Fazendo parte do corpo de observadores internacionais, professor da Unicentro denuncia farsa das eleições em Honduras

Guarapuava – (Por Najla Passos – ANDES-SN)

As eleições presidenciais em Honduras, realizadas no domingo (29), foram mais uma farsa armada pela ditadura militar que governa o país, e que contaram com o apoio decisivo da mídia local e internacional. Quem afirma é o professor do Departamento de História da Universidade Estadual do Centro-oeste do Paraná e diretor do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior – ANDES-SN, Hélvio Henrique Mariano, que está em Tegucigalpa participando de uma missão de observadores internacionais convocada para acompanhar o pleito.
“Menos de 30% dos eleitores foram às urnas, em uma clara demonstração de que a população do país não aceita a destituição de Manoel Zelaya, o presidente deposto pela ditadura militar. Ontem, a caravana convocada pela Frente Nacional de Resistência Popular Contra o Golpe de Estado – FNRP lotou as ruas da capital Tegucigalpa, concentrando-se em frente à Embaixada Brasileira e pedindo a volta de Zelaya ao poder”, relata.
De acordo com o professor, na frente da Embaixada Brasileira existe um forte aparato de segurança, com dezenas de homens do exército, policiais, tropa de choque e equipamentos contra manifestação, como carros de jato d’água e bombas de gás. “Por mais de seis horas os manifestantes permaneceram no local, até a chegada de centenas de militares que obrigaram a multidão a se dispersar”.
Hélvio Mariano ressalta que, por todos os lugares em que a caravana passou, a população saía às ruas gritando “não votamos”, com as mãos erguidas, exibindo os “dedos limpos”. “Em Honduras, os eleitores que votam têm os dedos marcados com uma tinta que leva pelo menos 24 horas para sair. Por isso, a exibição dos dedos limpos se tornou a marca tradicional da resistência contra a farsa eleitoral apregoada como vencedora pelo regime de fato que governa o país”, explica.
Para o professor, é preciso colocar os resultados do pleito em suspeição porque a fragilidade do esquema eleitoral em Honduras permite a manipulação de dados e a realidade verificada nas ruas contrasta com as informações divulgadas pela ditadura que governa o país. Ele lembra ainda que a FNRP monitorou a votação em todo o país, durante todo o dia 29/11, concluindo que o número de abstenções ficou entre 60% e 70%, o mais alto índice da história.
“Existem mais de oito mil mesas eleitorais espalhadas por Honduras, e os votos ainda são em cédulas impressas em papel. Após o fim da votação, cada seção eleitoral apura seus votos e o presidente da mesa eleitoral informa o resultado final por telefone celular a uma central de processamento de dados que fica na capital Tegucigalpa”, esclarece, acrescentando que é o próprio exército golpista que guarda urnas e cédulas.

Bloqueio midiático
Enquanto a população de São Pedro Sula era duramente reprimida pelo Exército Hondurenho, no domingo, e os manifestantes de Tegucigalpa enfrentavam o mesmo Exército, na segunda-feira, a mídia local e internacional declarava que o pleito se passara na mais perfeita ordem e comemorava os números apresentados pela ditadura que induziam a um índice recorde de participação dos eleitores.
Hélvio afirma que, durante o domingo, percorreu várias zonas eleitorais de Tegucigalpa para observar a movimentação. “Nas portas de cada seção, pelo menos dois soldados fortemente armados faziam a segurança, enquanto outros rondavam a região. No total, havia mais de 10 mil soldados do Exército só nas ruas da capital. A população estava atemorizada, principalmente em função das prisões ocorridas no dia anterior. Foi isso o que resultou em uma falsa aparência de tranqüilidade para os observadores menos atentos”, explica.
Em Honduras, o “La Prensa”, de São Pedro Sula, há três dias vêm bradando que o país não deve permitirá a intromissão do presidente venezuelano, Hugo Chaves, que já declarou que não irá reconhecer o resultado das eleições. O jornal “Tiempo”, do mesmo município, estampa na edição desta terça-feira (1/12) a vitória do candidato conservador Porfírio Lobo. O direcionamento da manchete se repete em “El Heraldo” e “La Tribuna”, ambos de Tegucigalpa.
O norte-americano “New York Times” destaca a crise política em Honduras como mais uma dor de cabeça para a política de Obama na América Latina, em referência ao fato de que o governo dos Estados Unidos já reconheceu oficialmente a eleição de Lobo. Já o “Wall Street Journal” alertou que a aceitação internacional do novo governo não está garantida e que, para isso, espera-se o “apoio crucial dos EUA”. A “Economist” foi a única a nadar na maré contrária, alertando que a aceitação da estratégia dos golpistas pode abrir um perigoso precedente na América Latina.
O maior jornal brasileiro, “A Folha de S. Paulo”, defendeu em editorial, na segunda-feira, que o governo Lula reconheça o novo presidente eleito de Honduras. Na matéria sobre o assunto, que ocupa a primeira página da Editoria Internacional, destacou a manchete “Brasil se divide sobre eleições em Honduras”, embora tanto o Itamaraty quanto o presidente Lula mantenham a posição de não reconhecer os resultados das eleições do domingo.
A edição do jornal desta terça-feira é ainda mais generosa com o tema. Reserva três das quatro páginas do caderno internacional às eleições Hondurenhas. A última ressalta as eleições uruguaias, também ocorridas no domingo. As manchetes revelam à tendência do jornal de aceitar a versão imposta pela ditadura: “Zelaya é história, diz presidente eleito”, “EUA reconhecem Lobo como presidente” e “Brasil já começa a recuar sobre eleição hondurenha”.

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