Moro deixa o Ministério da Justiça após exoneração de Valeixo

"Há uma violação do que foi acertado com o presidente, não tem uma causa para a troca, e por fim existe uma interferência política na PF", diz Moro

Moro deixa o Ministério da Justiça após exoneração de Valeixo (Foto: Reprodução/Globonews)

Sergio Moro não é mais ministro da Justiça do governo Bolsonaro. A decisão de deixar o Ministério da Justiça e Segurança Pública ocorreu na manhã desta sexta (24), durante uma coletiva de imprensa em Brasília.

Como o Portal RSN já havia informado nessa quinta (23), o ministro ameaçava deixar o cargo caso o presidente Bolsonaro insistisse em exonerar o então diretor-geral da Polícia Federal (PF), Maurício Leite Valeixo, indicado de Moro.

Durante o pronunciamento ele disse que antes de aceitar o convite para ser ministro foi juiz federal por 22 anos. E citou as investigações da Polícia Federal, com a Lava-jato. Disse que foi prometido a ele, carta branca para nomear pessoas nos órgãos referentes à pasta [Ministério da Justiça e Segurança Pública].

De acordo com a fala de Moro, o cargo foi aceito porque havia o compromisso assumido em combater a corrupção e criminalidade organizada no país. Além disso, ele afirmou que a única coisa que havia pedido como condição para assumir o cargo, era que se algo acontecesse com ele [Moro], após 22 anos de magistratura, a família não ficaria desamparada e receberia uma pensão.

O ex-ministro lembrou de números importantes de redução da violência. Afirmou que sempre teve o apoio de Bolsonaro. Entretanto disse que desde o segundo semestre do ano passado, o presidente Bolsonaro insistia na substituição do diretor-geral da PF. De acordo com Moro, não havia necessidade dessa substituição.

“Não tenho nenhum problema em trocar o diretor-geral da PF, mas preciso de uma causa. Uma falha de desempenho, uma falha grave. Senão porque trocar?”. De acordo com Moro, não havia problema com o trabalho do ex-diretor-geral da PF. “E eu preciso proteger a minha biografia pessoal e profissional”.

“Com a substituição há uma violação do que foi acertado com o presidente, não tem uma causa para a troca, e por fim existe uma interferência política na Polícia Federal”, diz Moro. Aceitando a substituição, Moro sinalizou um nome, mas não obteve resposta.

EXONERAÇÃO

Na manhã desta sexta, o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Maurício Leite Valeixo, foi exonerado do cargo. A exoneração ocorreu “a pedido” – teria sido uma demissão por parte do diretor – segundo decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, e publicado no “Diário Oficial da União”, na madrugada desta sexta (24).

Moro ficou sabendo da exoneração pelo Diário Oficial e afirmou que não assinou o documento. “Esse último ato sinaliza que o presidente me quer fora do cargo, que não me quer mais no governo. Tive muitas convergências, recebi e dei apoio a ele [Bolsonaro] em diversos momentos”.

Entretanto, de acordo com informação do G1, Moro foi pego de surpresa pela exoneração. Isso porque a decisão não ocorreu “a pedido” como diz o Diário Oficial. Ele não assinou a demissão e não esperava que isso ocorresse. Como o cargo é de livre nomeação do presidente, o ministro não precisaria assinar o despacho.

A exoneração há tempos era um desejo do presidente Bolsonaro, e nessa quinta ganhou mais força. Moro havia afirmado ontem (23) que resistiria a exoneração já que, ele aceitou assumir o ministério com a promessa de que teria liberdade e autonomia para agir.

INTERFERÊNCIA

Assim, a decisão de exonerar o diretor-geral da PF seria uma possível interferência do executivo na Polícia Federal. Nessa quinta, o ministro havia dito ao presidente que pediria demissão se Valeixo fosse demitido.

Não foi nomeado um substituto para o comando da PF. Entre os nomes cotados estão Alexandre Ramagem, diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Ele foi coordenador de segurança de Bolsonaro na campanha de 2018 e se aproximou dos filhos do presidente, e não contava com o apoio de Moro.

Outro cotado para o cargo é Anderson Gustavo Torres, secretário de segurança pública do DF e Fabio Bordignon, diretor-geral do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), que contava com a aprovação e confiança de Moro.

Entretanto, o que se sabe até agora, é que Bolsonaro quer Alexandre Ramagem para o comando da PF.

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