Motivado por sonho, homem auxilia pinhãoense a realizar cirurgia

“Sonho premonitório” motivou Ataíde Pereira dos Anjos Filho, de Florianópolis, a ajudar Cesário Moraes, morador de Pinhão que tinha artrose no quadril

A fé, independente de religião ou crença, tem a função de fazer com que ocasiões que são aparentemente inviáveis, se tornem realidade para quem crê no impossível. O caso de Ataíde Pereira dos Anjos Filho, popularmente chamado de Idinho, expressa como as pessoas vão longe por aquilo que amam e acreditam. Vivendo sobre a máxima de ajudar as pessoas e pregar a palavra de Deus, Idinho, como é conhecido, buscou caminhos para auxiliar Césario Alves de Moraes, de Pinhão, a realizar uma cirurgia complexa. E conseguiu.

Idinho é natural de Florianópolis e tem 54 anos. Cesário é aposentado e tem 78 anos. Ambos não se conheciam, até Idinho ter um “sonho premonitório”. O contato entre eles começou em março de 2015, após Ataíde ter se hospedado na casa de um conhecido, em Pinhão. Lá, o catarinense teve um sonho que, segundo ele, o marcou para toda vida.

“Haviam duas pernas extremamente roxas, as quais estavam em estado crítico de enfermidade, caminhando com dificuldades em minha direção”.

Idinho, um grande exemplo de simpatia e amor ao próximo (Foto: Matheus Buongermino/RSN)

Após acordar com este sonho, que mal entendia no momento, relatou para seu conhecido sobre o acontecido. Com isso, o amigo ligou os pontos e identificou o que prelúdio podia ter significado.

“Vamos para a casa de seu Cesário, quero que você dê uma olhada nele”, disse ele quando ouviu Idinho falar sobre o sonho. Chegando no aposento do senhor de 78 anos de idade, seu estado era o mesmo que ele diz ter visto em sonho.

Cesário sofria com artrose no quadril e tinha muita dificuldade para andar. O catarinense entendeu que, naquele momento, esta seria sua missão e, de 2015 até agora, lutou para conseguir uma cirurgia que resolvesse em definitivo o problema do amigo. Esta operação aconteceu no dia 2 deste mês, no Instituto Virmond, em Guarapuava. Porém, antes de vir para cá, muitos foram os diagnósticos para o idoso.

“Os médicos queriam marcar a cirurgia de amputação em minhas pernas, eles achavam que não teria mais solução”, relembra o aposentado.

Em Guarapuava, Cesário encontrou novas esperanças para a cura de sua enfermidade (Foto: Matheus Buongermino/RSN)

Idinho entrou em uma rotina de intercâmbio, intercalando sua presença entre a capital catarinense e Pinhão. Nos últimos três anos, ambos buscavam tratamentos em outros municípios, como Turvo. Todavia, quanto mais o tempo passava, mais a situação de Cesário ficava pior. Quando optaram por buscar tratamento em Guarapuava, veio a esperança.

“Quando chegamos aqui em Guarapuava, tivemos uma consulta com o Dr. Angelo. Ele realizou um Raio X no Cesário e constatou ele não tinha um problema na coluna, como outros médicos tinham dito, mas sim nos dois quadris, e que a amputação era algo muito distante de acontecer’’.

Diagnosticado com artrose no quadril, o senhor de 78 anos sofria com perda de cartilagem na articulação, havendo limitação do movimento nas pernas. Por ser uma doença degenerativa, o avanço da idade piorava o quadro do aposentado. Outra preocupação era quanto ao valor da cirurgia em um plano particular, que custa em torno de R$ 20 mil. A chance de recomeço para o aposentado veio quando eles conheceram o Dr. Angelo: precisaram esperar apenas 28 dias para a primeira operação de Cesário, que aconteceu em 12 de setembro de 2016.

“Eu tinha recém-chegado na cidade, a minha fila de cirurgia no SUS ainda era pequena. Por isso ele teve a sorte de ter chegado e não ter uma fila extensa. Demorou apenas 28 dias para operação. Se fosse hoje, nós temos em torno de 70 pacientes na fila, então ele demoraria mais ou menos 7 meses para ser operado’’, conta Angelo Rafael Lawryniuk, ortopedista responsável pela realização da cirurgia.

Angelo Rafael Lawryniuk, médico responsável pela cirurgia do pinhãoense (Foto : Matheus Buongermino/RSN)

A recuperação da primeira cirurgia foi ótima, mas, devido a sua idade, demorou dois anos para que ele estivesse pronto para a segunda cirurgia, realizada no Instituto Virmond no dia 2 de abril deste ano. Esta que retirou, de vez, a artrose de seu Cesário.

“Eu tenho um agradecimento especial por todos os enfermeiros, faxineiros, recepcionistas, todos que trabalham dentro dessa entidade. Fomos bem atendidos por todo mundo, sem exceção. Eu só posso pedir que Deus proteja cada um dos profissionais desse hospital”, ressalta Idinho com lágrimas nos olhos.

O reconhecimento que o aposentado tem por Ataíde é imenso, isso tudo por conta da irmandade que a fé ajudou a construir na vida dos dois.

“Eu agradeço muito por tudo que ele fez comigo. Não tem dinheiro que pague toda essa ajuda que o Ataíde me ofereceu. Essa é a missão que ele tem com Deus. Eu tenho meus filhos e minha família, mas ninguém fez o que ele faz por mim até hoje. Tudo isso pelo amor que o Ataíde tem pelas pessoas e por quem precisa dele”.

Idinho e Cesário (Foto: Matheus Buongermino/RSN)

Como forma de agradecer e homenagear o Instituto Virmond, Idinho encomendou uma placa de metal para entregar à instituição.

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