são prestados pelo Hospital São Vicente na Unidade I, no qual são feitos aproximadamente 1.200 atendimentos/mês.

ALTA COMPLEXIDADE

No entanto, a nova filial permitirá a ampliação e modernização da assistência, considerando que a instituição possui habilitação como Unidade de Assistência de Alta Complexidade – UNACON. Assim, com esta nova unidade, tendo em funcionamento a radioterapia que iniciou as obras neste mês de julho, poderá ser pedido o credenciamento de CACON.

Isso torna o serviço de oncologia oferecido cada vez mais completo para os pacientes de Guarapuava e de toda a Região.

(Foto: Cristina Esteche/RSN)

REFERÊNCIA EM TRATAMENTO E PESQUISA

A melhor definição sobre o Câncer Center de Guarapuava é construção coletiva. Esse é o nome do complexo especializado em oncologia que reúne o Hospital do Câncer, a Radioterapia e o Instituto de Pesquisa do Câncer. O complexo é fruto do empenho de autoridades de todos os Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), das três esferas da administração pública (Federal, Estadual e Municipal). Mas também do engajamento da academia e de setores da sociedade civil organizada.

O hospital, que está em construção, será destinado ao atendimento de pacientes moderados e graves e terá 80 leitos, sendo 20 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), além de um centro cirúrgico; o outro prédio em obras é o da radioterapia, inédita em Guarapuava. E a estrutura já finalizada é sede dos laboratórios de pesquisa genética, um anfiteatro e as cabines para a quimioterapia.

O hospital e o centro de radioterapia ficarão prontos em meados de 2021, conforme o cronograma de construção, enquanto o Instituto abre as portas ao atendimento nas próximas semanas.

RECURSOS

O Governo do Estado do Paraná já investiu R$ 19.792.336,95 nesse complexo por meio da Secretaria de Estado da Saúde. São R$ 7,8 milhões nas obras e R$ 12 milhões em equipamentos. Ainda nesta obra teve a contribuição de R$ 1,2 milhões de emendas de deputado federal para o instituto.

De acordo com o governador Carlos Massa Ratinho Junior, o Câncer Center será referência imediata para 20 municípios da Região Central do Estado. “A capacidade será para atender mais de 500 mil pessoas, mas, além disso, essa estrutura servirá como exemplo em pesquisa para todo o País. Guarapuava criou um centro de excelência médica para ajudar a sociedade a combater e estudar essa doença”.

Já conforme o secretário estadual de Saúde, Beto Preto, o Paraná é referência nacional no tratamento de câncer. “Esse investimento ajuda a ampliar a oferta especializada perto da casa das pessoas, ainda mais diante de uma luta tão pesada quanto essa. A previsão é de ter tudo em funcionamento a partir do ano que vem. É um dos projetos mais ambiciosos da saúde pública do Estado”.

(Imagem: Reprodução/Hospital São Vicente)

CÂNCER CENTER

O Câncer Center foi concebido aos poucos. A ideia original previa ampliação do atendimento de quimioterapia do Hospital de Caridade São Vicente de Paulo, instituição de grande porte que atende cerca de 10 mil pacientes por mês em todas as especialidades.

Além disso, previa a construção de uma nova ala para radioterapia depois da conquista de equipamentos com o governo federal. Entretanto, o que nasceu no Centro como rascunho logo migrou para a Cidade dos Lagos.

Em 2008 o ex-deputado federal Cezar Silvestri conseguiu R$ 12 milhões do Ministério da Saúde para iniciar a construção desse centro de radioterapia. Nessa mesma época o município foi contemplado com um acelerador linear dentro de um programa federal de expansão da oferta de equipamentos para tratamento contra o câncer. O prédio original do Vicente de Paulo é de 1913 e já não havia como contemplar tamanha ousadia.

BAIRRO CIDADE DOS LAGOS

O fim da década passada e o começo desta também marcam a entrada do empresário Odacir Antonelli em cena. Ele foi o responsável pela doação do terreno no megabairro que atualmente reúne o Hospital Regional de Guarapuava, que teve a 1ª fase recém-inaugurada, um shopping, um campus da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), e, futuramente, prédios executivos e outras clínicas médicas particulares.

Em 2019 o médico cirurgião do Hospital Vicente de Paulo e professor David Livingston, em conjunto com os provedores da unidade, mais autoridades do setor privado da entidade (Acig) Associação comercial e empresarial de Guarapuava e a Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (Unicentro) uniram-se para a criação de um instituto de pesquisa sobre o câncer.

