Essa união onde um ajuda o outro ele começou porque não tinha soberba

"No aeroporto, para se despedir ele apertou a minha mão e disse: 'cuide de tudo para nós' e partiu", relembra o assessor Cesar Ribas

“Essa união onde um ajuda o outro foi ele que começou porque não tinha soberba”, afirma empresário sobre Bernardo Ribas Carli (Foto: Ascom/gabinete parlamentar)

Os depoimentos são emocionados e os olhares se perdem no vazio trazendo à tona as lembranças. A voz se cala por segundos e o pensamento voa retrocedendo ao passado. Foi assim a minha conversa com amigos do ex-deputado Bernardo Ribas Carli, convidados pelo Portal RSN para falar um pouco sobre ele, nesse dia em que completam dois anos da morte trágica do ex-deputado guarapuavano.

Além das lembranças, o denominador comum entre todas as conversas foi o “sorriso do Bernardo, a humildade e a gana por atender as demandas da comunidade”. Pessoa humilde, que gostava de comidas simples como feijão com arroz, batata frita e omelete, como disse o assessor parlamentar Cesar Ribas de Lima. Ou pão com manteiga no café da manhã, como relembrou o empresário José Artur Hilgemberger Junior.

Assim, como qualquer outra pessoa, Bernardo só queria ser feliz. Se como político em ascensão conseguiu recursos para Guarapuava e Região, seu sonho pessoal era ter uma vida tranquila, casar e ter filhos. Conforme Cesar Ribas de Lima, que trabalhou com o ex-deputado durante oito anos, as demandas dos municípios tomavam conta da agenda parlamentar diária. “Muitas obras ainda estão sendo executadas com recursos que ele viabilizou e estão sendo entregues agora”.

Bernardo e Cesar (Foto: Ascom/Bernardo Ribas Carli)

LEGADO

A última delas foi o Hospital Regional do Centro-Oeste ‘Bernardo Ribas Carli’, inaugurado parcialmente na segunda (13). De acordo com Cesar Ribas de Lima, ele tomou isso como o maior objetivo como representante público. “Me conforta ver tantas coisas boas que ele fez em Guarapuava e na Região, que eu ainda percorro. Em todos os lugares que chego ele ainda é muito lembrado como um político de fácil acesso, que conversava com todos”.

Para dar conta dos municípios que atendia, assim como dos compromissos na Assembleia Legislativa, Bernardo não media esforços nas incansáveis agendas, que começavam às 7h da manhã e não tinham hora para acabar. De acordo com a jornalista Cristina Rocha Sens, que o acompanhou por sete anos, era uma rotina que ia além do gabinete. Incluía reuniões com Governador, secretários de Estado, dias sem almoço e extenuantes viagens para a Região.

Eu chegava em casa zonza, mas nunca vi o Bernardo reclamar. Os quilômetros na estrada ele aproveitava para relembrar os recursos viabilizados para cada cidade, projetos e anotar os encaminhamentos que ele mesmo teria que fazer.

Conforme Cristina, muitas vezes na estrada ele também dormia. “Outras tantas tivemos o nosso jantar dentro do carro, durante os deslocamentos. Era sanduíche natural levado de casa numa caixa térmica. Bernardo gostava de cuidar da saúde. ‘Vocês sabem que uma latinha de refrigerante tem esse tanto de açúcar’, perguntou certa vez, sinalizando uma grande quantia com os dedos”.

Cristina Sens, Bernardo, Ana Rita e Fernando Carli (Foto: Cristina Sens)

De acordo com a jornalista, Bernardo adorava acompanhar esporte. “Nem que fosse através do rádio, que era como dava nos dias de agendas mais intensas”.

Preocupado com o seu desempenho político, não hesitava em perguntar: “Cris, pegou fotos boas?”, “O que acharam do meu discurso?”. Assim, ele sempre perguntava “a nós assessores, com humildade, preocupado em se fazer entender pelo público, em passar a sua mensagem de trabalho, de alegria e de esperança. Gostava muito de estar com as pessoas, de ver e ainda mais de participar de conquistas públicas por menores que fossem, pois o animava cada melhoria na vida das pessoas”.

