Bailarino do Kundun é assaltado

Guarapuava – Indignação, fragilidade perante a violência que cerca a cidade, direitos humanos e de cidadão violados. Esta mistura de sentimentos tomou conta do bailarino da Companhia de Música e Dança Afro Kundun Balê Quilombo Paiol de Telha, Leonardo Kunta Camargo Soares da Cruz (foto) no início da manhã de domingo, dia 31 de maio.
Ele retornava do Pharol, onde passara a noite com amigos, na festa comemorativa aos Jogos Universi-tários.
Leonardo e duas amigas foram assaltados no Parque do Lago às 6h30min por outros três jovens. Os ladrões levaram tênis, dinheiro e celular e agrediram Leonardo com socos e pontapés. Fugiram em direção à Vila Concórdia.
A primeira iniciativa das meninas que estavam com Leonardo, enquanto ele permanecia caído e sangrando sob a chuva que caía, foi ligar para o telefone 190 da Polícia Militar.
“A polícia nos mandou registrar boletim de ocorrência na delegacia da polícia civil”, relata Leonardo.
Abaixo de chuva e machucado, o jovem e as duas amigas foram até a Civil. As portas da delegacia estavam fechadas e apesar das batidas na porta ninguém saiu para atendê-los. “Ligamos novamente para a PM e nos disseram que era para chamar o Samu. Fizemos isso, mas não fomos atendidos. Voltamos a bater na delegacia e um casal de policiais nos atendeu dizendo que o nosso atendimento era atribuição da PM. Fecharam a porta e nos deixaram na chuva.
Cerca de 20 minutos depois uma viatura da PM aparece e os leva até a Urgência Municipal. “Lá foi feito o boletim de ocorrência, me deram um remédio para dor e disseram que tinha que esperar até as 9 horas para que o responsável pelo Raio X chegasse.
“Ao meu lado estava um rapaz com o rosto cortado e que também tinha sido assaltado e não tinha recebido nenhum atendimento”.
A revolta do jovem está na inoperância e no descaso para com o cidadão. “Pagamos impostos, o salário de policiais, de médicos, de enfermeiros que trabalham na saúde pública e quando precisamos não somos atendidos. Estamos sendo reféns de um sistema falido, enquanto os marginais estão por aí à solta”, desabafa.
Ele se refere à conversa que ouviu de policiais. “Fomos aconselhados para não sair de casa à noite. Nós esperamos o dia amanhecer para ir para casa por causa do perigo. Tivemos que ouvir do policial que os assaltantes deveriam ser usuários de drogas. No Postão duas ambulâncias do Samu estavam estacionadas carregando as sirenes, como justificou uma enfermeira”, diz. “É muito triste ver a banalização do sofrimento alheio, da violência. Enquanto estávamos lá, sentindo frio e dor, os responsáveis pela saúde naquele momento estavam numa sala tomando cafezinho, conversando e rindo. Enquanto isso, a fila de espera aumentava”, relata.
Na Polícia Civil nenhum dos dois delegados foi encontrado na quinta-feira, 4, dia de fechamento desta edição para comentar o caso. A informação recebida foi de que ambos encontravam-se em reunião. A Polícia Militar afirma que o seu trabalho é preventivo e que a punição aos transgressores cabe à Polícia Judiciária.

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