CONFORTO NO TRATAMENTO

De acordo com o prefeito de Guarapuava, Cesar Silvestri Filho, o investimento em pesquisa tornará o Câncer Center referência nacional. “Guarapuava tem o mais moderno centro de pesquisa do Interior do Brasil. O município será um polo de saúde e tecnologia com dois hospitais (Regional e do Câncer), o instituto de pesquisa, a radioterapia e todo um arcabouço acadêmico por trás”.

Conforme Cesar Filho, o complexo também responde a uma necessidade de primeira ordem da Região Central do Estado, que é a estrutura adequada para radioterapia. “A ideia também é preencher um vazio na área de oncologia nos 20 municípios que compõem essa regional de Saúde. Aqueles pacientes que dependem de radioterapia têm que se deslocar até Curitiba ou Cascavel, uma viagem de pelo menos seis horas entre ida e volta”.

Para Huberto José Limberger, provedor do Hospital São Vicente de Paulo, “meio sonho” já foi realizado. “Ainda precisamos de uns R$ 90 milhões para terminar todo o projeto do Câncer Center, com equipamentos e toda a estrutura necessária para atendimento aos nossos cidadãos. Mas esse é um projeto grandioso e que ficará como legado para a saúde pública do Paraná”.

HOSPITAL DO CÂNCER

As obras no prédio do Hospital do Câncer atingiram 60% mais ou menos no mesmo instante em que o Hospital Regional de Guarapuava, a apenas um quilômetro de distância, teve a primeira fase inaugurada  para atendimento emergencial contra a covid-19, no começo de julho.

Ele será administrado pelo Hospital de Caridade São Vicente de Paulo em parceria com o Hospital Erasto Gartner, de Curitiba. O hospital Gartner é referência nacional para o tratamento de pacientes com câncer. O prédio fica exatamente ao lado do Instituto para Pesquisa do Câncer e é um retângulo de desenho irregular com um jardim interno e seis pavimentos.

Os dois maiores lados dessa estrutura reúnem 80 leitos, sendo 20 para diagnósticos mais severos, além do centro cirúrgico. Ele fica localizado em uma área de 20 mil metros. A empresa que venceu a licitação é a mesma que construiu o Hospital do Rocio, de Campo Largo.

INSTITUTO

Inaugurados nesta quarta (22), o ambulatório de quimioterapia e o Instituto para Pesquisa do Câncer já estão aptos para serem utilizados. O primeiro tem capacidade para atender 70 pessoas por dia e conta com poltronas para quimioterapia, carrinhos de emergência, macas, cadeiras de rodas, cabine de biossegurança para manipulação de quimioterápicos, entre outros equipamentos.

O segundo já iniciou, inclusive, pesquisas sobre a covid-19. Assim, conta com um sequenciador que custou R$ 7 milhões, um dos melhores aparelhos à disposição de cientistas no Brasil. O Instituto para Pesquisa do Câncer tem como missão desenvolver pesquisa básica e aplicada voltada ao diagnóstico, prognóstico e tratamento do câncer e doenças de base genética. Além disso, promover a formação especializado em medicina de precisão.

Ele foi criado para ser uma plataforma de pesquisa genômica com corpo técnico e clínico especializado, Assim será um amplo portfólio de testes genéticos, com equipamentos e metodologias de última geração. Ele atuará em diferentes áreas como: oncogenética, neurogenética, cardiogenética e doenças raras.

Já foram feitas parcerias nacionais e internacionais para o desenvolvimento de pesquisas no município, que incluem faculdades e universidades brasileiras e estrangeiras.

Pesquisa do Instituto do Instituto de Câncer pauta jornal da USP (Foto: Sandra Meira)

COVID-19

O Instituto também possibilitou a criação da Rede Genômica IPEC/Guarapuava envolvendo cerca de 100 pesquisadores de diferentes instituições. São 12 instituições do Estado, incluindo todas universidades estaduais. Os cientistas vão participar de um estudo genômico pioneiro no Brasil e na América Latina sobre as manifestações clínicas da covid-19.

Serão analisados o comportamento da covid-19 em pacientes com quadro clínico grave e mantidos na UTI com ventilação pulmonar; pacientes com quadro clínico moderado, internados na enfermaria; pacientes que se recuperaram sem a necessidade de transferência para a UTI, além de pacientes com quadro clínico leve ou assintomáticos.

Por fim, o médico e coordenador do Departamento de Medicina da Unicentro, David Livingstone afirma que o Instituto é uma iniciativa pioneira. Une entidades da própria comunidade, em prol de pesquisa e do ensino de qualidade.

“Ele está conectado a um Hospital do Câncer, mas não vai estudar apenas o câncer. Ele ajudará no fortalecimento da base científica para ajudar no desenvolvimento do setor agropecuário da Região de Guarapuava”.

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