Lorenzo reencontro o pai após 15 anos de separação

Entre Lorenzo e o pai havia uma batalha judicial e a distância entre Guarapuava e Los Angeles, nos Estados Unidos

Lorenzo reencontra o pai após 15 anos de separação (Foto: RSN)

Eu o conheci ainda pequeno, aos cerca de quatro anos de idade. O nosso encontro, meu, dele, da Rita, sua mãe me possibilitou escrever uma história de desencontros. Entretanto, mais de 15 anos se passaram. E eis que o Lorenzo reaparece para me contar o final feliz de um reencontro com o pais, o filipino Ariel.

A história começa em Los Angeles, nos Estados Unidos, onde a guarapuavana Rita Guimarães se apaixonou por um filipino, Ariel. Dessa união nasceu Lorenzo. Entretanto, as brigas constantes entre o casal trouxeram Rita e o filho de volta, temporariamente, a Guarapuava. “Eu precisava ficar perto da minha família por um tempo. Depois, retornaria a Los Angeles”. Conforme conta Rita, a vinda dela com o filho teve o consentimento de Ariel.

Entretanto, ao chegar em Guarapuava, veio a desagradável surpresa. Havia um registro de sequestro de menor. Começava ali, uma luta para provar o contrário. Foram várias audiências entre embaixadas, envolvendo advogados brasileiros e americanos. “Ficamos impedidos de sair até de Guarapuava. Se voltasse aos EUA seria presa”.

PORTAL RSN DEU VISIBILIDADE AO CASO

Lorenzo e eu (Foto: RSN)

Todavia, a luta pela guarda de Lorenzo encontrou respaldo no Portal RSN. Inúmeras reportagens deram evidência ao caso. Entrevistas com a embaixada americana ajudaram a agilizar o processo. “Até que um dia fizemos a primeira audiência aqui em Guarapuava. O Ariel veio e não teve a coragem de ver o filho. Disse que não aguentaria deixá-lo aqui”. De acordo com Rita, após dois anos desse reencontro, uma nova audiência ocorreu. “Ganhei a guarda do Lorenzo. Depois disso o Ariel nunca mais nos procurou”.

Entretanto, o sangue americano de Lorenzo, o desejo de rever o pai motivaram todos esses anos. “Quando completei 18 anos a primeira coisa que fiz foi buscar o visto para voltar aos Estados Unidos. Passei por entrevistas e análises até que 90 dias depois tive a permissão para viajar”.

DE VOLTA À TERRA ONDE NASCEU

A primeira parada em Nova Iorque por dois dias o prepararam para chegar à cidade onde nasceu. “Fiquei hospedado na casa de uma família, amiga da minha mãe. Hoje considero como a minha família americana”.

Conforme relata Lorenzo, a emoção de voltar aos lugares onde viveu nos primeiros anos de infância tomaram conta.

Ir à igreja onde ia com minha, rever os lugares, as pessoas que me conheceram ainda pequeno. Tudo isso me emocionou. Mas a expectativa maior era reencontrar o meu pai.

De acordo com Lorenzo, com a ajuda de amigos ele encontrou uma tia. “Ela cuidava de mim quando eu era bebê. E me contou que meu pai estava morando na Califórnia e com câncer em estado terminal. Passei a morar com ela; encontrei tios e primos. Todavia, tempos depois ela morreu de câncer”.

O REENCONTRO COM O PAI

De volta à família que o acolheu na chegada aos EUA,  junto com o ‘pai americano’ Lorenzo foi à Califórnia atrás do pai biológico. “O nosso reencontro foi emocionante. Nos abraçamos e ele chorou muito. E descobri que ele vive uma vida muito simples. É motorista de transporte escolar e mora num quarto alugado na casa de uma família”.

Estabelecido em Los Angeles, trabalhando e estudando a fase preparatória para curso de medicina, Lorenzo, porém, queria viver com o pai. “Voltei à Califórnia e sugeri estudar e trabalhar lá. Eu queria ficar perto do meu pai, ajudá-lo. No início ele concordou. Mas depois disse à minha mãe que não queria, pois não poderia me ajudar como desejava. E não tivemos mais contato”.

Agora, passando uma temporada em Guarapuava, Lorenzo tem uma meta: levar a mãe de volta para os Estados Unidos. E aí vem uma nova batalha judicial. “Continuo impedida de entrar nos Estados Unidos, pois já tive o visto negado. Mas vamos tentar novamente. Afinal, o Lorenzo é a coisa mais preciosa que tenho e quer estar com ele”.

E quanto ao Lorenzo, ele que se sente muito bem em ter reencontrado o pai. “Cuido dele mesmo estando distante e quero voltar a vê-lo. Mas posso dizer que a minha história teve um final feliz”.

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