O protocolo do prefeito

Guarapuava – Por Marcio Fernandes *

Não sei se, pelo calendário do prefeito de Guarapuava, quase quatro meses de espera é muito tempo mas, nas contas do cidadão comum, é. Em 22 de julho passado, deixei junto à Procuradoria Jurídica do Município pedido de informações, por escrito, tendo uma funcionária daquela unidade assinado uma cópia do ofício, a título de recebimento do mesmo.
Neste intervalo de tempo, sempre em vão, tentei obter algum retorno da Prefeitura. Em meados de agosto, liguei na Procuradoria e disseram que eu devia era aguardar. Simples assim, aguardar. Dias depois, tentei falar, ao telefone, com o procurador, Luciano Batista. Parei na atendente. Resolvi então enviar mensagem para o e-mail assessoriadeguarapuava@gmail.com, solicitando intermediação da Assessoria de Imprensa do Executivo local. Nem resposta veio. Em 28 de outubro, nova tentativa, via Assessoria. Um dia depois, o retorno lacônico via e-mail, sem assinatura, dizendo algo como “procure diretamente o Protocolo da Prefeitura”.
Mas, ainda que não consiga receber uma resposta decente por parte do Município e de seus representantes, ainda posso me considerar um sujeito de sorte: dia desses, ao abrir um jornal local, conheci o procurador Luciano, já que uma foto dele ali estava estampada. Se, ao acaso, cruzar com ele pela cidade, ao menos poderei reconhecê-lo e ser educado e cumprimentá-lo, dizendo “bom dia, doutor Luciano. Sou Marcio Fernandes, pessoa comum e contribuinte municipal, que está há meses esperando uma resposta sua”. Imagino que, sendo um sujeito culto e detentor de um cargo público, ele possa prestar um pouco de atenção em minhas palavras.
Fico, no entanto, a pensar naqueles moradores de Guarapuava que, ao recorrer à Procuradoria, não tenham a mesma sorte que eu – a sorte de ver uma foto dele nos meios de comunicação, para que possam reconhecê-lo pelos caminhos da cidade. Para estes desafortunados, restará uma opção um tanto mais complicada – a de cruzar com o prefeito e tentar encaminhar uma solução para um assunto que, originariamente, poderia e deveria ter sido resolvido pela Procuradoria, caso tivessem o salutar hábito de responder questionamentos em uma fração razoável de tempo.
Fica aqui uma dica, caso esbarrem com o chefe do Executivo: peçam licença para se aproximar, sejam formais, chamem-no de “doutor”, elogiem demoradamente sua gestão (em especial a decisão de alargar a rua XV), sejam protocolares, enfim. Quem sabe você até seja convidado a tirar uma foto ao lado do prefeito e, suprassumo da glória, do procurador. Eu, aliás, já estou andando com minha máquina fotográfica a tiracolo.

* Morador de Guarapuava

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