De acordo com Cristina Rocha Sens, amoroso com a família, Bernardo se emocionava ao falar do pai, o ex-prefeito Fernando Ribas Carli e tinha muito orgulho da mãe, a Ana Rita. Amava o irmão Fernando Carli Filho. Era, acima de tudo, um jovem de fé. Tinha no espelho do carro um terço e em toda viagem fazia a oração com o sinal da cruz.

No dia em que partiu, inclusive, carregava um terço no bolso da calça, que foi recolhido junto aos seus pertences e entregue à família. Bernardo tem um caminho de luz, e nós, boas lembranças e saudade.

“ELE ERA UM GRANDE ARTICULADOR”

Odacir Antonelli (Foto: Cristina Esteche/RSN)

Para o empresário Odacir Antonelli, Bernardo era um articulador nato. “Ele motivou a união dos nossos políticos pelo bem-comum, graças a sua humildade”. De acordo com o empresário, na agenda das sextas, quando vinha a Guarapuava, havia um encontro marcado para um café entre ambos. “Ele era uma pessoa de bem de com a vida, comprometido com a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Nunca deixou ninguém abandonado.

Conforme Odacir Antonelli, as obras do bairro planejado ‘Cidade dos lagos’, do Shopping, da PR-466 têm a participação do ex-deputado.

“Ele sempre esteve junto e quando alguma coisa fugia do seu alcance na esfera política, não faltavam palavras de apoio, de incentivo. Guarapuava perdeu muito com a sua morte, mas são os desígnios de Deus que estão escritos e não conseguimos mudar as coisas delineadas pelo Soberano. Ele se foi e ficou a saudade e o carinho. O mesmo afeto que tenho pela sua família”.

“O SEU OLHAR ERA VERDADEIRO”

José Artur (Foto: Junior Guimarães/RNS)

Olhar verdadeiro, tratamento igual à todas as pessoas, comprometimento e consideração. Essas virtudes traduzem quem foi Bernardo Ribas Carli na visão do empresário José Artur Hilgemberger Junior. De acordo com o empresário, ainda nas gestões do ex-prefeito Vitor Hugo Burko, como então secretário de Finanças, era adversário político de Fernando Carli.

Porém, um dia precisou falar com o já deputado Bernardo. “Pedi que o ex-vereador Valtair Alberti intermediasse uma conversa com o Bernardo. Eu precisava pedir apoio para a filantropia do Hospital Santa Tereza”. Conforme Zé Artur, 10 minutos depois houve uma ligação telefônica que marcaria o início de uma “amizade ímpar da minha vida”, como foi descrita pelo empresário. Várias foram as manhãs de café com pão e manteiga na casa do empresário.

A humildade morava no Bernardo. A forma e o carinho com que ele tratava as pessoas, desde o grande empresário, até as pessoas mais simples, eram exatamente iguais. Ele não fazia nenhuma distinção.

Um dos exemplos citados por José Artur e que comprova o que ele diz, é a união construída entre as lideranças políticas de Guarapuava. “Essa união onde um ajuda o outro foi ele que começou a construir porque ele não tinha soberba. Só queria o bem das pessoas”.

Entretanto, uma das coisas que mais marcaram o empresário foi o olhar verdadeiro do ex-deputado. “Ele tinha um olhar verdadeiro. A verdade estava ali, estampada, agradasse ou não. Também nunca deixou de dar um retorno, de atender as pessoas. Sei que o pai, Fernando Ribas Carli, que se tornou meu amigo por intermédio de Bernardo, é uma grande político. A história diz isso, mas o Bernardo seria muito melhor. Pena que o tempo não permitiu isso”.

Porém, nesses dois anos de ausência, para o empresário, o “Fala, Zé” que ouvia sempre que se falavam ficou como marca. “Agora quando passo em frente à casa onde morava é a minha vez de dizer ‘Fala, Bernardo’. Porém, sem resposta”.

