Médico afirma em depoimento que Tatiane Spitzner não tinha depressão

Família Spitzner divulgou um vídeo do médico Rodrigo Crema que afirma que Tatiane apresentava sinais de tensão

O médico afirmou que Tatiane apresentava sinais de tensão (Foto: Arquivo/RSN)

Às vésperas do julgamento de Luis Felipe Manvailer, a família de Tatiane Spitzner divulgou um vídeo de pouco mais de quatro minutos onde o médico Rodrigo Crema depõe sobre o estado de depressão apontado pela defesa do réu. De acordo com Crema, Tatiane não apresentava sinais de depressão.

O médico é questionado em depoimento. “O senhor investigou os níveis emocionais dela?”. Crema responde afirmativamente e afirma que não a diagnosticou com quadro clínico de depressão.

Ansiedade, tensão, estresse, é uma coisa. Depressão é uma tristeza crônica, geralmente dura mais de 30 dias, você perde a vontade de viver. E eu não identifiquei esses sintomas nela. Quem faz academia, quem ‘bola’ viagem, quem sai a noite, quem tem motivação para trabalhar, você sente.

Ainda durante o depoimento, o profissional lembra que atendeu duas mulheres deprimidas no dia anterior. “O que me chamou a atenção. Não passa batom, não cuida do cabelo, chega de qualquer jeito no consultório. Porque ela vai se ajeitar se ela não se gosta, não gosta de viver. Ela [Tatiane], chegava sempre de cabelo arrumado, sempre maquiada, cabelo dela sempre impecável, sem bem vestida, de batom vermelho que chamava muito atenção”.

Além disso, Crema afirma que não detectou comportamento suicida na advogada. Em contrapartida, ele disse que chegou a receitar um antidepressivo, mas que Tatiane afirmou que não precisava pois não estava depressiva. “Por que assim, eu não detectei depressão, mas eu detectei ansiedade, detectei tensão. Ela tinha tensão. Ela dormia tensa a ponto de acordar com dor, tanto que o Velija [remédio], ele só tira a dor de característica neurítica, ela teve melhora da dor. Então quando ela voltou ela me disse: Rodrigo, eu me sinto melhor no dia a dia me sinto bem e minha dor melhorou e eu vou voltar pra academia”.

A defesa do réu foi procurada pelo Portal RSN, mas até a publicação da reportagem os advogados não se posicionaram sobre as declarações do depoimento do médico.

Manvailer durante entrevista à Rede Record (Foto: Reprodução/Domingo Espetacular)

FATOS

O fato é que há novidades apresentadas pelos dois lados nos últimos dias. Na semana passada, a defesa do réu informou que advogadas que defendem os direitos da mulher em diversos estados brasileiros se apresentaram para defender Manvailer.

Procurado pelo Portal RSN, o advogado da família de Tatiane, afirmou na ocasião que “não conhece nenhuma mulher que o defenda. Mas até Hitler teve apoiadores, muito mais do que este réu preso”.

Além disso, durante o fim de semana, a defesa de Manvailer divulgou uma perícia feita pelo Instituto de Criminalística do Paraná a partir da extração de dados do notebook de Tatiane. De acordo com o texto ela mantinha pensamentos suicidas frequentes e passava, aparentemente, por quadro agudo de depressão.

Pelas mensagens divulgadas pela defesa de Manvailer, no período em que morou na Alemanha, junto com o marido em 2014, Tatiane por diversas vezes revelou ao marido o desejo de “acabar com a própria vida”. Por isso, a defesa de Luis Felipe afirma que “contrariando amigos e familiares de Tatiane Spitzner, que afirmaram ao longo do processo, que a jovem sempre teve uma saúde mental em ordem, os laudos mostram uma mulher triste, angustiada, recorrendo ao marido para suportar o peso da doença, e ele a ampara”.

Em contrapartida, a família de Tatiane divulgou, no fim da noite do último domingo (30), conversas de celular entre os dois, onde Tatiane reclama do comportamento de Manvailer. As conversas divulgadas pela família Spitzner são entre os anos de 2014 e 2016. Em uma das imagens publicadas, Tatiane diz “antes de assinarmos o contrato do novo apartamento, é melhor decidirmos se vamos continuamos juntos”.

Nesta semana, o réu falou pela primeira vez, em rede nacional, sobre o caso. A expectativa é geral.

JÚRI

No dia 17 de maio de 2019, a Justiça determinou que o réu ia a júri popular. Em 20 de julho de 2020, a Justiça novamente se manifestou. Desta vez, pediu o agendamento do júri. Por fim em 14 de setembro de 2020 a data ficou definida. O Tribunal do Júri está agendado para os dias 3 e 4 de dezembro no Fórum de Guarapuava.

O caso, que teve repercussão internacional, movimentou a opinião pública e ganhou notoriedade em todos os setores da sociedade pode ser um dos maiores júris da década no Brasil. Isso porque o processo é complexo, e o inquérito e a instrução conflitam.

Por fim, órgãos de imprensa têm autorização para a assistir o júri de forma presencial, porém com apenas com um representante. Não será permitido fotografar ou filmar o julgamento. Entretanto, o canal do Tribunal de Justiça do Paraná, irá transmitir ao vivo, a partir das 9h de quinta (3).

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