Carli Filho não será privilegiado, diz delegado à GP

São Paulo – O delegado Armando Braga, titular da Delegacia de Delitos de Trânsito (Dedetran) em Curitiba, em entrveista concedida ao repórter Anderson Hartmnn do jornal Gazeta do Povo, garantiu que o ex-deputado Fernando Carli Filho não terá privilégios no inquérito policial onde foi indiciado por homicidio. Ele está sendo indiciado por dolo eventual que culminou na morte dos jovens Rafael Yared e Luiz Murilo de Almeida durante acidente na madrugada de 7 de maio em Curitiba.
Carli Filho se recupera dos ferimentos num apart hotel em São Paulo após receber alta do Hospital Albert Einstein.
Segundo a Gazeta do Povo, durante o depoimento, o ex-parlamentar conseguiu se expressar, apesar da alegada perda de memória.
Porém, segundo declarações de Braga à Gazeta do Povo, o indiciamento comprova a existência de pistas que indicam a culpa do investigado. Entretanto, não significa necessariamente que o suspeito será preso.
O delegado, segundo o jornal, que esteve em São Paulo para agilizar o processo, conversou com a Gazeta do Povo poucas horas após tomar o depoimento de Carli.
O policial, que é fonoaudiólogo, revelou ao repórter da GP que o ex-deputado não tem mais a mesma fluência verbal, mas, durante o depoimento, conseguiu se expressar, apesar da perda de memória. “Ele não lembra de nada antes, durante ou depois do acidente. O que comeu, bebeu ou o itinerário percorrido”, disse.
Segundo o delegado, pessoas que sofrem acidentes com pancadas fortes normalmente têm lapsos de memória. “As lesões sofridas pelo ex-deputado são compatíveis com casos em que existe um trauma muito forte e que apresentam sequelas como perda de memória”, afirmou à GP.
Segundo a matéria, o delegado disse que o ex-deputado contou que sua última lembrança é uma visita que fez ao pai em um hospital de Curitiba, mas não sabe precisar se foi ou não no dia do acidente. “Quando nós não temos a confissão ou a prova objetiva, partimos para outros tipos de provas. E o inquérito está robusto de provas testemunhais e técnicas objetivas. O ex-deputado será processado e julgado”, enfatizou.
Conforme a GP, o delegado informou que novas provas oficiais deverão ser integradas ao caso antes da reconstituição do acidente.
Para isso, foi solicitada à fábrica do Passat alemão, carro conduzido por Carli Filho no dia do acidente, um laudo pericial para averiguar se há algum sistema de armazenamento de dados que possa ter registrado a velocidade do veículo.
De acordo com as informações da Gazeta do Povo, para as companhias de telefonia móvel, o delegado pediu a captação do sinal dos dois celulares de Carli Filho na noite do acidente, para precisar o itinerário percorrido após a saída do restaurante onde o ex-parlamentar bebeu com um casal de amigos poucos antes da colisão.
“A respeito dos radares da Avenida Monsenhor Ivo Zanlorenzi, local da batida, que não captaram imagens do carro conduzido pelo ex-deputado, o delegado acredita que Carli pode ter passado por outras ruas e avenidas”, diz o jornal.
A próxima etapa do processo, segundo a matéria da GP, deverá ser a reconstituição do acidente – a presença do ex-deputado, no entanto, não será solicitada em função da ausência de memória.
“O objetivo é ter certeza sobre o exato trajeto percorrido por Carli, o ponto exato do acidente e a velocidade desempenhada pelo veículo. A reconstituição só deverá ser feita após o dia 20 deste mês, data em que retornará do interior do estado uma das peritas presentes no dia do acidente”.
Ao ser questionado pela Gazeta do Povo, sobre uma possível proteção a Carli pelo fato de ele ser de uma família importante no Paraná e ter sido deputado, o delegado salientou que o caso será analisado de maneira justa e sem concessão de privilégios. “Até o julgamento, existe um longo caminho, mas esses fatores, essas características não deverão impedir que a Justiça aja de maneira isenta. O que pode ocorrer é um entendimento jurídico diferente do que estão tratando. Não soube nem recebi pressão de quem quer que fosse, nem no sentido de ser mais ou menos rigoroso”, ressaltou ao repórter da GP.

Sequelas
O delegado Armando Braga disse também que Carli Filho está mais magro, embora já tenha voltado a comer normalmente. Ele vinha se alimentando por sonda.
Todo o rosto do ex-deputado foi reconstruído,e uma cicatriz permanece como se fosse uma máscara sobreposta ao rosto.
Conforme recomendação médica, ele ainda precisa ficar em repouso absoluto por pelo menos mais 10 dias.

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