OS AMIGOS DA QUINTA

Edson Ono (Foto: Arquivo Pessoal)

“Nosso amigo Bernardo. Parece que foi ontem que estávamos participando da nossa confraria de amigos. Como o tempo passa, e você está tão presente em nossas memórias e sempre com aquela imagem de um garoto alegre e em alto astral. Falar de você, duraria o dia inteiro, mas em um breve resumo. Seu jeito sempre educado e na sua simplicidade de conversar e sempre estar entre os amigos. Mesmo corrido com seus compromissos, sempre dava um jeito de reencontrar os amigos.

Na sua breve passagem entre nós, o legado que nos deixa é o exemplo de dedicação no que faz e sempre preocupado com a família e a nossa comunidade. E utilizando de suas atribuições como Deputado, sempre incansavelmente trazendo recurso para a nossa Cidade e Região. O seu nome no nosso Hospital Regional, é sim uma justa homenagem à nossa cidade e também para as novas gerações lembrar do ‘Jovem Bernardo’ o esforço e dedicação que teve a frente de nossa comunidade. E nesta data, o Oriente Eterno com certeza está em festa , pois onde você passa deixa a sua simpatia e alegria. Saudades eternas de seu amigo”.
(Edson Ono e toda a turma da quinta).

“TINHA UM CORAÇÃO DE MENINO”

A amiga Larissa Kunts (Foto: Arquivo Pessoal)

“Os bons morrem jovens”. Essa frase nunca fez tanto sentido. Talvez o Bernardo já tivesse aprendido o que o resto de nós, por mais tempo que tenhamos, nunca aprenderemos. Ele foi um grande homem, uma das melhores pessoas que já conheci. Cumpriu seu papel nessa vida, e continuará sendo nas outras que virão. Mas, mais do que as coisas que todos sabem, o Bernardo era alegre, divertido, engraçado. Tinha um coração de menino, e mesmo depois de um dia de trabalho, não perdia uma oportunidade de fazer festa com os amigos e aproveitar as boas coisas da vida.

Muito confiante e decidido, ele não tinha medo de expor sua opinião, e até de dar bronca quando necessário, mas sempre o fazia de forma cuidadosa. Como era cuidadoso. Com tudo e todos a sua volta. Ele sempre despertava o melhor em cada pessoa. E essa é a maior lembrança que ficou pra mim. Ele me fez ser uma pessoa muito melhor no tempo em que estivemos juntos. E hoje eu levo todos os ensinamentos e conselhos dele no meu coração. E assim sei que ele continuará cuidando de mim de onde estiver”. (Larissa Kunts)

“MUITOS CONHECERAM O DEPUTADO, MAS EU CONHECI O AMIGO

Marcelo e Bernardo (Foto: Arquivo Pessoal)

“Com um aperto enorme no meu coração, se torna difícil falar de uma pessoa excepcional e que foi um grande amigo. Sempre que podia passava no meu escritório para tomar um café. Muitas vezes conversarmos rapidamente porque ele sempre estava com pressa para cumprir sua agenda, e atender o povo. Perguntava minha opinião como empresário e construtor e demonstrava uma grande preocupação com o povo e com o progresso da cidade.

Muitos conheceram o deputado. Mas eu conheci o amigo Bernardo, pessoa simples, educada, agradável e trabalhadora. Lamento muito sua passagem desta vida. Tenho certeza que ele faria muito por Guarapuava e Região. Hoje espero que seu nome seja reconhecido por todo seu trabalho e progresso que ele trouxe para nossa cidade. Então todos nós devemos ser muito agradecidos por esse grande homem que eu pude chamar de amigo”. (Marcelo Guaraenge)

“ERA UMA DAS GRANDES ESPERANÇAS DA POLÍTICA”

Deputado Alexandre Curi (Foto: Ascom/gabinete parlamentar)

