Implantação de colégio militar divide opiniões em Guarapuava

Audiência pública nesta quinta (23) vai debater o tema

(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Uma audiência pública nesta quinta (23) a partir das 18h, na Câmara de Vereadores em Guarapuava, terá no centro do debate a implantação de um colégio militar na cidade.

Convocada pela deputada estadual Cristina Silvestri (Cidadania), com apoio de outras lideranças políticas, o aval para que a cidade tenha um colégio nesses moldes foi dada pelo secretário de Estado, Renato Feder, já no dia 21 de fevereiro deste ano. Segundo a deputada, a localização estratégica de Guarapuava beneficiará mais de 20 municípios que integram a Região.

“Um dos focos e destaques destes colégios é a prevenção do envolvimento de crianças com drogas e crime organizado. Implantações destas unidades em outras cidades mostram mudanças no comportamento das crianças, valorização dos professores e também da instituição”.

De acordo com informações levantadas pelo Portal RSN, o colégio traz a filosofia e a conduta militar ao ensino fundamental e ensino médio. Geralmente, os alunos são filhos de militares que têm o direito de matricular familiares sem processo seletivo, e estudantes que ingressaram na instituição através do processo seletivo, que é feito todos os anos, com vagas abertas para a 6ª série do ensino fundamental e 1º do ensino médio.

Propondo uma educação de qualidade, os colégios militares têm disciplina rígida e uniformes padronizados. Alunos indisciplinados não são aceitos na instituição e até pequenos descuidos, como entrar na escola com o cabelo desarrumado, podem causar a expulsão de um estudante. Essa rigidez é elogiada pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, que defende a implantação do regime em áreas violentas.

Cada aluno possui 10 pontos em sua conduta dentro da escola. Porém, quando essa nota chega na casa dos quatro pontos uma comissão decide sua permanência ou expulsão do colégio. Uma reportagem divulgada pelo Estado de São Paulo, ainda durante a última campanha eleitoral, mostrou que cada aluno de colégio militar custa ao País três vezes mais do que quem estuda em escola pública regular. Se um aluno da escola pública custa R$ 6 mil por ano, esse valor salta para R$ 19 mil por estudante de um colégio militar.

“Se todos os alunos de 11 a 17 anos estivessem matriculados em instituições militares, seriam necessários R$ 320 bilhões por ano, o triplo do orçamento do Ministério da Educação (MEC)”.

O desempenho dos alunos das escolas do Exército em avaliações nacionais é, de fato, superior ao restante das escolas. No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a média é maior até do que a dos alunos de escolas particulares. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), principal indicador de qualidade no País, dos colégios militares é 6,5 (do 6º ao 9º ano do fundamental). O das escolas estaduais, 4,1”, diz o jornal.

POSIÇÃO CONTRÁRIA

Entretanto, professores ligados à APP-Sindicato, se posicionam contrários à implantação. De acordo com a professora e vereadora Terezinha Daipari, presidente regional da entidade, o modelo que está sendo proposto tem custo alto e é para poucos, principalmente porque faz seleção de alunos.

“Há vagas garantidas para filhos e parentes de militares e uma porcentagem para civis. Portanto, fere o princípio constitucional e da Lei de Diretrizes Básicas (LDB) da universalização que a escola pública tem. Há uma exclusão”.

Contrária à militarização da escola, a APP-Sindicato diz também que o financiamento do colégio militar é feito com recursos que seriam destinados a todas as escolas. E vai beneficiar apenas uma instituição. “A militarização da forma que está sendo feita pega a estrutura de uma escola já existente, melhora a estrutura e a coloca como modelo, mascarando uma falta de investimento que está acontecendo em todas as escolas”.

Terezinha Daiprai observa também que é princípio constitucional e da LDO o direito à liberdade de ensinar e aprender. “E as regras do colégio militar vem da hierarquização e da disciplina militar impondo parâmetros e comportamentos onde quem não se enquadra é excluído, portanto, não é prática pedagógica de inclusão. Por todos esses motivos citados é que a APP-Sindicato e os educadores são contrários à implantação de colégios militares”.

Em abril, a escolha do Colégio Gildo Aluísio Schuck, de Laranjeiras do Sul, para ser transformado em colégio militar, encontrou rejeição entre os alunos. Os estudantes se manifestaram em redes sociais e saíram às ruas com faixas e cartazes contra a proposta. “Não se constrói uma história apagando outra”, defendem os estudantes.

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