O poder dos alimentos na prevenção do câncer

A alimentação pode ser uma das maneiras mais simples de evitar o câncer. A dieta é considerada um fator importante em 20 a 50% de todos os casos da doença, atuando de forma conjunta com outros aspectos como idade, predisposição genética, hábitos de vida (tabagismo, sedentarismo, estresse) e fatores ambientais.
De acordo com o médico cancerologista cirúrgico e clínico, Emerson Luiz Neves, alguns alimentos são funcionais para o organismo, agindo com antioxidantes e prevenindo vários tipos de câncer e outras doenças. Os antioxidantes são substâncias que impedem ou reduzem a degeneração celular que ocorre devido à oxidação das células do corpo pelas radicais livres. “Por isso a necessidade de uma alimentação equilibrada, rica em alimentos de origem vegetal que são imprescindíveis para o combate destes radicais livres e consequentemente do câncer”, aponta.
A nutricionista Angélica Rocha de Freitas, docente do curso de Nutrição da Faculdade Campo Real, também afirma que a alimentação está intimamente ligada ao desenvolvimento de certos tipos de cânceres e tumores. “Alguns nutrientes como a vitamina C e as fibras atuam diminuindo, respectivamente, a ação dos radicais livres e eliminação de substâncias tóxicas através do bom funcionamento intestinal”, explica.
Segundo ela, uma área de grande repercussão na nutrição atualmente é a alimentação funcional, ou seja, alimentos que além da sua função de nutrir (fornecendo energia, vitaminas, minerais entre outros), são capazes de fornecer substâncias adicionais que trazem algum benefício ao organismo. “Nesse contexto, o exemplo mais comum que se pode encontrar é o tomate, que fornece vitaminas, fibras e minerais, mas que adicionalmente possui licopeno, uma substância capaz de prevenir alguns tipos de câncer, com destaque ao de próstata”, destaca.
Dessa maneira, uma boa alimentação, com grande variedade de frutas, hortaliças e alimentos integrais, pode ser grande aliada para as pessoas que pensam em longevidade, qualidade de vida e prevenção de doenças. “Mas cabe ressaltar que os alimentos que previnem doenças como o câncer, não possuem ‘poder de cura’ e que devem fazer parte de uma alimentação normal. O equilíbrio no consumo é o sucesso dos bons hábitos alimentares, da prevenção de doenças, bem como da manutenção do peso corporal”, observa a nutricionista.
Em contrapartida, existem alimentos que se consumidos regularmente durante longos períodos, podem atuar como fatores de risco para o desenvolvimento de tumores. Entre eles, os rico em gorduras, como as carnes vermelhas, frituras, molhos com maioneses, leite integral e derivados, bacon, presuntos, salsichas, lingüiças e mortadelas. Outro grupo de risco são aqueles conservados com nitritos e nitratos – substâncias utilizadas para conservar picles, salsichas e outros embutidos, assim como alguns tipos de enlatados.
Os alimentos defumados e churrascos possuem alcatrão proveniente da fumaça do carvão, o mesmo encontrado na fumaça do cigarro, que tem ação carcinogênica. Alimentos preservados em sal, charque e peixes salgados, também estão relacionados ao desenvolvimento de câncer de estômago.
Além disso, uma alimentação pobre em fibras, com altos teores de gorduras e altos níveis calóricos (hambúrguer, batata frita, bacon), está relacionada a um maior risco para o desenvolvimento de câncer de cólon e de reto. Em relação a cânceres de mama e próstata, a ingestão de gordura pode alterar os níveis de hormônio no sangue, aumentando o risco da doença. Dietas ricas em gordura, principalmente a saturada, representam risco de se desenvolver certos tipos de câncer.
Angélica ensina ainda que o tipo de preparo do alimento também influencia no risco de câncer. “Ao fritar, grelhar ou preparar carnes na brasa a temperaturas muito elevadas, podem ser criados compostos que aumentam o risco de câncer de estômago e coloretal. Por isso, métodos de cozimento que usam baixas temperaturas são escolhas mais saudáveis, como vapor, fervura, ensopado, guisado, cozido ou assado”, diz.
Outra dica importante é com relação aos grãos e cereais. Se armazenados em locais inadequados e úmidos, esses alimentos podem ser contaminados pelo fungo Aspergillus flavus, o qual produz a aflatoxina, substância cancerígena. “Essa toxina está relacionada ao desenvolvimento de câncer de fígado”, alerta.
Uma alimentação equilibrada, associada a estilos saudáveis de vida, como a prática de atividade física e hábitos de não beber e não fumar, são as melhores opções para quem deseja prevenir o desenvolvimento de câncer. “Nenhum alimento isoladamente é capaz de causar benefícios, por isso, necessita que todos os alimentos sejam consumidos com moderação. Da mesma forma, os alimentos ditos perigosos, se consumidos adequadamente e de maneira moderada, não causarão problemas à saúde”, conclui.

Por Daiane Celso

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