Moradores são notificados para deixar área da Copel

Pinhão – Os moradores da localidade de Nova Divinéia II, a seis quilometros da Usina de Foz do Areia foram surpreendidos com uma notificação extrajudicial da Companhia Paranaense de Energia (Copel).
A Copel é a proprietária da área que foi desapropriada para a construção da usina. Na notificação, a empresa alega que através de vistoria técnica constatou-se a utilização irregular dessas áreas, o que é flagrantemente proibido. E alerta que por se tratar de área de segurança, a empresa não se responsabilizará por danos e prejuízos.
O prazo para que os moradores deixem o local é de 90 dias a partir da data de recebimento da notificação (24/06), quando eles devem retirar benfeitorias e plantações, deixando o imóvel como o encontrou.
A notificação tirou a tranquilidade dos moradores, em sua grande maioria, pequenos agricultores que moram na área há mais de 20 anos. Desorientados eles procuraram o vereador Julio Machajaweski (PT) em busca de informação.
No último dia 07, foi realizada uma reunião com mais de 40 pessoas que puderam tirar suas dúvidas com o advogado Odir Antonio Gotardo. O advogado explicou que a notificação não tem poder de desapropriação. “Uma notificação é apenas um aviso, após passados os 90 dias, aí sim, a empresa poderá entrar com uma ação de desapropriação. Mas que também não é motivo para desespero, todos terão direto de defesa”, explicou ele.
Alguns moradores salientaram que havia boatos de que se eles não deixassem a área em 90 dias, o exército faria a desapropriação. Eles também queriam saber se deveriam continuar plantando. “To com a terra arada para plantar, o que devo fazer?”, perguntou um deles. A orientação é para que continuem com sua rotina de trabalho. “Não parem de plantar e de fazer seus afazeres, continuem produzindo na terra, que será nosso principal argumento nessa luta”, disse o vereador.
O advogado Odir Gotardo explicou que como os agricultores produzem na terra e não tem para onde ir, o argumento principal será o de usucapião, porém é necessário aguardar que as coisas aconteçam. “Vamos esperar, não vamos sofrer por antecedência, pode ser que a Copel nem entre com a ação. Então não vamos nos precipitar, mas vamos nos organizar. Vocês todos, tem o mesmo problema, então é preciso que vocês formem um grupo para ir se articulando”, orientou Odir.
O vereador Julio, que é também presidente da Afatrup Associação da Agricultura Familiar de Pinhão (Afatrup), vai apoiar o grupo, fazendo um cadastro de todas as famílias atingidas, que são aproximadamente 40. “É importante saber quem são vocês, quantos são, o que vocês produzem aqui, todos esses dados vão nos ajudar mais pra frente”, disse ele. Para fazer esse levantamento foi eleita uma comissão.
Muitas famílias, já estão na segunda geração, é o caso de Brazilio Antunes Cardozo, que mora na área há 27 anos, ali ele criou os filhos que hoje já se casaram e construíram suas casas na mesma área. “Toda minha família tira o sustento dali, plantamos milho, feijão, temos uma criação de gado. Se nós sair, vamos pra onde?”, pergunta.
Valdecir Velozo, está na terra há 26 anos, também criou seus filhos, hoje crescidos que ajudam a cultivar a área de aproximadamente três alqueires. “Somos em dez pessoas, lá a gente planta um pouco de tudo, agora mesmo fizemos uma plantação de 200 pés de mandioca. É uma vida inteira que estão pedindo para abandonarmos”, disse ele.
Nem todas as famílias foram notificadas, como é o caso de Osvaldo Mendes de Lima, que mora na área há 22 anos. “Eu não recebi a notificação, mas como sei que é o mesmo caso, vim me informar e vou ajudar no que eu puder, porque não quero sair daqui”, relatou.
Alguns dos moradores que foram notificados são pessoas que têm casas de veraneio a beira do Alagado. De acordo com o advogado, são casos diferenciados. (Fatos do Iguaçu )
Foto: Vereador Julio Machajawesji e o advogado Odir Antonio Gotardo esclareceram as dúvidas dos moradores.

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