JULGAMENTO DE DIEGO: Promotor pede que jurados julguem os fatos

Guarapuava – O promotor João Miltn Sales falou aos jurados durante uma 1h30min no júri que tem como réu o jovem Diego Pereira dos Santos acusado por furto de vasos numa loja de móveis no centro da cidade, e pela morte dos jovens Ericson Augusto Pereira e Maridelma Luteski, 21 anos, em acidente de trânsito.
A tragédia que tirou a vida de dois jovens aconteceu na noite de 10 de abril de 2008. Diego, na época com 21 anos, dirigia alcoolizado uma Saveiro na companhia do amigo (Ericson) quando em alta velocidade e embriagado invadiu uma preferencial no cruzamento da rua Visconde de Guarapuava e colidiu em outro veículo (Gol) e em uma motocicleta que transitavam pela rua Padre Chagas.
No acidente, o passageiro da Saveiro, Ericson Augusto Pereira, que recém havia completado 19 anos, e a condutora da motocicleta, Maridelma Luteski, 21 anos, morreram. O condutor do Gol teve ferimentos. Diego foi preso em flagrante.
Em seu depoimento durante o júri Diego a tônica das respostas às questões feitas pelo juiz William da Costa foi de que não se lembrava de detalhes.
Diego assumiu que ingeriu bebida alcoólica, “uma garrafa de vodca” que, segundo a testemunha Marcos Alexandre, amigo do réu, foi levada pelo próprio Diego, numa festa na casa de outro amigo (Renan). A reunião, segundo o próprio Diego seria para uma comemoração em dose dupla: o aniversário de Ericson e a aprovação de Diego num concurso para a Polícia Militar.
Diego saiu da festa pouco antes das 23h30min e já estava alterado, de acordo com Marcos Alexandre.
“Eu saí para ir para casa porque não estava me sentindo bem. Tinha tontura e muita dor de cabeça. O Ericson quis ir comigo”, depôs o réu na manhã desta quinta-feira no Tribunal Júri.
A justificativa do mal sofrido por Diego após a ingestão de bebida alcoólica é que estaria tomando remédio controlado. Esse fato, porém, foi contestado pelo promotor que disse possuir laudo médico atestando não haver vestígio de psicotrópico no sangue do réu.
“Essa é uma tentativa de se construir uma tese para que o réu não fosse nem a júri”, observou o promotor.
Por conta desse mal-estar, Diego disse que não lembra sobre o furto dos vasos numa loja, mas o promotor leu parte do depoimento já prestado pelo réu em juízo e na delegacia de polícia onde ele lembrava de todos esses fatos que hoje disse não recordar.
Diego afirmou que só lembra do impacto da colisão. “Eu cochilei e acordei quando ouvi o barulho na carroceria, depois não lembro de mais nada a não ser do impacto da batida”, afirmou.
Uma das testemunhas, entretanto, em depoimento, informa que foi Diego quem furtou os “vasinhos.”
Outro fato levantado pelo promotor é de que, segundo depoimento de policiais que atenderam a ocorrência logo após o acidente, Diego tentou fugir. Correu pelas ruas, pulou um muro e só parou quando a polícia disparou um tiro para o alto. Diego alega que fugiu para não ser agredido pelo esposo de Maridelma. A jovem foi atingida quando dirigia uma moto recém-comprada, ao lado do esposo. Ela não tinha carteira de habilitação.
De acordo com o promotor, o jovem tentou fugir quando já estava dentro da ambulância do Siate. “Como que uma pessoa que está passando mal, que não se lembra de nada, consegue correr e pular um muro”? questiona o MP.
O promotor citou que Diego, de acordo com policiais, chorava, e dizia que seria repreendido pelo seu pai por ter batido o carro.
Outro argumento utilizado pelo Ministério Público também está embasado em laudo técnico. Diego disse que deixou a festa para levar Ericson para casa e em seguida ir para a sua residência. O estudo técnico, porém, aponta que o local onde o acidente aconteceu estava fora do trajeto das duas casas. “Eles estavam indo pra balada, no centro da cidade”, afirmou o promotor.
Para ilustrar o seu pronunciamento o promotor solicitou que fosse mostrada aos jurados uma reportagem produzida pelo programa Fantástico no domingo (10) e que trata sobre a violência no trânsito. O pedido foi questionado pelos advogados de defesa. O assistente Fabio Martins Ribas, que é o ex-Procurador do Município, e primo em terceiro grau do ex-deputado Fernando Carli Filho tentou impedir o pedido feito pelo promotor alegando que a matéria jornalística também se referia a caso ocorrido envolvendo Guarapuava (acidente que envolveu Carli Filho e que teve duas mortes). O juiz, porém, deferiu o pedido feito pelo MP.
Durante todo o tempo da atuação da promotoria, Diego se manteve cabisbaixo. Deixou o recinto apenas uma vez, possivelmente, para ir ao banheiro, retornando em seguida.
A defesa não fez nenhum aparte durante a atuação da promotoria.
O promotor Gil Pinheiro Pinto disse ainda que o a declaração que mais chamou a sua atenção durante depoimento em juízo foi quando Diego disse que estava arrependido e que não queria matar o seu melhor amigo, mas que a jovem (Maridelma) ele não conhecia. “Isso demonstra um desvalor do cidadão, um desrespeito para com a vida humana”, afirmou o promotor.
João Milton Sales pediu que o Corpo de Jurados, composto por quatro mulheres e três homens, julgue os fatos, “sem dúvida, sem preconceito”, e lembrou que o processo “está perfeito”. Citando que o Tribunal manteve a prisão do jovem, preso em flagrante, apesar de dois pedidos de soltura.
Diego saiu em liberdade provisória no dia 30 de dezembro de 2009, após cumprir 1 ano e 8 meses de prisão numa cela com outros oito presos. O jovem lembrou que durante esse tempo aconteceram várias fugas, rebeliões e que oito presos foram mortos por outros detentos.
Disse também que será pai e que “filho é uma benção”. A sua namorada está grávida de oito meses e ele a engravidou durante visitas íntimas na Cadeia. Contou ainda que desde o dia 4 de janeiro de 2010 está trabalhando numa operadora de telefonia celular no Primo Shopping.
Em relação ao tumulto criado na 6ª CIRETRAN quando em busca de sua carteira de habilitação no início deste ano, notícia divulgada com exclusividade por este site, ele disse que a funcionária (Márcia) o tratou de forma ríspida e que ele foi apenas saber como pagaria possíveis multas. “Eu queria arrumar tudo e pagar o que eu devia, mas ela disse que eu tinha que pegar a minha carteira”, contou.
Esgotado o tempo destinado à acusação, o júri foi suspenso por 40 minutos para almoço.
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