Em 2017, mais de 450 mulheres foram amparadas pela Lei Maria da Penha

Em alusão a data, projeto educativo Lei Maria da Penha nas Escolas é lançado no terceiro planalto

A educação como ferramenta preventiva e transformadora na luta pelo fim da violência contra a mulher e pela igualdade de gênero. Este é o propósito do projeto Lei Maria da Penha nas Escolas, lançado nesta terça feira (7), pela Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres de Guarapuava, em parceria com o Núcleo Maria da Penha (Numape) e o Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (CRAM).

Em 7 de agosto, a lei que assegura as mulheres no Brasil frente a proteção de práticas violentas completa 12 anos. É essa lei que transforma, protege, assegura e abre portas para a implantação de discussões sobre a cultura do machismo e a desnaturalização da violência contra a mulher.

Em Guarapuava, no ano passado, a Polícia Militar recebeu 472 registros de boletins de ocorrências enquadrados nas especificidades da Lei Maria da Penha. Dessas mulheres vítimas de violências, algumas foram atendidas pela Secretaria, outras seguiram processo e outras apenas registraram o boletim, não dando seguimento ao processo.

(Foto: RSN)

Para transformar esse cenário, a comemoração da Lei no terceiro planalto marca o início de um projeto que trabalhará, sobretudo, com a educação e a prevenção. O projeto Lei Maria da Penha nas Escolas visa integrar as instituições de ensino às discussões sociais sobre respeito e direito a vida das mulheres, sem violência. Para isso, o universo completo da escola deve ser atendido, como explica a secretária de políticas públicas para as mulheres, Priscila Schran.

Esse projeto é uma das ações que nós temos que desenvolver dentro do plano municipal e já está há três meses sendo pensado pela Rede de Enfrentamento a Violência contra a Mulher, com uma equipe multidisciplinar. Ele vai ocorrer em três etapas, em um projeto piloto inicial. A 1º etapa será com professores e com a equipe pedagógica da escola para apresentarmos a Rede de Enfrentamento, formas de denúncia e como acessar os serviços de proteção as mulheres. O 2º momento será com pais, mães e responsáveis pelos alunos onde vamos falar sobre a desnaturalização da violência doméstica e no 3º momento vamos falar com as crianças para problematizarmos pequenos detalhes, ações em que reproduzimos estereótipos, comportamentos machistas.

Neste momento, três bairros, mapeados pela secretaria e pelo CRAM, receberão as ações desse projeto piloto. São eles: Residencial 2000, Vila Bela e Boqueirão. Estes locais são os bairros com maior incidência de violência contra a mulher, segundo estatísticas levantadas pela secretaria.

A metodologia utilizada deve ser discutida dentro do universo escolar, de modo que os integrantes dessa comunidade sintam e percebam a naturalização da violência contra a mulher e os modos mais efetivos e dinâmicos para o desnaturalizar. Tudo isso, considerando as diferenças de idade das crianças participantes. Segundo Camila Grande da Silva, coordenadora do CRAM, a ideia é que o projeto tenha continuidade efetiva e, quem sabe, possa ser incluído no planos de educação.

“Queremos estender o projeto à todas as escolas, não só municipais, e queremos incluir, também, se conseguirmos, no projeto político pedagógico das escolas para que fique na formação dos professores”, destacou.

Sobre a avaliação da Lei Maria da Penha e seus reflexos em Guarapuava, a secretária municipal atribui a articulação dos serviços de apoio e proteção às mulheres, a partir da criação e funcionamento desta lei.

“A Lei Maria da Penha é a responsável por tudo isso que estamos fazendo. É ela que diz o que é violência contra a mulher, é ela que diz que precisa ter delegacia especializada, que diz a função da autoridade policial, a função do Ministério Público nisso tudo. É ela o grande guarda-chuva da Rede de Enfrentamento a Violência contra a Mulher. Temos uma estrutura para realmente dar o suporte para as mulheres saírem do ciclo da violência”.

(Foto: RSN)

A primeira ação do projeto será no dia 24 de agosto, no bairro Residencial 2000. Além do lançamento do projeto nesta terça (7), o encontro sediou também a mesa redonda sobre a naturalização da violência e a apresentação da Rede de Enfrentamento a Violência contra a Mulher.

Participaram também do evento de lançamento no auditório da Faculdade Campo Real, a secretária de educação Doraci Senger Luy, a vereadora Professora Terezinha e a deputada Cristina Silvestri.

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