Associação promove o resgate do sertanejo de raiz

Guarapuava – Resgatar a cultura do homem do campo. Esse é o objetivo da recém-criada Associação Amigos da Viola de Guarapuava e Região. A entidade, lançada em um evento no último fim de semana, se inspirou em uma organização similar criada em Pato Branco há quatro anos. Um dos fundadores da associação em Guarapuava, Flávio José Pereira – da dupla Flávio Viola e Moreninho – integrou a entidade patobranquense e de lá trouxe a idéia.

“Queremos resgatar essa tradição, que normalmente vive a margem da grande mídia”, afirma Pereira. Inicialmente a associação guarapuavana conta com 30 membros – o violeiro destaca que a entidade está aberta a todos os interessados e não há cobrança de qualquer tipo de taxa. As reuniões começarão a partir do próximo ano com dias, horários e locais a serem definidos.

Nos encontros, haverá espaço para ensaios, apresentações e troca de informações sobre artistas da música de raiz. E se engana quem pensa que apenas músicos participarão da associação. “Não toco nenhum instrumento, mas sou incentivador da música caipira. Esse tipo de iniciativa é muito importante, principalmente porque existem jovens talentosos na região”, comenta o vice-presidente da associação Irineu Zebierzikoski.

Entre as atividades que serão desenvolvidas no próximo ano estão a realização de festivais, oficinas musicais e até mesmo a criação de um programa de rádio destinado a música de raiz. Pereira – que teve o primeiro contato com viola através de amigos e a aprendeu a tocar pela leitura de livros com métodos musicais – destaca que a preocupação da associação é com a tradição do homem do campo, indo além dos aspectos musicais. “Somos um movimento cultural. E é claro que a música é um importante elemento dentro da tradição caipira”, comenta.

Cristiano Natael Vetiato – o Canarinho, que faz dupla com seu irmão Colibri – tem 15 anos e é um dos músicos mais jovens da associação. “Gosto do sertanejo de raiz desde pequeno”, afirma ele, que toca viola há cinco anos.

Tradição que não pode morrer

Dirceu Moretto foi um dos sócio-fundadores da associação em Pato Branco. A exemplo de Zebierzikoski, ele não toca nenhum instrumento, o que não diminui sua paixão pela música caipira. No acervo de Moretto existem 80 mil músicas, entre elas clássicos de Raul Torres e Florêncio, Zé Carreiro e Carreirinho, Tonico e Tinoco, Tião Carreiro e Pardinho – duplas que ela considera as mais importantes do gênero.

“Além de serem grandes intérpretes, eles também foram excelentes compositores”, analisa. Ele destaca que uma das atividades principais das associações é pesquisar músicas e compartilhar com sócios e outros apreciadores. “Hoje em dia a internet é uma das principais ferramentas de pesquisa”, ressalta.

Moretto – que possui dois programas de rádio nas cidades de Pato Branco e Mariópolis, ambos voltados ao gênero – compara as músicas sertanejas de hoje e de ontem. “A música de raiz foi ‘engolida’ pelo country music e pelo sertanejo comercial, tocado a exaustão nas rádios. Mas as diferenças são muito grandes. O sertanejo de hoje é marcado pelas letras maliciosas e pelos refrões pegajosos, que logo caem no esquecimento. Falta qualidade musical e alma as composições”, opina.

A viola no Brasil

De acordo com Roberto Nunes Correa, em seu livro Viola Caipira, nos séculos XV e XVI, a viola já era largamente difundida em Portugal, sendo considerada como o principal instrumento dos jograis e cantares trovadorescos. A viola chegou ao Brasil no período da colonização, trazido por jesuítas e imigrantes. A mistura da música portuguesa com a de índios e negros fez com que a viola ganhassem características próprias no Brasil.

O instrumento recebe diferentes denominações nas regiões brasileiras. No Nordeste possui o nome de Viola Sertaneja e na região Centro Sul – Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Paraná –, Viola Caipira. As afinações também variam, dependendo da região.

Instrumento menor que o violão, a viola possui dez cordas, agrupada em pares e começando de baixo para cima. Existem muitas explicações para os nomes das cordas, todas de origem portuguesa: primas; segundas; turina e contra-turina; toeira e contra-toeira; canotilho e contra-canotilho.

Atualmente o instrumento está voltando a ser pesquisado e, principalmente, tocado em todo o território nacional, depois de um período relegado ao ostracismo. Correa ainda destaca que “a música popular brasileira, por sua beleza e criatividade, conquistou o mundo, tendo a viola caipira como elemento fundamental”.

Fonte: site Viola Caipira

Foto: a associação foi lançada em Guarapuava em um jantar realizado no último fim de semana (arquivo)

Cleyton Lutz – Rede Sul de Notícias

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