Opinião: A fonte da juventude do rock’n’roll

por Cleyton Lutz*

Em turnê pela América do Sul depois de 13 anos, o AC/DC realizou uma apresentação no último fim de semana em São Paulo, no estádio do Morumbi. Uma oportunidade única para muitos fãs assistirem a banda dos irmãos Youngs, já que a existem alguns indícios de que se trata da última turnê mundial dos caras – todos os membros do AC/DC já ultrapassaram a casa dos 50 anos de idade – alguns há bastante tempo – e o vocalista Brian Johnson sofreu problemas de saúde recentemente, o que ocasionou o adiamento em algumas datas das apresentações que a banda faria nos Estados Unidos.

Uma pena sem dúvida. O que o AC/DC proporcionou aos fãs em São Paulo foi uma das mais fantásticas apresentações de rock já realizada no Brasil. Um show – na acepção da palavra – completo, repleto de luzes, animações via telões e efeitos. E claro, cheio de rock’n’roll. Este sempre esteve lá, durante as mais de duas horas de show, nas 19 músicas da era-Bon Scott (primeiro vocalista da banda, falecido em 1980), nos hits do clássico álbum “Back in Black” (primeiro registro com o vocalista atual, Johnson) e nas músicas do trabalho mais recente “Black Ice”, disco mais vendido no mundo desde que foi lançado em outubro de 2008.

Uma apresentação impecável que arrastou cerca de 70 mil pessoas ao Morumbi, milhares delas de outros locais do país – inclusive de Guarapuava, de onde partiu uma excursão para o show – que esperaram o dia todo pela apresentação. Todos com intuito de ver de perto o AC/DC, uma banda com 36 anos de estrada e que criou uma fórmula simples, inigualável e mágica que cativa gerações de fãs – a turnê do álbum “Black Ice” já foi vista por dois milhões de pessoas ao redor do mundo.

Com seu som simples e direto, um hard rock característico, sem firulas – poucas bandas sintetizam tão bem o espírito do rock’n’roll quanto o AC/DC. Além do som energético, as letras bem-humoradas refletem muito do espírito da banda, que se recusa a envelhecer apesar da passagem do tempo. Aí reside o grande segredo do AC/DC.

Fundada na longínqua Austrália pelos irmãos Angus e Malcolm Young, a banda trilhou um caminho independente. Com seu rock/blues metalizado, o AC/DC criou um som facilmente reconhecível nos primeiros acordes da guitarra de Angus em cada música. O guitarrista por sinal é um caso a parte, já que leva multidões ao delírio em cada show sem dizer uma única palavra. Com uma infância pobre – tanto na Escócia, terra natal dos irmãos, quanto no período posterior à chegada a Sydney – os Youngs escolheram o rock como profissão e filosofia de vida. Saíram da distante Austrália, atingiram o mercado americano com o clássico “Highway to Hell” (1979, último registro com Scott), venderam 30 milhões de cópias com “Back in Black” (lançado em 1980 é um dos discos que mais vendeu até hoje), passaram incólume pelos modismos dos anos 1980, chegaram aos 1990 produzido grandes álbuns como “The Razor’s Edge” e “Ballbreaker”, e com mais de 30 anos de estrada realizaram a turnê mais bem sucedida da banda, além de produzir “Black Ice”, disco tido por muitos como o melhor desde “Back in Black”.

Esse é o AC/DC, uma banda que tem um guitarrista que se veste como um estudante colegial (Angus) e que faz o mais puro rock’n’roll há mais de 30 anos. Uma banda que ignora a passagem do tempo. A eterna juventude é um dos mais antigos desejos do ser humano. E é justamente por representar ela – mesmo sem ser de forma planejada – que o AC/DC fascina tanto.

O setlist do show do AC/DC na capital paulista:

Animação inicial – Rock N’ Roll Train
Rock N’ Roll Train
Hell Ain’t a Bad Place to Be
Back in Black
Big Jack
Dirty Deeds Done Dirt Cheap
Shot Down in Flames
Thunderstruck
Black Ice
The Jack
Hells Bells
Shoot to Thrill
War Machine
Dog Eat Dog
You Shook Me All Night Long
T.N.T.
Whole Lotta Rosie
Let There Be Rock

Bis
Highway to Hell
For Those About to Rock (We Salute You)

Foto: a banda com 36 anos de estrada levou fãs ao delírio em São Paulo (divulgação)

Cleyton Lutz é jornalista há dois anos e roqueiro desde criancinha

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