Janeiro Branco: colocando a saúde mental em evidência na sociedade

A campanha brasileira promove a construção de uma cultura da saúde mental na humanidade, ainda mais com os desafios da pandemia

Janeiro Branco: colocando a saúde mental em evidência na sociedade (Foto: Reprodução/RawPixel)

O Janeiro Branco é dedicado a colocar os temas da “Saúde Mental” em evidência na sociedade. A campanha, idealizada pelo psicólogo mineiro Leonardo Abrahão, ganhou vida em janeiro de 2014 quando psicólogos de Uberlândia (MG) foram às ruas, às instituições e às mídias da cidade para falar sobre o tema.

Desde 2014, o Janeiro Branco vem se consolidando como a maior campanha do mundo em prol da construção de uma cultura da saúde mental. Este ano, não tem sido diferente. Ainda mais com a pandemia da covid-19, que afetou diretamente esse aspecto da vida das pessoas. Agora, além de vencer o vírus, a sociedade deve reunir esforços e desenvolver estratégias para proteger, fortalecer e promover a saúde mental das pessoas.

Em entrevista ao Portal RSN, Abrahão explica que o objetivo da campanha é fazer com que as pessoas pensem na saúde mental, implantando essa cultura pelo mundo.

Tem muito sofrimento humano que poderia ser evitado, prevenido, se as pessoas entendessem mais sobre as suas próprias naturezas e condições psicológicas. Todos nós seres humanos, nós somos seres de conteúdo emocionais, sentimentais, mentais. Os nossos comportamentos são atravessados por questões psicológicas, subjetivas e o mundo nunca olhou direito para isso. O mundo sempre olhou para as questões objetivas, materiais, patrimoniais. Assim, desprezando essa porção fundamental e estruturante do ser humano, que é o subjetivo, os sentimentos, pensamento que interfere no nosso comportamento. 

Neste ano, a campanha está focada em construir uma ligação de comprometimento com a saúde mental. “Agora mais do que nunca precisamos de um pacto pela saúde mental, de que todo cuidado conta. Precisamos orientar indivíduos, instituições sociais, órgãos públicos e privados no sentido de entender que cada pessoa e instituição pode fazer o que está ao seu alcance para a saúde mental das pessoas seja mais respeitada, valorizada e priorizada”.

SAÚDE MENTAL NA PANDEMIA

Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), a pandemia interrompeu serviços essenciais de saúde mental em 93% dos países do mundo e, ao mesmo tempo, intensificou a procura por esses mesmos serviços. No Brasil, a primeira fase de uma pesquisa feita no final de 2020, pelo Ministério da Saúde, detectou ansiedade em 86,5% dos indivíduos pesquisados. Bem como, transtorno de estresse pós-traumático em 45,5% e depressão grave em 16% dos participantes do estudo.

Outro estudo, pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) com 12.000 pessoas de 33 países da América Latina e Caribe (30,8% eram brasileiros), revelou que 35% dos entrevistados relataram aumento na frequência do comportamento de beber de forma excessiva e em um curto período de tempo. Situação essa, que pode desencadear sérios problemas em relação à saúde mental dos envolvidos.

COMO CUIDAR DA SAÚDE MENTAL

De acordo com o psicólogo Silvio Ortiz, a saúde mental está, via de regra, diretamente ligada ao equilíbrio. Desse modo, as pessoas devem cultivar hábitos saudáveis para fortalecer essa parte tão importante do ser humano.

É preciso focar um esforço em ter atividades que possam causar bem-estar, bem como formas saudáveis de descarregar o estresse. A relação com boas práticas é fundamental, isto é, cuidados com saúde, alimentação, sono, lazer, atividades físicas.

Ortiz ainda indica a importância de procurar ajuda, quando achar necessário. “Outro ponto de fundamental importância é saber identificar precocemente quando é necessário procurar ajuda, em perceber-se e verificar o mais cedo possível quando as coisas começam a não estar bem. Nos meus 18 anos de prática clínica, percebo e acredito fortemente no poder da comunicação em equalizar muitos aspectos importantes da vida”.

E principalmente, entender que ter algum tipo de ajuda psicológica como a terapia ou psiquiátrica não é motivo de vergonha ou de preconceito. “Hoje, com o avanço da psiquiatria e da psicologia, dispomos de recursos bastante eficientes para proporcionar os cuidados necessários a saúde mental. Assim, tendo inclusive reduzido grandemente o preconceito com a psicoterapia”.

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