Criada há 10 anos, PIG mostra porque dá certo

O visual do complexo que abriga a Penitenciária Industrial de Guarapuava (PIG) em nada lembra um presídio, a não ser pelos arames farpados que cercam a instituição.
Mas muito além da aparência da estrutura física, a metodologia de trabalho coloca em prática atividades que têm como ponto final a recuperação humanitária dos internos e a sua reinserção à sociedade a partir de trabalhos bem definidos.

Primeira penitenciária industrial do País e modelo para o sistema carcerário nacional a PIG, sediada em Guarapuava, comemora uma década de atuação.
Construída e inaugurada na última gestão do governador Jaime Lerner e quase extinta no início do mandato do governador Roberto Requião, a Penitenciária se mantém firme, como disse o próprio governador, pela garra da juíza corregedora dos presídios Christine K. Bittencourt.

São 10 anos de uma experiência pioneira bem sucedida e que vem servindo como modelo para o sistema carcerário nacional, hoje muito mais um depósito de presos.
Inaugurada no dia 11 de novembro de 1999 o modelo chama a atenção pelo baixo índice de reincidência. “Hoje temos um índice entre 5 e 10% de reincidentes quando em São Paulo, por exemplo, esse percentual é de 80%”, compara o diretor.

Divididos em cinco galerias com 24 celas cada uma num total de 120 celas (cada cela tem dois internos)a PIG mantém em sua estrutura duas fábricas. Uma de luvas e de outra de calçados, ambos para a segurança no trabalho. A produção é feita por 150 internos que recebem por mês o equivalente a 75% do salário mínimo vigente, conforme dispõe a Lei de Exe-cuções Penais. Do valor recebido, 80% vai para um familiar indicado pelo interno e os 20% restantes são depositados numa caderneta de poupança que visa o futuro. “Quando o interno deixar a PIG ele terá esse valor para recomeçar a sua vida lá fora”, afirma Ricardo.

Os cuidados passam também pela alimentação. Uma empresa de São Paulo é licitada para fornecer marmitex. Outros índices positivos mostram o diferencial do modelo de gestão mantido pelo Governo do Estado em Guarapuava. O maior índice de alunos matriculados nos ensinos fundamental e médio no sistema penitenciário brasileiro está na PIG. Dos 239 presos, 200 frequentam a sala de aula na escola própria da penitenciária, a Cebeja Nova Visão.

Quatro grades, com alturas diferentes, que chegam a quatro metros, separam o complexo da rua. Sete guaritas cercam o local. No pátio há três quadras de futebol e uma de basquete. Uma equipe multidisciplinar garante atendimento médico, odontológico, psicológico, de assistência social.

Foto: fachada da Penitenciária Industrial de Guarapuava (Rede Sul de Notícias)

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