O melhor jogador da morada: Lorenzo Esteche Korocoski

Cazuza dizia que 'o amor é o ridículo da vida. A gente procura nele uma pureza impossível'. Eis que novamente Lorenzo nos surpreende. A pureza impossível do amor existe sim. Ela estava nos olhos, nos sorrisos, nos desejos dele

Lorenzo morreu no último dia 26 de dezembro. A última foto foi com o vovinho, amigo, parceiro, segundo pai: Orlando Silva (Foto: Reprodução/Facebook)

Não existe um sentimento que possa definir o que hoje ocupa nossos corações. E talvez, nunca conseguiremos conjugar o verbo que explique o sentimento de ver o Lorenzo voar. Mas a arquibancada está cheia, e nosso melhor jogador está num lugar de paz, comemorando os gols do seu timão (da p*) aqui na Terra e ouvindo Armandinho, ‘no balanço da rede’. Talvez, o hino do Athletico Paranaense.

A imagem pode conter: 12 pessoas, incluindo Luana Esteche, pessoas em pé

Família do Lorenzo (Foto: Reprodução/Facebook)

Cristina Esteche, avó materna de Lorenzo, era uma das responsáveis pelo cuidado dele. Em rede social, fez um relato emocionado sobre a noite a partida do neto.

Tanta beleza, serenidade, pureza numa única pessoa. Um ser que acordava sorrindo e dizia: gratidão universo! Bom dia, flor do dia. Ele queria sempre ser uma orquídea negra e eu tinha que dizer que era a mais bela. Outras vezes era um lírio do campo. Em outras, amor-perfeito ou um girassol. Passava os dias não menos feliz. Era exigente. O poderoso chefão e dizia: eu mando! Antes de dormir ouvíamos a nossa música de meditação: barulho do mar com flauta indígena (a flauta do Fredy Estupinam) que uma noite de muita música entre amigos, em Curitiba, ele ouviu e nunca mais esqueceu. Claro, sempre no bracinho da Gogó e com massagem nas costas. Antes, tomava água do tio Dieguinho. E quantas madrugadas entre o sono, o cansaço e as séries e jogos que ele assistia, olhando para mim, sorrindo e dizendo que era morceguinho. E agora? Meus braços não tem mais o seus abraços. Minha boca não encontra mais o seu rosto angelical. Meus dias amanhecem sem o sorriso puro. Tudo isso se foi numa noite de natal. Quietinho, ouvindo música, sem me chamar como sempre fazia quando alguma coisa não estava certa. Até a música que ele estava ouvindo parou de tocar. Congelou na tela da televisão. E eu ali a dois passos de distância. Isso dói, sangra, massacra. Mas eu não consegui levantar antes. Algo me impedia. Só fui quando a música parou e ele não reclamou. Eu o vi. Eu vi o que nunca queria ter visto. Ah! Como eu tinha medo desse dia. De repetir a perda que experimentei com o Juan. Mas esse dia chegou sem avisar. Afinal, o Lolo estava bem, muito feliz. Aliás, como sempre foi. E agora ficou o vazio da ausência. Que o nosso Lorenzo, o nosso menino Deus, voe livre pelo infinito. Que brinque no arco-íris. Que se embale na canção do vento. Que brinque entre as nuvens como se fossem algodão-doce. Que seja ele a acender todas as estrelas do céu. Que seja ele a assoprar até que a lua fique cheia e que o Sol queime a nossa pele e aqueça a nossa alma. Enquanto isso, meu amor, seguimos aqui, ouvindo Armandinho e te encontrando em cada pétala de flor. Voa livre, meu amor.

Um dia antes de Lorenzo decidir que ele precisava ensinar algo a todos nós, escrevi [Larissa] aqui sobre a Família Rede Sul. Com todo meu coração, falei sobre como cada um de nós preenche os dias do outro. Poucas horas depois, não éramos mais uma família, éramos um só. Com a mesma dor, com o mesmo sentimento. E quem sabe até mesmo o pensamento de que ‘nada mais faria sentido’.

