“Ficou nítida a dissimulação do réu preso”, diz advogado de família Spitzner

Luis Felipe Manvailer relatou em rede nacional o momento em viu apenas mãos de Tatiane antes de ela cair pela sacada do apartamento deles

Manvailer durante entrevista à Rede Record (Foto: Reprodução/Domingo Espetacular)

Faltam apenas três dias para o que pode ser um dos maiores julgamentos da década no Brasil, devido a complexidade. Luis Felipe Manvailer, preso há mais de 850 dias, sob a acusação de matar a então, esposa Tatiane Spiztner, mantém desde o início do caso, a tese de suicídio.

Pela primeira vez, desde a prisão ele falou sobre o caso. Reiterou a versão de que ela teria se jogado da sacada do quarto andar. Contou, o momento em que viu ‘apenas as mãos de Tatiane’ antes de ela cair da sacada do edifício, no Centro de Guarapuava.

Sobre a entrevista, os advogados de Tatiane se posicionaram. Em nota, afirmaram que:

Ficou nítida a dissimulação do réu preso. Além de estranhamente não se recordar dele agredindo sua esposa, não sabe dizer por que seus advogados não entregaram a senha de seu celular e não comentou os Laudos do IML que comprovam cientificamente que ela foi assassinada por asfixia.

De acordo com o relato do réu, ele viu o momento em que Tatiane passou as pernas por cima do parapeito da sacada.

Naquele momento, simplesmente parece que o tempo parou, eu não sentia minhas mãos, não sentia minhas pernas. Eu só gritava: Tatiane, não, Tatiane. Eu olhei para baixo, para desviar dos móveis, corri o mais rápido que podia. Quando eu olhei de novo, só estavam as mãos dela.

Ele destacou o momento em que viu a mão dela soltando. “Parecia um filme de terror”. O réu disse ainda que lembra de ‘flashes‘ da noite. Afirmou que não pretendia fugir, e que apenas dirigiu sem rumo. Sobre o fato de limpar o sangue do corredor e do elevador, ele afirmou que foi chocante ver o sangue da esposa. “Modéstia parte, eu não sou burro, inclusive na entrada, eu falei: ‘nossa de câmeras aqui’, eu nunca ia querer ver essa imagem”.

Sobre os laudos emitidos pelo Instituto Médico Legal, o réu questionou o responsável na época. “Como defensor da ciência eu sempre soube que a ciência podia responder e demonstrar, começando pela capacidade técnica de se fazer uma avaliação desse porte. Questiono quem fez essa perícia. Foi um médico? Até onde eu sei, foi o seu Obadias, se não me engano esse senhor Obadias tem muitas contradições no que ele afirma, de uma maneira que ele não poderia afirmar, de maneira impossível que acontecesse. Não sei porque este senhor fez esse laudo de forma ilegal, e até onde eu sei, a reputação dele é horrível”.

Sobre os laudos do IML, a defesa de Tatiane afirmou que os laudos foram assinados pelo médico legista João Dias Júnior, “sem relação com o Obadias”. O Portal RSN, procurou Obadias de Souza Lima Junior e ele enviou uma nota.

Fico extremamente decepcionado com os advogados de defesa do Sr. Luiz Felipe Manvailer, pois os mesmos representam um dos maiores escritórios de advocacia do Brasil o qual eu admirava imensamente e acredito que são muito melhores do que isso ou estão extremamente desesperados. Este servidor espera ansiosamente discutir medicina legal durante o júri e não sobre minha vida pessoal .

Quanto as declarações sobre minha reputação vindo de um réu acusado de feminicídio é extremante normal, pois estranho seria se mesmo se referisse a mim com elogios, pois através de meu trabalho a verdade está vindo à tona e justiça está sendo feita, e um acusado continua preso.

Na semana passada, os advogados de defesa de Luis Felipe, afirmaram que ele estava em paz. Outro desdobramento também movimentou o caso, quando advogadas que atuam a favor dos direitos da mulher em distintos estados brasileiros, se apresentaram para auxiliar a defesa do acusado.

MENSAGENS

Durante o fim de semana, a defesa de Manvailer divulgou uma perícia feita pelo Instituto de Criminalística do Paraná a partir da extração de dados do notebook de Tatiane. De acordo com o texto ela mantinha pensamentos suicidas frequentes e passava, aparentemente, por quadro agudo de depressão.

Pelas mensagens divulgadas pela defesa de Manvailer, no período em que morou na Alemanha, junto com o marido em 2014, Tatiane por diversas vezes revelou ao marido o desejo de “acabar com a própria vida”. Em contrapartida, a família de Tatiane divulgou, no fim da noite de ontem, conversas de celular entre os dois, onde Tatiane reclama do comportamento de Manvailer.

JÚRI

No dia 17 de maio de 2019, a Justiça determinou que o réu ia a júri popular. Em 20 de julho de 2020, a Justiça novamente se manifestou. Desta vez, pediu o agendamento do júri. Por fim em 14 de setembro de 2020 a data ficou definida. O Tribunal do Júri está agendado para os dias 3 e 4 de dezembro.

O caso, que teve repercussão internacional, movimentou a opinião pública e ganhou notoriedade em todos os setores da sociedade pode ser um dos maiores júris da década no Brasil. Isso porque o processo é complexo, e o inquérito e a instrução conflitam.

Confira a reportagem completa aqui.

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