“Bernardo Carli era uma das grandes esperanças do futuro da política paranaense. Sua morte prematura deixou grande lacuna nos meios políticos e impediu o povo paranaense de continuar tendo acesso ao grande potencial criativo de nosso amigo. Um jovem de ideias brilhantes, comprometido com os ideais que defendia e, especialmente, com sua querida Guarapuava e Região. Sua morte deixou a política mais triste, mais carente de juventude e de arrojo”. (Deputado Alexandre Curi)

“DEIXOU UM GRANDE LEGADO”

Bernardo e Santin Roveda (Foto: Divulgação)

“Falar do Bernardo desperta a emoção e a saudade de uma pessoa ímpar. Ele deixou uma marca de positividade. Onde ia fazia amigos. Lembro que ele veio no aniversário do meu filho e quando chegou na festa não conhecia ninguém. Porém, em poucos minutos estava conversando com as todas as pessoas. Olhando nos olhos de cada uma, dando atenção. Bem no estilo Bernardo. Uma pessoa carismática, daquelas que não se vê em qualquer lugar. No Paraná, no Brasil, será difícil achar alguém com o caráter que ele tinha. Era um apaziguador. Tinha uma serenidade, uma habilidade política que vem de berço. Era uma pessoa leve e aprendi muito com ele. É a minha grande inspiração, mas não chego nos pés dele.

Um dia perguntei porque tinha entrado na política e disse que além dele gostar muito, tinha no pai uma figura que merecia ter continuidade do trabalho como prefeito de Guarapuava, deputado, chefe da casa Civil. O Bernardo pegou o legado do pai e agora o deixou para a sua família. Desde que o conheci, em pouco tempo se tornou o meu melhor amigo. Então a sua morte foi uma perda gigante, pois também era o deputado de União da Vitória, da Guarapuava e da Região”. (Santin Roveda – prefeito de União da Vitória)

“ERA UM POLÍTICO HUMANO”

Jerônimo e Bernardo (Foto: Ascom/Prefeitura de Turvo)

“O sorriso sempre estampado no rosto, sempre buscando soluções para as demandas do município. É essa a lembrança que o Bernardo deixou e que faz muita falta. Nunca nos deixou sem respostas e se empenhou ao máximo para que todas fossem positivas. Era muito humano e vibrava com as conquistas, pois sabia que os maiores beneficiados eram o povo. Essa era a grande preocupação de Bernardo. Político habilidoso, articulador. Desses políticos que honram a classe. Ele se foi, mas os seus feitos, as suas conquistam imortalizam a sua breve passagem entre nós. Turvo deve muito a ele”. (Jerônimo Gadens do Rosário – prefeito de Turvo)

“SER HUMANO ESPECIAL”

Joelma, Bernardo e Ana Rita (Foto: arquivo pessoal)

“O Bernardo sempre foi um ser humano especial. Para além do cargo público que exercia, ele extrapolava simplicidade, humildade, com um coração generoso e aquele sorriso sempre aberto que cativava a todos”. (Joelma Baitel – jornalista)

O ÚLTIMO PEDIDO

Eram as primeiras horas da manhã do dia 22 de julho de 2018. Como costumeiramente fazia, Bernardo e assessores tomam o café da manhã na Panificadora Alvorada, ali na Avenida Moacir Silvestri, em Guarapuava. Ele pede um misto quente e conversam sobre os últimos ajustes para a viagem. Bernardo estava indo à uma festa em União da Vitória.

Cesar Ribas, o ‘fiel escudeiro’, ao lado de Cristina Sens, a assessora de imprensa, disse que iria junto. Bernardo recusou. Estava escrito nas estrelas.

“A lembrança mais forte que tenho ainda é do dia 22 de julho de 2018, quando peguei ele em casa, tomamos café da manhã com misto quente na panificadora. Em seguida fomos até o aeroporto planejando as ações da próxima semana. No aeroporto, para se despedir ele apertou a minha mão e disse: ‘cuide de tudo para nós’ e partiu”.

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