22/08/2023
Blog da Cris Política

Denúncia de rachadinha no PL empalidece discurso anticorrupção no Paraná

Denúncia do Gaeco envolve a esposa do deputado estadual Ricardo Arruda e três ex-servidores por suposto esquema de rachadinha na Alep

Ricardo Arruda (Foto: reprodução Blog Politicamente)

A denúncia do Gaeco contra a esposa do deputado estadual Ricardo Arruda (PL) e três ex-servidores da Assembleia Legislativa do Paraná reacende o debate sobre a chamada “rachadinha”. Ou seja: uma prática em que servidores comissionados são pressionados a devolver parte dos salários a políticos ou pessoas ligadas ao gabinete. A Justiça recebeu a denúncia, que envolve suspeitas de concussão e lavagem de dinheiro.

De acordo com o Ministério Público do Paraná, os fatos teriam ocorrido entre 2018 e 2023 e envolveriam cerca de R$ 132,8 mil. A investigação aponta o uso de transferências bancárias, saques, depósitos em contas de terceiros, cartões de crédito e outros mecanismos. Ferramentas essas que, de acordo com a denúncia, teriam servido para dificultar o rastreamento dos valores.

Entre os denunciados estão Patrícia Miranda Arruda Nunes, esposa do deputado, além de Bruno Palazzo da Silva, Lucas Dorini Sabbato e André Felipe Cassineli Luiz. À época ocupavam cargos comissionados na Alep. Ricardo Arruda não aparece nesta nova ação penal porque, conforme o MP, já possui denúncia anteriormente em procedimento relacionado ao mesmo esquema.

RETÓRICA DESBOTADA

O caso tem forte peso político por envolver um parlamentar do PL, partido que passou a abrigar figuras associadas ao discurso de combate à corrupção. Esse tipo de denúncia empalidece a retórica moralizadora da sigla. Especialmente em um momento em que Sérgio Moro, símbolo nacional dessa bandeira, se filiou ao PL para disputar o governo do Paraná em 2026.

A crítica não significa atribuir responsabilidade a Moro pelo episódio. No entanto, evidencia uma contradição política: partidos e lideranças que constroem capital eleitoral em torno da ética pública precisam responder com mais rigor quando denúncias atingem os próprios quadros. O combate à corrupção perde força quando vira apenas discurso de palanque e não se traduz em controle interno, transparência e cobrança institucional.

Ricardo Arruda nega as acusações e afirma confiar na Justiça para absolver os envolvidos. A presunção de inocência merece respeito sempre. Mas a gravidade da denúncia exige apuração rigorosa. Quando agentes públicos transformam a estrutura do Estado em instrumento de benefício privado, o prejuízo não é apenas financeiro: é também moral, político e institucional.

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Cristina Esteche

Jornalista

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