Fim de semana é marcado por suicídios em Guarapuava e Região

Os casos de suicídio atingem pessoas de todas as idades e nem sempre as pessoas mais próximas percebem que algo está errado

Fim de semana é marcado por suicídios em Guarapuava e Região (Foto: Reprodução/Pixabay)

Um mal que atinge a humanidade e que não pode ser deixado de lado. A depressão, a desesperança e os transtornos têm afetado muitas pessoas, e piorado com a pandemia do coronavírus. O mês setembro amarelo faz um alerta para o tema, que infelizmente voltou a ter destaque no fim de semana. Nesse domingo (20) um idoso de 72 anos se enforcou em Candói.

De acordo com a Polícia Militar, por volta das 12h desse domingo (20), o filho de Elimo Carra de 72 anos, relatou que o pai se enforcou na Localidade de Fartura, interior do município de Candói. O filho afirmou que o pai fazia tratamento para depressão e Alzheimer há determinado tempo. Conforme o filho, Elimo fazia uso de medicamentos e estava com a saúde sob controle aparentemente.

Entretanto, ele relatou aos policiais que pouco antes do almoço, o pai saiu de casa sem ser percebido. Ao sentirem a falta dele, o procuraram para servir o almoço. A nora encontrou o sogro já sem vida em um galpão utilizado para guardar ferramentas e ração para os animais. O Instituto Médico Legal (IML) de Guarapuava recolheu o corpo, que deu entrada às 17h33 no instituto.

Conforme a Central de Triagem, o velório ocorre na igreja de Candói. O sepultamento está marcado para às 17h, no Cemitério Municipal de Candói.

JOVEM 24 ANOS

Ainda nesse domingo (20), uma jovem de Paranaguá que estudou em Guarapuava, atentou contra a própria vida. Conforme informações de redes sociais, a jovem Thamirez Rodrigues dos Santos, de 24 anos sofria de depressão. Pessoas próximas dela, informaram que ela demonstrava estar bem. Thamirez cursou direito no Centro Universitário Campo Real.

De acordo com a Central de Triagem, a jovem morreu no Hospital Regional do Litoral/Paranaguá. Entretanto, o velório ocorre em Guarapuava, na Capela Mortuária Municipal, no bairro Santa Cruz. O sepultamento está marcado para às 17h em Cemitério a ser definido.

HOMEM 33 ANOS

No sábado (19), um homem de 33 anos cometeu suicídio em Guarapuava. Assim, a mulher de Alisson de Almeida o encontrou enforcado em casa, no Distrito de Entre Rios. Equipes médicas até tentaram reanimar o morador, mas não conseguiram. Alisson era estudante do 1º ano de Filosofia da Unicentro. Conforme a Assistência Estudantil, “com o  advento da pandemia, a Unicentro disponibilizou uma plataforma de acesso a atendimentos de psicologia para os alunos”.

Assim, os estudantes que tiverem interesse ou apresentarem algum sintoma psicológico, podem acessar a plataforma: evento.unicentro.br e inscrever-se para receber atendimento psicológico. De acordo com a Assistência Estudantil, estagiárias entrarão em contato e um dos psicólogos do grupo fará o atendimento on-line ou presencial.

Além disso, de acordo com a professora Carla Vestena, membro da Coordenadoria da Assistência Estudantil (COORAE), para prevenir tentativas de suicídios ou suicídios, amigos, familiares e pessoas próximas devem ficar atentos às mudanças de comportamento.

Entre elas, isolamento não respondendo mais as pessoas, eles deixam de fazer as atividades de lazer que costumavam fazer, depressão. As pessoas deixam de se cuidar, apresentam preocupação excessiva com a própria morte. E relatam para família vontade de desaparecer ou que são um peso para a família.

Conforme a coordenadora da COORAE, professora Regiane do Curso de Enfermagem, os sinais de alerta precisam ser levados a sério pelas pessoas. “Quem está passando por uma situação destas ou conhece alguém assim, pode ajudá-lo a procurar ajuda. Falamos de sofrimento psíquico/emocional muito grande e que levam as pessoas a procurar a própria morte como tentativa de solução de acabar com esta dor”.

Desta forma, a Coordenadoria da Assistência Estudantil afirma que é preciso levar a sério as queixas e deixar de depreciar quem apresenta estes sintomas, dizendo que só querem chamar a atenção. “Este tipo de atitude somente piora a situação emocional destas pessoas. Ajude estas pessoas a buscarem ajuda, se não souberem como, ouçam suas queixas. Eles não buscam conselhos ou julgamentos, mas alguém que ouça suas queixas seus tormentos”.

ALERTA

Assim, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, mais de 18 milhões de brasileiros sofrem com transtornos de ansiedade. Isso deixa o país como o mais ansioso do mundo. O Brasil também é o quinto país com maior número de casos de depressão, um total de 12 milhões de pessoas.

O surgimento do novo coronavírus intensifica esse cenário. Já que os níveis de estresse e preocupação aumentaram consideravelmente desde o início da pandemia.

‘GUARAPUAVA SALVANDO VIDAS’

O idealizador do projeto Guarapuava Salvando Vidas, Arthur Mondin, notou que ao se mudar para Guarapuava, o município necessitava de algo para prevenir e ajudar alguém quando tudo parece estar perdido. Nesse sentido, ele criou a plataforma via atendimento por chat com voluntários.

Assim, o atendimento permite um público maior de pessoas pela facilidade de acesso. Desta forma, desde 2013, os resultados foram surpreendentes. Só em 2020, o serviço atendeu mais de 450 pessoas. Além disso, muitas mensagens chegam quando um voluntário não está on-line. De acordo com Arthur, a faixa etária é abrangente.

Quantidade de jovens de 10, 11, 12 nos procura é muito grande. É surpreendente você conversar com uma criança, que já pensa em morrer. Até 2013, essa faixa etária não era comum. É uma realidade difícil, mas é um fato.

O atendimento on-line é de domingo a sexta, das 19h às 23h e no sábado, das 19h às 22h. De acordo com Arthur, os voluntários farão de tudo para ajudar para que, a vida seja preservada.

VOLUNTARIADO

São apenas 10 voluntários no projeto até o momento. Porém, é preciso de mais pessoas dispostas a ajudar o próximo. Assim, quem estiver disposto, é só entrar no site e mandar uma mensagem no campo informado e aguardar o contato. Quem quer ser voluntário, não entra no programa sem um treinamento para participar.

Por fim, conforme Arthur, é feito um curso de 30 horas de treinamento prático e noções teóricas.

CVV

Outro canal de ajuda é o Centro de Valorização da Vida (CVV), que atende voluntariamente e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail, chat e voip 24h, todos os dias. O número é o 188 e também é possível acessar o site para chat.

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