Apesar de laudo, defesa de Manvailer volta a insinuar suicídio de Tatiane

Advogados de defesa questionaram testemunhas em audiência nesta terça (11). Em setembro deste ano, documento do IML indicou que a advogada morreu por asfixia mecânica

Delegado Bruno, uma das testemunhas, sendo ouvido na audiência (Foto: Amanda Pieta/RSN)

Na primeira audiência do caso Tatiane Spitzner, nesta terça feira (11), a defesa do biólogo Luís Felipe Manvailer, acusado de feminicídio, voltou a insinuar que a morte da advogada guarapuavana pode ser resultado de suicídio. Esta informação, dada por Luís Felipe ainda na audiência de custódia, logo após ser preso, já havia sido refutada pelo laudo do Instituto Médico Legal (IML) que revelou, em setembro, que a morte de Tatiane foi causada por asfixia mecânica. Até o fechamento desta matéria (18h), testemunhas ainda estavam sendo ouvidas na 2ª Vara Criminal, no Fórum de Guarapuava. Os trabalhos são conduzidos pela juíza Paola Mancini.

As insinuações da defesa puderam ser notadas por quem acompanhava o interrogatório de Caroline Sobanski Ferreira, amiga de Tatiane, que foi a primeira testemunha comum a ser ouvida. Além de Caroline, outras 13 pessoas foram convocadas para audiência, entre elas, o delegado Bruno Miranda Maciocek, que estava à frente da Delegacia da Mulher durante o inquérito.

Durante os questionamentos à Caroline, advogados de Manvailer perguntaram a amiga de Tatiane se a advogada realizava procedimentos estéticos com frequência e se os medicamentos usados nestes procedimentos poderiam afetar a psique da guarapuavana. Caroline também foi questionada sobre um suposto aborto espontâneo que Tatiane teria sofrido, o que, por insinuação dos advogados, poderia ter abalado o seu estado mental. Caroline se posicionou contrária as insinuações.

As mesmas insinuações da defesa de Manvailer continuaram quando o delegado Bruno passou a ser ouvido. Advogados questionaram como Bruno teria descartado tão rapidamente a possibilidade de suicídio de Tatiane. Perguntaram, também, se o delegado havia considerado o fato de que Tatiane tomaria anabolizantes e, que o uso deste esteroide, combinado com a bebida, poderia ter influenciado em uma eventual queda da sacada. Em reposta aos advogados, Bruno refutou totalmente a possibilidade de suicídio.

PRÓXIMOS PASSOS

Após o término da audiência desta terça (11), que foi acompanhada por Manvailer, o próprio acusado será ouvido. Esta audiência ocorrerá na quinta (13), também na 2ª Vara Criminal. Após esta audiência, Paola deverá decidir se Luís Felipe irá ou não a júri popular.

O CASO

Luís Felipe Manvailer está preso na Penitenciária Industrial de Guarapuava (PIG) há quatro meses. Semanas após a morte de Tatiane, ele foi denunciado pelos crimes de homicídio qualificado, fraude processual, cárcere privado e por causar intenso sofrimento físico e psíquico na vítima.

Imagens divulgadas pelo Ministério Público (MP), mostraram que Manvailer agrediu Tatiane progressivamente, por cerca de 20 minutos, na noite de sua morte. Após discussões dentro do apartamento, imagens do circuito externo do prédio mostraram Tatiane caindo da sacada do quarto andar. O ex-marido recolheu o corpo da vítima, trancou a advogada no apartamento, trocou de roupa, limpou as marcas de sangue no elevador e fugiu com o carro do casal. Ele foi preso pela Polícia Civil no mesmo dia, em São Miguel do Iguaçu, região Oeste do Estado.

À polícia, Manvailer declarou que Tatiane teria se jogado da sacada. Durante as investigações, exames do Instituto Médico Legal (IML), no entanto, apontaram que a advogada morreu por asfixia mecânica, antes de sofrer a queda. A expectativa para a audiência é se haverá mudança no discurso do réu frente as novas provas do caso.

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