Cazuza dizia que ‘o amor é o ridículo da vida. A gente procura nele uma pureza impossível’. Eis que novamente Lorenzo nos surpreende. A pureza impossível do amor existe sim. Ela estava nos olhos, nos sorrisos, nos desejos dele. Em apenas 18 anos foi professor da vida, professor de seus professores, de seus amigos, da nossa família, dos nossos amigos. Talvez eu, Larissa, não fosse a pessoa mais indicada para falar sobre ele, mas posso sem dúvida, descrever o esforço e o amor, dos que davam a vida por ele, de todos aqueles que respiravam Lorenzo.

A madrugada do dia 26 de dezembro de 2020 foi cinza pra nós. Porém, colorido no céu. Lorenzo amou, sorriu, brincou. Ele fez feliz muita gente e foi feliz. Ele completou dias vazios, e sua força e alegria sempre inundou os corações e atenuou o cansaço. Todos os abraços da Gogó (Cristina Esteche), os sorrisos da mama (Luana Esteche), os cuidados e esforços do vovinho (Orlando Silva), as brincadeiras com os irmãos (Piu e Leon), a presença do pai (Victor Korocoski), entre outras coisas e pessoas, hoje são cores nas lembranças, aconchego nos corações e suspiros na alma. E cara, pare agora, neste momento, e tente pronunciar cada sílaba de Lorenzo, sem sorrir.

Ao Orlando nossa admiração e muito obrigada por proteger e amar [incondicionalmente] o anjo da guarda da morada. Nós, da Rede Sul, prestamos nossa singela, porém sincera, homenagem.

Eu sinto tristeza de perder uma das pessoas mais puras que eu conheci, ele era um ser humano que alegrava todos e que conseguia ajudar a melhorar o dia de cada um apenas com seu sorriso.

Luiz Carlos Guimarães Júnior.

Sempre juntos. Um auxiliando o outro. Dia cinza pra nós. Mas alegre no plano celestial. Os anjos lá ganharam a vida dele e tão rindo pra caramba, ouvindo Armandinho! Nossa família RSN chora a separação. Mas logo estaremos juntos, novamente! Amém!

Gilson Boschiero

Eu conheço ele desde muito pequeno, e sempre admirei a alegria dele de viver. Sempre que podia me chamava de sarna. Um ser de luz que vivia de sonhos, fantasias, queria ser [e foi] super-herói, queria voar, cantava, e queria jogar bola, amar…

Eliane Bonin

Conheci o Lolo sorrindo, dançando e escolhendo as músicas para as comemorações. Ele me cativou, me fez ver o encanto de seus olhos e eu sorri com a alma em conhecer um anjo na Terra. O anjo voltou para o céu e agora cuida e ama de lá, do paraíso. Que o céu seja um infinito de sonhos e alegria e que o Lolo esteja de lá, olhando e sorrindo por todos aqueles que ficam orando e lembrando do quanto ele sempre será especial em nossos corações.

Sabrina Ferrari

Lembro da primeira vez que vi o ‘Lolo’. Logo me encantei pelo seu jeitinho e sorriso tão lindo. Pedi para ele dançar comigo e ele não queria que eu saísse de perto dele. Aquela alegria e pureza é a maior lição que ele me ensinou, mesmo que em pouco tempo. Nunca vou esquecer do meu amigo.

Isabela Nunes

Lorenzo, neste momento ocupa seu lugar na morada verdadeira e nos deixa a certeza que você foi o nosso melhor jogador, a nossa parte mais alegre, nosso amor mais puro e verdadeiro. Cuida de nós aí de cima, você conseguiu menino, hoje você pode voar. Voe alto.

Lorenzo e a ‘namorada’ Arlequina em sua festa de 18 anos (Foto: Reprodução/Facebook)

Estamos tão longe, tão perto também
E os anjos nos dizem amém
Fiquei trabalhando até tarde
Mas não vou dormir sem dizer

Que eu juro
Te juro amor eterno
Eu juro
Te juro amor eterno

Armandinho – Eu juro

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