Filhos (foto) de vítima denunciam secretário de Obras que cobrou R$ 12 mil por internamento pago pelo CIS

Campina do Simão – Os filhos de Mário Ribeiro Farias querem justiça. Depois do pai ter poupado uma quantia em dinheiro para poder pagar internamento se houvesse necessidade, já no fim de sua vida, descobriram que foram enganados pelo atual secretário de Obras do município de Campina do Simão, Flávio Carpenedo. Ele cobrou R$ 12 mil por um internamento que foi pago pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
“Meu pai e nós confiávamos nele. Cada filho pagou uma quantia que somou os dias de internamento particular. Mas agora descobrimos que ele deu um jeitinho e a Prefeitura de Campina do Simão pagou toda a despesa. Onde foi parar o dinheiro que repassamos para ele? Como que um homem público engana o povo desta maneira? Queremos que os responsáveis por estes crimes e infrações sejam punidos na forma da lei”, esbraveja um dos sete filhos, Robério Almeida Farias (foto).
Mário de Almeida Farias adoeceu e foi internado no Hospital São Vicente de Paula, em Guarapuava, de 10 a 22 de abril deste ano. Foram 12 dias de tratamento, mas o paciente não resistiu e morreu. Após a morte, ao fazer a avaliação do espólio, os herdeiros desembolsaram R$ 12 mil para quitar as despesas com o hospital. Mas passados alguns meses receberam a informação de que a conta tinha sido paga pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde (CIS). Os R$ 11.725 foram pagos em quatro parcelas de R$ 2.931,25, nas datas de 26 de junho, 28 de julho, 11 de setembro e 1º de outubro de 2009. A declaração cedida pelo hospital foi encaminhada em anexo ao Ministério Público.
O promotor público Willian Gil Pinheiro Pinto informou que recebeu a declaração de um dos filhos, Robério Almeida Farias, e que serão feitas algumas avaliações para ver se será instaurado um procedimento. “Se for instaurado serão feitas várias diligências para aprofundar e avaliar. Tendo certeza dos fatos, veremos o que é cabível no caso”, explicou.
Os filhos alegam que além da lesão ao patrimônio particular a que teriam direito houve também lesão do patrimônio público. “Tínhamos condições de arcar com os custos do tratamento. Com este valor a Prefeitura poderia prestar atendimento a várias pessoas carentes, porque o que não falta no nosso município são pessoas necessitadas. O prefeito fala em discurso da crise, mas quando uma pessoa pode pagar o dinheiro some e ainda pegam a ajuda do governo”, diz Robério.
Os herdeiros e outros cidadãos, revoltados com a situação, procuraram a vereadora Marilete Krankel (PSB), que entrou com pedido de informação junto à Câmara Municipal de Campina do Simão. “Pela gravidade da denúncia, o poder público tem que explicar para a população o procedimento do secretário de Obras, com a conivência da Secretaria de Saúde”, observou.
Na manhã desta quinta-feira (3), na primeira reunião extraordinária de 2009, o Legislativo negou o pedido de informação da vereadora, por seis votos a dois. Os vereadores que votaram contra alegaram que se trata de uma briga de família, devido ao fato de o secretário de Obras, Flávio Carpenedo, ser casado com uma das filhas de Mário Ribeiro Farias.
Revoltado, no meio da sessão um dos filhos grita: “seis vereadores apóiam o roubo”, após se retira indignado. Renilda Farias Palermo, uma das herdeiras, também não se contém e interrompe os vereadores: “Flávio Carpenedo mentiu no hospital que o meu pai morava com ele porque não tinha nem onde morar. Ele acabou com a moral da família. Meu pai tinha 50 alqueires de terra”. Após suas declarações foi aplaudida pelos presentes que acompanhavam a sessão.
O vereador Antônio Alberto Ferreira Ribas, que votou favorável ao pedido, confortou o público que acompanhava a extraordinária dizendo que agora estava nas mãos do Ministério Público. “Não sei como vou explicar para aos meus eleitores o que foi decidido aqui hoje”, lamentou.
Em entrevista, o atual secretário municipal de Saúde, Josmar Soares, alegou não poder dar maiores explicações sobre o assunto por ter assumido o cargo dia 1º de setembro. Quem respondia pela secretaria na época era Wagner Lamonica Fernandes.
O presidente do Legislativo, Lenor Zanella, assegurou que irão convocar o secretário de Obras, Flávio Carpenedo, para comparecer à Câmara e dar explicações. “Vamos convidar, mas não sei se ele vai comparecer”, afirmou.
A TRIBUNA procurou Flávio Carpenedo no gabinete e em sua residência mas não o encontrou. Foram deixados recados para que entrasse em contato, mas ele não retornou.
Sua esposa, Marilda Almeida Carpenedo, pediu desculpas para o povo de Campina do Simão: “Aquele que não deve nada que atire a primeira pedra”, declarou.

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